Constelação Familiar – Alfa e Ômega – palestra de Hellinger em NY 2001

Pronunciamento de Bert Hellinger feito em um Workshop sobre Constelação Familiar em Nova York em Junho de 2001 – Alfa e Ômega

 

Tradução do inglês (com permissão expressa de Bert Hellinger por Décio Fábio de Oliveira Júnior – ® reprodução proibida.

O Alfa e o Ômega

 

Na última noite, quando eu cheguei no Instituto Ômega, eu estava um pouco perdido. Enquanto eu esperava minha bagagem, decidi caminhar um pouco. Eu cruzei com um homem. Ele era um estranho para mim, mas eu pensei que ele me parecia de alguma forma familiar. De início, eu estava muito tímido para iniciar uma conversa com ele.

 

Então eu pensei que ele poderia ser Jesus. E assim eu perguntei para ele “o que você está buscando aqui?” Ele disse, “eu estou procurando pelo alfa”.

 

Então eu peguei a minha bagagem e perdi o homem de vista. Quando eu tentei encontrá-lo novamente, ele tinha desaparecido.

 

Mas por causa de sua resposta, durante a noite inteira, eu pensei a cerca do alfa. O que é o alfa?

 

O alfa é o começo, a fonte. O que eu tenho buscado no meu trabalho é na verdade o alfa, a fonte a partir da qual tudo emerge, da qual tudo brota.

 

Deste modo, em meu trabalho pessoal e em meu trabalho com os outros, eu sempre olho para ver onde está o começo e onde está a força original.

 

Toda terapia, como eu a compreendo, tem que ir em direção à fonte. Para cada um de nós, a fonte é, primeiro de tudo, nossos pais.

 

Se nós estamos conectados com eles, estamos conectados com nossa fonte.

Uma pessoa que está separada de seus pais, está separada de sua fonte. Quem quer que esses pais sejam, como quer que eles se comportem, eles são a fonte de vida para nós.

 

Assim, a coisa principal, é que nós estejamos conectados a eles de tal forma, que aquilo que vem deles para nós possa fluir livremente e, através de nós, para aqueles que vêm a seguir.

 

Eu tenho uma imagem da fonte. Eu penso em um rio. Ele começa em sua fonte. Ela brota a partir da terra, e então não tem que buscar um caminho.

 

Ela encontra esse caminho automaticamente, devido ao fato de sempre permanecer abaixo. O progresso do rio é ir cada vez mais para baixo e permanecer baixo.

 

Seu fluxo é sempre para baixo, nunca para cima.

 

Ele sempre segue para baixo. No final ele encontra o oceano, onde é absorvido por algo maior.

 

Muitas experiências espirituais buscam o pico. “Experiências de pico”, é como são chamadas.

 

Mas estar no pico significa que não estamos mais conectados com a fonte.

 

Permanecer abaixo, penso eu, é o caminho real de estar em sintonia com tudo o que é.

 

Agora, eu tenho um determinado sentimento quando eu fico em pé na frente dos meus pais, quando eu permaneço ereto em frente a eles.

 

Se eu me dobrar de joelhos, eu tenho um sentimento diferente.

 

E se eu deitar bruços em frente deles, em reverência, eu tenho um outro sentimento. E este é o verdadeiro sentimento, no fundo.

 

Uma vez que nós deitamos de bruços, em reverência, totalmente entregues em frente aos nossos pais, então tudo o que vem deles pode nos alcançar livremente.

 

Não há nenhuma resistência de nossa parte.

 

Não importa como nossos pais são agora ou eram quando éramos pequenos. Isso não faz nenhuma diferença. A vida e tudo o que vem com ela, veio para nós através deles.

 

Mas eles também, pertencem a uma longa linhagem. O que vem para nós a partir dos pais vem de muito longe.

 

Passa através de nós e vai para baixo. Todo o tempo, vai para baixo.

 

Se nós realmente vemos isto, se olhamos para a origem, a fonte da vida em si mesma e observamos seu fluxo através de todas essas gerações,

 

Podemos, então, estar abertos àquilo que nos é dado.

 

Então não há mais acusações, nenhuma queixa de nenhum tipo.

 

Nós apenas tomamos a vida, e então nos viramos e deixamos que o fluxo da vida passe através de nós indo para a próxima geração, para nossas crianças, ou se não temos crianças, para a comunidade, para a humanidade como um todo.

