Caminhos na terapia de casal

Jakob Robert Schneider(*)

 

As constelações familiares também funcionam sempre como terapia de casal.

 

Juntamente com os processos entre pais e filhos, a relação entre o homem e a mulher é o coração da Psicoterapia.

 

É bem verdade que, nos chamados “movimentos da alma”, nosso horizonte se estendeu para além da constelação familiar,

 

abrangendo nossa inserção em contextos existenciais mais amplos:

 

A relação entre vivos e mortos e entre agressores e vítimas, a guerra, conflitos de nacionalidades e religiões.

 

Não obstante, as constelações voltam sempre a afetar em seus efeitos a relação conjugal e as relações familiares.

 

O sucesso do amor entre o homem e a mulher talvez seja o nosso anseio mais profundo,

 

e o fracasso desse amor faz parte de nossos medos e sofrimentos mais profundos.

 

Surpreende-me sempre constatar que a pressão pelo sucesso das constelações nos grupos para casais é muito maior do que nos seminários para pessoas doentes, onde freqüentemente se trata de vida e de morte.

 

No aconselhamento de casais percebe-se também, de modo especial, uma alta expectativa dirigida ao terapeuta ou ao aconselhador.

 

Pois trata-se de decisões sobre o prosseguimento da vida em comum e das conseqüências que acarretam para os parceiros, os filhos e as bases materiais da vida.

 

Trata-se também das mágoas e dos medos associados ao amor, onde somos ainda mais vulneráveis do que no tocante à nossa integridade física.

 

Na seqüência, abrirei uma perspectiva de conjunto sobre os caminhos da terapia de casal, a partir da experiência com as constelações familiares e do trabalho com os fatores que as condicionam.

Pressupostos para o bom êxito de uma terapia de casal

Os casais procuram ajuda em suas necessidades, mas freqüentemente com idéias que estragarão qualquer ajuda se forem acolhidas pelo terapeuta.

 

O denominador comum dessas idéias é o abandono da responsabilidade pelo sucesso do aconselhamento.

 

Neste particular, a fantasia usual de um ou de ambos os parceiros é que algo se deteriorou em seu relacionamento e que cabe ao terapeuta,

 

como perito e especialista, repará-lo em sua “oficina”.

 

Ou então o casal procura um juiz para resolver o seu caso, alguém que ouça os argumentos das ambas as partes e dê o seu justo veredicto.

 

Alguns buscam no terapeuta, de um modo mais pessoal, uma autoridade cheia de amor que,

 

à maneira de um aliado, um pai ou uma mãe, saiba o que se deve fazer e se imponha ao outro parceiro.

 

Conflitos de casal assumem freqüentemente a forma de um desacordo em decisões relevantes,

 

onde cada um procura mudar o outro para que se ajuste a sua experiência de vida, a seus desejos e convicções.

 

Como, apesar de intensos esforços, não lhe bastou para isso a força de sua persuasão,

 

ele transmite ao terapeuta, de forma aberta ou velada, o seu real desejo:

“Convença-o você, eu não consigo”.

Mormente no atendimento individual, quando apenas um dos parceiros procura conselho, transparece este apelo:

 

“Meu parceiro não me dá o que preciso, não me dá atenção, não está disponível para mim.

 

Por favor, dê-me atenção, esteja disponível para mim, seja para mim uma pessoa familiar e confiável”.

 

Assim, o terapeuta é solicitado a preencher uma lacuna para a satisfação das necessidades infantis ou conjugais do cliente.

 

A montagem da constelação familiar, em sessão de grupo ou na consulta individual, com a preservação da atitude fenomenológica que fundamenta esse trabalho,

 

Ajuda o terapeuta a não acolher esses desejos com a intenção de ajudar o casal.

 

Em vez disso, ele deve manter a atitude imprescindível para se alcançar uma solução. Ele entra em sintonia com a alma ou com o campo de relacionamento do casal.

 

Acompanha a vibração do sistema do relacionamento, através da constelação ou de outro método que lhe permita ver e entrar em contato.

