Constelação Familiar – Amor que adoece e amor que cura

Como nossa consciência pessoal nos liga a nossa família, ela desempenha um papel fundamental em nosso amor.

Frequentemente observamos nas crianças um amor especial, profundo e ilimitado em sua entrega e ao mesmo tempo autocentrado e cego para suas consequências.

 

Esse amor acredita no autosacrifício como modo de proteger as pessoas amadas, mesmo que isso na verdade não passe de uma ideia mágica que nada tem a ver com a realidade dos fatos observados.

 

Esse amor, Hellinger denominou de “amor cego”, e percebeu que nele reside a base de todas as tragédias – daí a alcunha “amor que adoece”.

 

Esse amor se insurge contra a ordem estabelecida e contra a realidade, tal como se apresenta, até mesmo contra a morte. Ele espera suplantar tudo com sua força. E por isso falha.

 

Em oposição a esse amor observamos um outro amor, mais amplo e abrangente em sua visão e também mais comedido e humilde em seus atos.

 

Hellinger denominou esse amor de “amor ciente” ou também “amor que vê”.

 

Esse amor flui junto com a ordem e se detém face aos fatos impossíveis de serem mudados, renunciando a agir além do que as condições permitem.

 

Esse amor também mantém em seu campo de visão o outro, o ser amado, e o amor que emana dele para nós. É humilde e comedido, respeitoso. E por isso alcança.

 

Para ilustrar tal diferença entre esses dois amores, tomemos um exemplo.

 

Imaginem uma menina de 5 anos ao lado do leito de sua mãe, a qual se encontra gravemente doente. A mãe sabe que suas chances de sobreviver são remotas e a criança por sua vez percebe isso com facilidade, como todas as crianças.

 

Agora tomemos a imagem do primeiro amor, atuando no coração dessa menina. Surge imediatamente o desejo de “salvar” a mãe.

 

Isso é natural numa menininha de 5 anos. Ela talvez diga em segredo em seu coração “Quando você for para a morte mamãe, eu a seguirei.

 

” Ou “Eu morrerei em seu lugar mamãe, e assim você pode ficar”.

 

E como se sente a consciência pessoal dessa menina? Leve! Se sente uma heroína, pois sente que dá sua vida para salvar a da mãe.

 

Porém, o efeito desse amor é desastroso.

 

A criança na verdade não pode fazer nada. Além disso, como se sente a mãe, caso pudesse ouvir o que se passa no coração da menina?

 

Muito mal, com certeza.

 

Agora imaginemos um outro modo de amar.

 

Imaginemos que a criança cresce, vive, e depois de um tempo, diz em seu coração a sua mãe:

 

“Querida mamãe! Você é e sempre vai ser a minha querida mamãe! Você me deu a vida, e eu a tomo como um presente precioso!

 

E, com essa vida, irei fazer algo de bom. Se por acaso me for dado também ter filhos, direi a eles sobre a mamãe maravilhosa que você foi para mim.

 

E, no meu tempo certo, morrerei também.”

 

Como se sente a filha agora? Como se sente a mãe? Como se sentirão os futuros netos?

 

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Fonte: http://constelacaofamiliar.net.br/amor-que-adoece-e-amor-que-cura/