 

Então, nós estamos realmente em sintonia.

 

As constelações familiares realmente nos ajudam a encontrar essa conexão. Este é o trabalho que está em nossas mãos, este é o objetivo.

 

“Se eu alcanço isso, eu estou em contato com o alfa e também com o ômega.”

 

 

Diante do fim

 

Após trabalhar com paciente canceroso, deixando-o em face à sua doença e sua morte. Vocês podem ver a diferença entre a força dele agora, comparado a como ele se sentia antes. Nessa situação, isto é o que é necessário, ficar frente a frente com o fim.

Se somos realmente capazes de nos colocar de frente a ele, então nos sentimos melhores, estamos em contato com a fonte da vida.

 

Porque a vida e a morte pertencem, juntas, à mesma coisa.

 

 

Nós temos vida por que outros morreram antes. A morte de outros abriu o caminho para nossa vida. E se nós morremos, a vida irá para outros.

 

Nós abrimos espaços para eles. Este é o ciclo do qual fazemos parte. Nós podemos viver nossas vidas plenamente, se estamos em sintonia com o nosso fim.

 

Esta compreensão demanda do terapeuta, que ele ou ela, esteja em sintonia com a sua própria morte e não tema a sua morte pessoal nem a morte do cliente.

 

Então ele se sente muito calmo. Isto é tudo o que eu tenho a fazer. Se eu for tentar qualquer coisa mais, eu o afasto daquilo que ele tem experimentado.

 

Alma

 

Eu quero falar alguma coisa sobre “alma”. Nós, na sociedade ocidental, temos a idéia de que possuímos uma alma. Isto vem da filosofia grega, em granda parte, de Platão.

 

A idéia é que nós temos um corpo, e este corpo envolve uma alma. Assim a alma é prisioneira do corpo. Essa alma não se sente feliz no corpo. Ela tende a deixar o corpo após um tempo.

 

De modo a ajudar a alma a deixá-lo, nós primeiro, temos que salvá-la. Você já ouviu acerca disso? Salvar a alma?

 

Não é uma idéia estranha quando você pensa sobre isso, que nós temos que salvar nossas almas?

 

Quando trabalhamos com constelações familiares, nos é mostrado que estamos conectados a uma força maior.

 

Essa força maior é plena de sabedoria e está ativamente nos dirigindo para uma meta. Nós podemos vê-la em uma família.

 

Todos os membros da família agem como se guiados pela mesma força ou pela mesma consciência, como se todos tivessem uma consciência comum.

 

Isto, é porque nós estamos conectados com as pessoas do passado que tiveram um destino especial.

 

Em outras palavras, se, digamos, alguma injustiça foi feita para eles, nós podemos agora estar emaranhados com eles. Como isto é possível?

 

Como é possível que a injustiça feita para alguém no passado seja tomada por outros membros da família que nunca sequer conheceram essa pessoa?

 

Como pode essa segunda pessoa ser compelida a reparar uma injustiça feita na geração anterior? Tem de haver uma força comum que atua sobre eles.

 

Eu também tenho a idéia de que nós só podemos viver como seres humanos se estamos conectados todo o tempo com alguma coisa fora de nós.

 

Qualquer troca com o ambiente tem que ser guiada por alguma coisa que nos une, o ambiente e nós, de tal forma que podemos interagir de um modo integrado.

 

A evolução é movida por uma constante troca, e há uma força que guia, que empurra a evolução para a frente.

 

Esta força maior eu chamo de alma.

Quando eu trabalho aqui, eu tenho que estar em contato com essa alma maior. Essa alma me guia de tal forma que eu possa estar em sintonia com a outra pessoa.

 

Tão logo eu estou em sintonia, eu posso trabalhar com ele ou ela e fazer exatamente aquilo que é necessário no contexto particular dessa pessoa.

 

Deste modo, eu não estou apenas pensando naquilo que é certo, eu não estou teorizando acerca disto, eu acho os próximos passos necessários, pois estou em sintonia com a pessoa.

 

A alma tem diferentes dimensões.

Aquilo que eu vou falar agora são imagens construídas para apenas tocar uma idéia, não são a verdade em si, mas algumas observações sugerem que se pensamos nesses termos ou imagens,

 

Nós compreendemos melhor o que acontece na terapia.