 

E faz com que se manifeste, através daquilo que se mostra, algo que seja importante para o casal e o faça avançar.

 

O terapeuta apenas transmite uma indicação ou um conselho essencial, e depois se retira.

Não acompanha o processo do casal até a solução.

No máximo, comporta-se como um navegador experimentado que, de acordo com o objetivo do casal, indica o caminho ou mesmo assume o comando em seu trecho inicial.

 

Terapeutas não são mecânicos, juizes, correligionários, pais ou familiares. Um aconselhamento de casal não tem por função modificar a personalidade dos parceiros.

 

Ele permanece sempre incompleto e visa apenas o que é exigido para o próximo passo.

 

Permanecem com o casal o objetivo e o caminho da solução, bem como a responsabilidade e a força para resolver o problema.

Assim se preserva a dignidade do casal, bem como a do terapeuta.

O que o aconselhador pode fazer de mais importante pelo casal em sua necessidade, antes mesmo de abrir-lhe uma nova perspectiva sobre sua mútua relação,

 

é interromper os padrões que impedem e destroem o relacionamento.

 

Da mesma forma como recusa acolher as idéias dos parceiros sobre a maneira de ajudá-los, ele interrompe rapidamente os padrões de pensamento e de comportamento

 

Que são parte do problema e não trouxeram ajuda até o momento.

 

As constelações familiares, seja em grupo ou em sessões individuais, são uma grande ajuda metódica, já pelo simples fato de que afastam imediatamente os parceiros de discursos estereotipados sobre o relacionamento,

 

Levando-os a um olhar conjunto sobre a constelação e, consequentemente, sobre os movimentos mais profundos que fazem progredir o seu relacionamento.

 

Soluções com vistas às ocorrências dentro do relacionamento do casal

 

A atenção do aconselhador ou do terapeuta deve se voltar inicialmente para o que ocorreu na história do casal, investigando o que aconteceu por obra do destino

 

Ou por responsabilidade pessoal de um ou de ambos os parceiros e os levou aos limites de seu relacionamento.

 

Cito aqui alguns pontos mais importantes, com breves exemplos.

 

Vínculos anteriores não honrados

 

Relacionamentos anteriores que criaram vínculo através de um profundo e marcante exercício da sexualidade e foram desfeitos com mágoas ou sentimentos de culpa,

 

Pelo menos de um dos parceiros, interferem nas relações ulteriores.

 

Quando o amor, a dor e o preço pago na ligação anterior não são honrados no novo relacionamento,

 

Isso não apenas induz filhos dos novos relacionamentos a representar ex-parceiros dos pais que não foram devidamente respeitados, como também impede,

 

Muitas vezes, os novos parceiros de assumir sua relação, pelo preço que custou aos parceiros anteriores.

 

O ciúme, por exemplo, é uma forma inconsciente de lealdade a uma ligação anterior do parceiro.

 

Quando um homem abandona sem necessidade sua mulher para viver com uma amante, o ciúme desta freqüentemente destrói a nova ligação.

 

Ela não consegue assumir a relação pelo preço que custou à parceira anterior, e torna-se igual a ela no medo de perder o homem para uma outra mulher.

As ligações anteriores são muitas vezes esquecidas, reprimidas ou não reconhecidas em seus efeitos posteriores.

 

Um homem se queixou de que, depois de dois casamentos e de um terceiro relacionamento mais longo, apaixonara-se de novo, mas a mulher não queria casar-se com ele.

 

Em sua constelação verificou-se que todas as mulheres estavam zangadas com ele, inclusive as duas filhas de seu primeiro matrimônio.

 

Só após um persistente interrogatório ele revelou, com um gesto depreciativo da mão, que aos 17 anos tivera um amor de juventude com intenso envolvimento sexual e que,

 

Pouco depois de ter-se separado dessa moça, ela foi internada numa clínica psiquiátrica.