 

Nosso corpo é mantido unido por uma força comum. Todo o metabolismo é dirigido por algo que sabe aquilo que é correto. Não é uma força cega que dirige o que acontece no corpo.

 

Essa força tem uma direção. Essa força é a alma. A alma mantém os órgãos juntos e os guia de um certo modo, de tal forma que a vida é preservada e continua.

 

Esta é a minha noção de alma com respeito ao corpo.

 

A família como um todo é também guiada por uma alma comum, a alma da família. Nós podemos ver o quão longe esta alma alcança, nós podemos descobrir a fronteira dessa alma.

 

E assim podemos perceber quem se encontra incluído ou excluído dentro da alma desta família. Quem pertence à alma da família? Primeiro, as crianças, todas elas.

 

Mesmo aquelas que nasceram mortas estão incluídas. Frequentemente, crianças abortadas, mesmo se foram abortos espontâneos, também são incluídas.

 

A seguir, os pais, seus irmãos e irmãs pertencem a esse grupo, assim como os avós e algumas vezes os bisavós. Esses são os parentes de sangue que são incluídos dentro da alma da família.

 

Além do mais, há outras pessoas incluídas na alma da família que não são parentes. Aqueles que abriram caminho para que alguém entrasse no sistema.

 

Por exemplo, os parceiros anteriores de um dos pais ou avós, que por sua morte ou divórcio, abriu espaço para uma outra pessoa entrar nesse sistema,

 

Nossa própria mãe ou pai talvez, ou nossa avó ou avô.

 

Aqueles que abriram espaço pertencem à família, pois contribuíram para esse sistema em particular.

 

Como os trabalhos mais recentes têm tornado claro, todas as vítimas que sofreram nas mãos de um membro da família, também pertencem a esse sistema.

 

Eu vou oferecer a vocês um exemplo: em São Paulo, Brasil, nós posicionamos a família de uma mulher, cujo irmão era psicótico e usuário de drogas.

 

Quando a família foi posicionada, tornou-se claro que ele estava conectado com alguém que não havia sido mencionado, nem lembrado.

 

Ele olhava para fora. Assim sendo, eu perguntei o que havia acontecido nas gerações anteriores. E veio que o bisavô era um latifundiário e tinha escravos.

 

O bem estar da família dependera em grande parte do trabalho e sofrimento desses escravos. Então posicionamos seis representantes para os escravos.

 

Quando eles foram colocados, o representante do jovem homem mostrou um profundo amor por eles. Ele foi até eles, abraçou-os, chorou e sentiu uma conexão muito profunda com eles.

 

Esses escravos pertencem a esse sistema familiar.

 

Nós também posicionamos o bisavô, ele não tinha nenhuma compaixão pelos escravos e a mãe, também não tinha compaixão por eles.

 

E foi esse jovem homem, usuário de drogas, que estava em conexão mais próxima com eles. Ele era movido pela alma da família.

 

Se há vitimas na família, (por exemplo, na Alemanha, as vítimas do holocausto) é claro que essas vítimas pertencem à família, mas seus assassinos também pertencem ao sistema da família.

 

Isto é mostrado quando posicionamos uma família de sobreviventes do holocausto ou seus descendentes.

 

Nessas famílias um membro freqüentemente tem de representar os agressores. Somente quando os agressores são incluídos, a família pode encontrar paz.

 

O que significa incluir os agressores? Eles precisam ser amados como seres humanos, nós não podemos excluí-los através de nossas justificativas morais.

 

Eles, também, mesmo que isso nos pareça horrível, estão seguindo suas consciências.

 

Eles estão ligados ao seu grupo e, aquilo que fizeram foi feito a serviço do seu grupo, muito frequentemente com uma boa consciência.

 

Deste modo, eles são, de certo modo, não muito diferentes de suas vítimas.

 

Nós podemos ver nas constelações familiares que as vítimas só encontram paz se os agressores são aceitos por elas como iguais.

 

E os agressores só acham a paz se eles se posicionam ao lado de suas vítimas.

 

Tivemos uma constelação em Buenos Aires – Argentina – há 06 semanas atrás. Havia um homem que disse temer ser, ele próprio, um perigo para suas crianças.

 

Quando ele estava dirigindo, subitamente percebeu que dirigia de maneira descuidada, sem levar em consideração a segurança de seus filhos.