 

Uma representante dessa mulher foi então incluída na constelação. Ela chorou amargamente e todas as outras mulheres tinham lágrimas nos olhos.

 

Somente quanto o homem a encarou como seu amor de juventude, falou-lhe como a sua primeira mulher, mostrou compaixão com seu destino e a abraçou de novo com amor é que ela ficou tranqüila e sorriu.

 

As outras mulheres também abriram sorrisos e a última delas disse:

 

“Agora já posso pensar em casar-me com ele”. E, de fato, os dois se casaram depois.

Ocorrências traumáticas no relacionamento conjugal

Entre as ocorrências que atuam como graves ofensas na relação de um casal e com freqüência acarretam a separação,

 

porque o destino não pode ser carregado em comum,

Enumeram-se:

 

-Filhos prematuramente falecidos,

 

-Abortos provocados,

 

-Abortos espontâneos em grande número

 

-Ausência de filhos,

 

-Sexualidade deficiente,

 

-Doenças graves,

 

-Acidentes,

 

-Culpa real ou imaginária em relação ao parceiro ou a outras pessoas,

 

-Ameaça às bases da existência

 

e graves ameaças à integridade do corpo ou da alma.

 

Com a ajuda de uma constelação é possível conjurar forças que possibilitem aos parceiros a superação conjunta do evento traumático,

 

Reforçando o vínculo ou então levando-os a aceitar o fato de que já não podem assumir em comum o destino ou a responsabilidade.

 

Uma mulher procurou um grupo porque buscava um caminho para dissolver o “profundo mutismo” que havia entre ela e o marido.

 

A constelação de sua família atual mostrou realmente que havia um abismo entre o casal, o que fez com que a atenção se desviasse imediatamente dos filhos para os pais.

 

Perguntada sobre que fatores de separação houvera entre ela e o marido, a mulher logo disse que tinha havido ainda uma quarta criança, bem mais nova, fruto de uma noitada, que eles decidiram abortar.

 

Foi colocado um representante para essa criança, que sentou no chão, entre os pais.

 

Os representantes dos pais olharam imediatamente para a criança, colocaram-se juntos atrás dela, puseram espontaneamente as mãos sobre sua cabeça,

 

Olhavam alternadamente para a criança e entre si e deixaram silenciosamente correr suas lágrimas.

A mulher que colocara sua família estava sentada na roda e também chorava em silêncio.

Os representantes dos filhos deram um passo para trás, afastando-se dos pais, e simplesmente ficaram olhando.

 

Terminada a constelação, a mulher agradeceu e disse que ela tinha salvado a sua vida. Admirado, o terapeuta lhe perguntou o que ela queria dizer com isso.

 

Ela respondeu: “Pouco depois do aborto apanhei um grave reumatismo e imediatamente reconheci que esta era a minha forma de expiar pelo aborto”.

 

No dia seguinte, ela contou que, na noite do próprio dia da constelação, seu marido regressou de uma longa viagem de negócios e ela lhe contou o que se passara.

 

Então ele se sentou no sofá, chorou muito e disse: “Eu sempre me senti muito culpado”.

 

E passaram toda a noite conversando.

 

Num grupo de constelação familiar, um homem manifestou, como seu problema, que sua mulher se esquivava dele e tratava sem amor a filha e um filho mongolóide, que estava internado num asilo.

Na constelação, a mulher realmente se mostrou isolada e totalmente fria.

Os três filhos – pois tinha havido um outro filho mongolóide, o mais novo, falecido aos quatro anos de idade– se distanciaram dos pais, afastando-se, e a filha se colocou entre a mãe e os irmãos, como se quisesse protegê-los.

 

O terapeuta perguntou então ao homem se tinha havido recriminações pelos filhos que nasceram mongolóides.

 

O homem engoliu em seco e disse:

 

“Sim, meus pais fizeram graves acusações à minha mulher, dizendo que ela trouxera da família uma péssima herança genética e jamais deveria ter-se casado comigo.

E eu defendi meus pais e suas acusações”.