 

Ele temia que pudesse causar sua própria morte e a das crianças num acidente de carro. Ele era um descendente de sobreviventes do holocausto.

 

Deste modo, posicionamos representantes das vítimas e representantes para os agressores.

 

Quando eles foram posicionados, o homem chorava aos gritos, totalmente preenchido de dor, e socava o chão violentamente.

 

Sua energia era a energia de um agressor, mas ele não conseguia olhar para as vítimas. Levou muito tempo para que ele, finalmente, fosse capaz de olhar pra elas.

 

Finalmente ele foi até cada um dos representantes das vítimas que estavam deitados no chão e os abraçou com profundo amor.

 

Ele então, foi até cada um dos agressores e tocou suas faces com amor. Os agressores se tornaram muito mais leves e a constelação terminou.

 

Então o homem sentou-se sozinho por um tempo, eu fui até ele e disse “agora imagine suas crianças na sua frente”. Ele as olhou e eu disse “diga a elas: — agora eu cuido de vocês”.

 

Ele foi capaz de dizer a sentença de uma maneira amável e totalmente em contato com o seu próprio coração.

 

Vêem como todos precisam ser incluídos no fim? O que isso mostra? Que todos os seres humanos são guiados por uma força que está além deles mesmos.

 

O que quer que uma pessoa faça, seja o bem ou seja o mal, tem que ser visto não apenas como sua própria responsabilidade,

 

(embora ela tenha uma certa responsabilidade), tem que ser entendido dentro de uma visão mais ampla, onde atuam forças maiores.

 

Como devemos lidar com essa força maior?

 

Nós temos que nos curvar diante dela, em profunda reverência e sermos muito humildes

 

Então, estaremos unidos naquilo que eu chamo, a grande alma. Em conexão com esta grande alma seremos capazes de fazer o trabalho aqui.

 

Sobre a espiritualidade

 

Eu quero dizer algo sobre a espiritualidade. O instituto Ômega é um lugar espiritual, como eu aprendi aqui. Há muita busca por realização espiritual.

 

Eu direi algo mais sobre esta busca a partir de minha própria perspectiva, desenhada a partir de minha própria experiência.

 

Como eu mencionei esta manhã, a busca por iluminação espiritual freqüentemente reflete o desejo de alcançar a experiência de pico. O pico é um local altamente solitário, muito solitário.

 

Poucas pessoas podem permanecer lá por um longo tempo. Mas, uma vez que elas tenham escalado o pico, ficam com medo de fazer o caminho de volta para baixo.

 

Subir ao pico custou tal quantidade de esforço, que elas se preocupam com o que farão quando voltarem ao vale.

 

Assim, elas permanecem no meio do caminho, entre o pico e o vale, sem ter nem um, nem o outro.

 

A maior realização espiritual é a mais humilde.

 

Quando eu vejo pessoas que estão fazendo meditação por muito tempo, esperando a iluminação,

 

Eu me pergunto: Em que elas estão contribuindo para a raça humana como um todo?

 

E a resposta que me retorna é: em nada.

 

Uma vez eu falei com um mestre Zen na Alemanha que muito freqüentemente ia para Kyoto, no Japão, participar de sessões Zen.

 

Eles tinham sessões por 10 dias, meditando cada dia, 10 horas ou mais, alguns chegando a 16 horas ao dia.

 

Ele me disse que eles ficavam plenos de energia após isto. Eu perguntei o que eles faziam com esta energia. Ele me respondeu: “Bem, vamos para a cidade e nos divertimos com as gueixas.”

 

Eu questiono se esta era a extensão da realização das sessões e pensei que isto era estranho, muito estranho.

 

O Zen foi, originalmente, concebido como um caminho para os guerreiros aprenderem como lutar efetivamente. Neste contexto, o Zen tem significado. Sem ele, a meditação não tem significado.

 

Quando comparado com uma mãe que cria 5 crianças, que força tem um monge que passa sua vida meditando? A tarefa da mãe é verdadeiramente espiritual, humilde e humana, bem do “vale”.

 

Além do mais, quando as pessoas falam de espiritualidade, eu vejo que aquilo que elas desejam realmente obter é – devo eu dizer isso tão abertamente? – sua mamãe.