Então o terapeuta colocou esse homem diante da representante de sua mulher e pediu aos dois que se olhassem demoradamente, realmente encarando-se. Isso entretanto era visivelmente difícil para eles.

 

Finalmente o homem conseguiu dizer à mulher: “Sinto muito. Coloquei em você todo o peso do destino de nossos filhos doentes.

 

Juntamente com meus pais, responsabilizei você e sua família e a magoei muito.

 

Se você ainda puder aceitar isto, estou disposto agora a retirar minha acusação e a carregar com responsabilidade e amor, junto com você, o destino de nossos filhos”.

 

– Então a representante de sua mulher se lançou em seus braços e chorou por longo tempo. Em seguida ela o encarou amorosamente, caminhou para os filhos e os abraçou.

 

Quando o pai se aproximou, por sua vez, e juntamente com sua mulher abraçou os filhos, eles finalmente aceitaram a proximidade da mãe.

 

Na terapia de casal e nas constelações que revelam a dinâmica dos relacionamentos verificamos portanto,

 

Quais são os eventos que atuam como fatores de separação num relacionamento e que caminho se oferece ao casal no sentido de carregar algo em comum,

 

restaurar a ligação, assumir a dor da perda e deixar que o passado seja passado.

 

E verificamos como um casal pode lidar com tais eventos.

 

Mesmo quando for inevitável a separação, os acontecimentos que separam podem, passado algum tempo, descansar em paz e a relação pode terminar com amor e dignidade.

A ordem confiável na família

 

Freqüentemente o amor entre o homem e a mulher é impedido por não serem reconhecidas as condições para o crescimento da relação.

 

Neste caso, a constelação é útil para encontrar as formas de restabelecer a ordem no sistema.

 

Por exemplo, uma das condições mais importantes para o bom êxito do amor é que, no processo de dar e tomar, se volte sempre a alcançar uma compensação positiva.

 

Quem toma, também deve dar; se ama, deveria dar um pouco mais do que recebeu. Assim, através do amor, a troca recíproca é estimulada no sentido de um alto investimento de vida.

 

A isto chamamos felicidade. Mas essa felicidade é também difícil. Ela exige muita coisa dos parceiros, que então dificilmente podem separar-se.

 

Às vezes, alguém já não consegue sustentar a troca crescente do dar e tomar, e talvez se sinta atraído por um outro parceiro, com quem possa trocar menos.

 

Ou então minimiza com críticas o que recebe, para sentir-se menos obrigado.

 

A compensação entre o dar e o tomar funciona nos relacionamentos como uma lei natural. Se o desequilíbrio cresce demais, a relação não consegue suportá-lo.

 

Se, por exemplo, a mulher custeou para o marido uma formação superior, sustentando-o, é freqüente que ele a deixe depois, porque a compensação se torna muito grande e difícil para ele.

 

Quando um dos parceiros traz um grande peso em bens, relacionamentos anteriores, filhos, destino, caminho de vida, e o outro não pode contrapor-lhe nada de equivalente,

Isso pode destruir o relacionamento depois de algum tempo.

 

A gratidão e o amor podem aliviar parte do desequilíbrio, mas muitas vezes é difícil.

 

Também as ofensas exigem compensação. Enquanto o parceiro ofendido quiser permanecer inocente não haverá possibilidade de compensação.

 

Se, inversamente, o revide for tão grande que cause ao outro um sofrimento ainda maior,

 

a relação entrará num círculo vicioso de brigas e ofensas recíprocas, que só conhecerá pausas pelo esgotamento e geralmente sobreviverá a uma separação.

 

A solução, neste caso, é buscar a compensação através de uma zanga ou de uma exigência menos ofensiva,

 

Que respeite o parceiro e o convide a retomar o amor, dando-lhe a oportunidade de reparar algo amorosamente e de dar algo bom de um modo diferente.

 

Citarei aqui, de modo sucinto, outras formas das ordens do amor.