 

A busca pela espiritualidade, por realização espiritual, muito frequentemente, é a busca pela mamãe. O que ocorreu o Buda realmente?

 

Ele perdeu a sua mãe ao nascer. Isto foi o que aconteceu.

 

Isto foi, mais tarde, nublado por todo tipo de história, incluindo aquela de quando ele viu uma pessoa morta pela primeira vez, ele mudou sua vida e deixou sua esposa e filho.

 

Mas a primeira pessoa morta que ele conheceu, na profundidade de seu coração, foi sua mãe, que morreu no parto, durante o seu nascimento.

 

Se temos isso em mente, podemos entender seus ensinamentos sobre escapar do sofrimento.

 

São os ensinamentos de uma criança que perdeu sua mamãe ao nascer.

 

Agora, eu não digo que os ensinamentos do Buda devam ser descartados. O budismo é um grande movimento e tem tido grandes efeitos na humanidade.

 

Eu não questiono isto de forma alguma. Apesar disto , se você olha deste ponto de vista, voce vê que é algo comum também.

 

É um movimento humano comum. Eu não posso ver o que ele tem a ver com as coisas além.

 

Eu também tenho observado que quando as pessoas tomam um caminho espiritual e se tornam esotéricas, elas freqüentemente se recusam a cuidar de suas crianças ou, abandonam suas esposas.

 

Elas se recusam a permanecer nas relações humanas ordinárias e assumir responsabilidades comuns que custam algo.

 

Elas se desviam daquilo que é terreno para um nível chamado espiritual.

 

Mas são totalmente auto-centradas. Elas podem dizer acerca de perder seu ego, mas sobre o que elas estão meditando?

 

Sobre o seu ego, é claro. E o que dizer acerca do seu desejo de iluminação?

 

Para que elas querem isso? Para o seu ego, é claro. Há uma grande decepção nisso tudo.

 

Agora, há um outro caminho espiritual: a noite escura da alma.

 

Na Espanha, São João da Cruz ensinou sobre a noite escura da alma. Este treinamento espiritual leva um longo tempo.

 

Você não pode exercitá-lo ou desejá-lo. Ele acontece com você.

 

A noite escura acontece com você. E uma vez que ela vem, você não sabe mais para onde ir.

 

Tudo é escuro, e você se sente desolado, sem direção. Mas você é forte o suficiente para sustentar isso.

 

E depois de um tempo, você experimenta a noite escura da alma.

 

A noite escura da alma tem três partes.

 

Primeiro, há a noite escura dos sentidos, na qual você não está mais buscando algo que agrade aos olhos, ouvidos, ou qualquer outro sentido.

 

Isto não é porque você deva desvalorizá-los de qualquer modo, pois então seria uma resposta num nível diferente.

 

Não, isto é porque você está conectado com algo mais profundo, um lugar onde é muito calmo, muito tranquilo.

 

Neste nível, você não precisa mais olhar para fora ou escutar algo. É um lugar muito grande.

 

Em outras palavras, o caminho espiritual requer, especialmente abstenção de todas as intenções de alcançar “altas realizações”.

 

Você permanece no “vale” todo o tempo.

A segunda parte desta noite é muito difícil. É a noite escura do espírito. Isto significa que você deixa ir seu desejo de saber.

 

Você não faz perguntas como: Por que? O que é? O que foi? O que acontece depois?

 

Não, você permanece separado dessa necessidade de saber.

 

Há ainda uma outra parte: a noite escura do desejo. Você não mais quer alcançar algo.

 

Se você tem um plano, por exemplo, você quer aprender a fazer constelações familiares e dar muitos cursos, isto é uma coisa boa, talvez.

 

Mas se você tem um plano de mudar o mundo através delas, você está desconectado da fonte real.

 

Se você deixar esses planos grandiosos irem embora – se você não quiser curar as outras pessoas,

 

Ou fazer do mundo um lugar melhor, se você só permanecer consigo mesmo – então um outro caminho se abre para você.

 

Pode ser que você tenha então, o impulso para dar apenas um pequeno passo, e seguindo esse impulso, você descobre mais que todos os planos do mundo poderiam ter dado a você..

 

Agora você está subitamente em conexão com algo mais, você está em sintonia com alguma coisa maior.

 

Assim, ao final desta discussão, estamos de volta àquilo que eu falei esta manhã, o alfa.

Amor

 

Outro dia eu estava pensando sobre o amor. Eu imaginei que alguém dissesse a outra pessoa “eu amo você”.

 

Um marido diz isso para sua esposa, um homem fala isso para sua mulher, “eu amo você”. Isto toca o coração de ambos. Mas isso tem força?

 

Será que o amor que é expressado neste momento, é forte o suficiente para durar uma vida, mesmo quando as dificuldades vierem?

 

Não, ele é muito fraco. Deve haver alguma coisa que precisa ser adicionada a esta sentença.”Eu amo você” precisa ser seguido de “e aquilo que me guia e guia você”.

 

”Eu amo você e aquilo que me guia e guia você”.

Se ambos os parceiros dizem isso, a afirmativa tem força. Mas o que isso significa na vida real?

 

Significa que eles podem estar juntos por um tempo, dividir um mesmo caminho por um tempo, mas então pode acontecer que eles sejam levados em direções diferentes.

 

Neste momento, quando eles se separam, em um nível, eles podem ambos dizer ”Eu amo você e aquilo que me guia e guia você”.

 

Mesmo se há uma separação ou um distanciamento ligado a isso, o amor permanece em um nível muito profundo.

 

Este tipo de amor é a base do respeito.

 

Eu respeito uma pessoa, quando eu digo à ela ”Eu amo você e aquilo que me guia e guia você. E eu amo você exatamente como você é, porque eu vejo aquilo que nos guia”.

 

E para o auto-respeito, é o mesmo. Eu olho para mim mesmo, exatamente como sou, e digo “sim, eu amo a mim mesmo e àquilo que me guia”.

 

Entre pais e filhos temos a mesma situação. Os pais olham suas crianças e dizem “eu amo vocês e àquilo que guia vocês e a mim”.

 

E as crianças olham para seus e dizem “eu amo vocês e àquilo que guia vocês e a mim”.

 

Assim, eles são todos indivíduos e ao mesmo tempo estão conectados de uma maneira muito profunda.

 

No primeiro dia deste seminário, um homem veio aqui para trabalhar e nós todos vimos sua ansiedade. A pergunta para mim foi: “o que eu devo fazer?

 

E eu disse: “eu amo você e àquilo que guia você e a mim”. E dessa forma, eu não vou além daquilo que me é permitido por aquilo que me guia internamente.

 

E eu concordo com aquilo que o está guiando, mesmo que isto o leve à morte. Com base neste profundo respeito mútuo e amor alguma coisa pode fluir entre o cliente e o terapeuta.

 

Não há diferença real entre eles. Estão todos no mesmo nível todo o tempo. E eles se curvam a algo maior.

 

 

Paz de espírito

 

Eu quero dizer algo sobre a paz. Alguma vezes falamos sobre paz de espírito. O que é paz de espírito? Se nós concordamos com tudo o que é dentro de nós, então encontramos paz de espírito.

 

Se não objetarmos a algo que está dentro de nós, então temos paz de espírito.

 

E se nós concordamos com tudo o que aconteceu em nossa família, nossos pais, nossos irmãos, nossos ancestrais, nossos destinos, então temos paz de espírito.

 

Se nada está em oposição à alguma coisa, então nós temos paz de espírito.

 

E se nós temos paz de espírito, então temos paz com a nossa família também.

 

Se você tem crianças e concorda com elas como são, exatamente como são, com seus destinos especiais, suas dificuldades, seus talentos, seu amor especial,

 

Você então está em paz com a sua família.

 

Se você concorda com o seu parceiro deste modo, como ele ou ela é, sem qualquer desejo de mudá-lo, você tem paz de espírito.

 

E se você tem de lidar com outros grupos que algumas vezes parecem ser difíceis ou estar em oposição a você, e você concorda com eles como eles são, exatamente como são,

 

Você se torna irresistível.

 

De fato, você pode estender esta atitude para diferentes raças, religiões, nações.

 

Se você concorda com eles como são, exatamente como são, não há mais nenhuma oposição.

 

Você está em paz com eles, e eles, certamente, podem ficar em paz com você.

 

Fonte: Veja mais acerca do Instituto Ômega mencionado acima, no site do Instituto Ômega pra estudos holísticos  www.eomega.org onde Bert Hellinger deu um workshop com Dietrich Klinghardt, de 04 a 08 de junho de 2001.