 

A primeira é a primazia da relação do casal sobre o cuidado dos filhos – pois o cuidado dos pais pelos filhos aumenta com o amor recíproco entre os pais.

 

Se este é sacrificado em benefício do cuidado com os filhos, isto separa os pais e os filhos não o aceitam, porque os pais pagam o preço em sua relação.

 

Já nos sistemas familiares complexos, onde existem filhos de relações anteriores, a ordem correta confere primazia ao cuidado pelos filhos dessas relações.

 

Contudo, no que toca à relação entre o homem e a mulher, prevalece o novo sistema.

 

Naturalmente resultam conseqüências de peso para uma relação e para os filhos quando um parceiro que tem um filho de uma relação anterior silencia este fato e não provê a criança.

 

Para além da ignorância do fato, isso pesa também sobre o relacionamento seguinte e os filhos subsequentes.

 

Obviamente, é muito importante que a relação do casal seja confiável como relação entre um homem e uma mulher.

 

Por outras palavras, o homem deve ser e permanecer homem e a mulher deve ser e permanecer mulher.

 

Os parceiros devem sentir necessidade e confiança mútua,

 

sobretudo no que se refere à sexualidade e ao provimento das condições de vida.

 

Devemos considerar também outra ordem do relacionamento, fruto da percepção que Bert Hellinger exprime com esta frase: “

A mulher deve seguir o homem (em sua família, em seu país, em sua cultura) e o homem deve servir ao feminino”.

Na terapia de casal devemos, portanto, ter em vista o que está em desequilíbrio na relação e como é possível restaurar uma troca positiva e aberta para o futuro,

 

Ou então conseguir uma compensação que possibilite uma boa separação.

 

Verificamos, ainda, o que precisa ficar em ordem na relação, de modo que ela volte a ser vivida de uma forma confiável.

 

Soluções com vistas a acontecimentos e destinos nas famílias de origem

 

Talvez o aspecto mais importante na terapia conjugal seja a percepção dos envolvimentos dos parceiros nas respectivas famílias de origem.

 

Esta é freqüentemente a zona menos perceptível para os parceiros e é aí que as constelações lhes fornecem o maior esclarecimento.

 

De fato, a terapia de casal sempre levou em conta a interferência de necessidades infantis insatisfeitas e de traumas de infância.

 

Entretanto, foi somente através das constelações familiares que foram percebidos, em toda a sua amplitude e em seus efeitos trágicos,

 

Os envolvimentos profundos dos parceiros em destinos que abrangem várias gerações e em temas familiares não resolvidos.

 

A maioria dos problemas sérios de relacionamento nada tem a ver com o próprio casal e com seu amor recíproco.

 

Cegamente absorvidos em conflitos não resolvidos, e muitas vezes inconscientes, de antepassados das famílias de origem,

 

Os parceiros carecem de compreensão e sensibilidade em seu relacionamento e projetam ou procuram resolver um no outro o que malogrou em seus antepassados por força do destino ou por responsabilidade pessoal.

 

Comportamento cego de ambos os parceiros com respeito a destinos e eventos anteriores

 

Num grupo para casais, um deles constelou o seu sistema atual. A mulher trouxera para o novo casamento um filho de um matrimônio anterior.

Na nova relação, embora recente, já havia muita briga.

Na constelação evidenciou-se que a mulher tinha muito pouca consideração pelo ex-marido e uma grande esperança de que o novo marido viesse a ser um pai melhor para a filha dela.

 

A relação entre a mãe e a filha era muito estreita, e o marido atual se sentia estranho e olhava para fora. Nessa constelação, a filha assumiu e honrou seu pai.

 

O marido atual ficou aliviado e encontrou um lugar ao lado de sua esposa. Parecia que a constelação tinha funcionado e trazido solução.

 

Entretanto, à noite o marido procurou o terapeuta.

 

Disse que se sentia muito mal e que também não revelara o mais importante: que tinham sérios problemas no relacionamento sexual, onde ela fazia muitas exigências que ele não podia satisfazer.

 

No dia seguinte, o terapeuta fez com que o marido montasse a constelação de seu sistema de origem.

 

Ela evidenciou que o homem tinha uma estreita ligação com sua mãe e assumia junto dela o lugar do pai.

 

O representante do pai olhava para fora do sistema, totalmente fascinado por algo terrível.

 

Averiguou-se que, no decurso de uma longa fuga da prisão, que durou três anos, ele fuzilou um homem que lhe barrara o caminho.

 

Na compreensão desse evento, que foi muito comovente para o casal, evidenciou-se que o marido não ousava aceitar o amor de uma mulher nem gerar um filho,

 

Porque o regresso do pai ao lar e seu conseqüente casamento com sua mãe só foram possíveis através do assassinato de uma pessoa.

 

Este era um importante quadro de fundo para os problemas sexuais por parte do marido.

 

Um cartão postal enviado pelo casal, nas férias que se seguiram, dava a entender que algo se resolvera em sua relação.

 

Mas esta história ainda teve prosseguimento. Algum tempo depois, a mulher ligou para o terapeuta.

 

Disse que houvera muitas melhoras no casamento e que o marido mudara muito e estava muito afeiçoado a ela. Mas ela se sentia de novo intranqüila e insatisfeita quanto à relação sexual.

 

Então, através de duas breves ligações telefônicas, entrou em contato com uma avó que, depois da morte de seu primeiro marido,

 

Por quem tinha muito amor, tivera uma vida muito infeliz e uma relação muito insatisfatória com os homens que se seguiram.

 

Percebendo sua estreita ligação com essa avó, a mulher conseguiu acolhê-la amorosamente em seu destino e desidentificar-se dela.

 

Num outro cartão de férias comunicou que agora estava muito satisfeita e que estava bem com o marido.

A dupla transferência

 

Um fenômeno freqüente em conflitos sérios entre parceiros aparece no que Bert Hellinger chamou de “dupla transferência”.

 

Se uma injustiça cometida entre um homem e uma mulher, numa geração anterior, não teve a devida compensação, esta é transferida para seus descendentes.

 

Ela atinge então pessoas totalmente inocentes, acrescentando uma nova injustiça à primeira.

 

Assim, por exemplo, uma mulher “bondosa” e compassiva tolera, por anos a fio, os casos públicos de seu marido que muito a magoam,

 

mas sua filha assume a vingança em nome da mãe.

 

Entretanto, como também ama e protege o pai, vinga-se em seu marido, molestando-o abertamente com um namoro.

 

A transferência no sujeito significa aqui que ela age em lugar de sua mãe.

 

E a transferência no objeto significa que a compensação não se dirige à pessoa do pai, mas ao marido.

 

Embora inocente, este é chamado a pagar por uma injustiça na família de sua mulher.

 

Ao mesmo tempo a filha torna-se semelhante ao pai em seu comportamento, não agindo melhor do que ele.

 

Certa mulher estava sempre muito irritada com seu marido e, como ela própria notou, sem razão.

 

Na constelação, ficou claro que ela representava uma tia que, como primeira filha de mãe solteira, fora totalmente excluída da família por seu avô.

 

Em substituição a essa tia, a mulher assumiu a raiva pela injustiça mas, poupando o avô, dirigiu-a contra o próprio marido.

 

Ao mesmo tempo, e sem consciência do fato, deu à sua filha mais velha o mesmo nome da tia.
A história somente lhe foi revelada por uma conversa telefônica posterior com o próprio pai.

 

Uma outra mulher, que era bonita mas tinha uma fisionomia muito carregada, era seguidamente abandonada pelos homens.

 

Não dava a impressão de ser agressiva, mas comportava-se como uma vingadora cautelosa, aguardando o momento certo para o golpe.

 

As informações sobre sua família revelaram que sua mãe, aos doze anos de idade, fora estuprada e quase morta.

 

Na constelação a mulher experimentou o medo pânico de sua mãe e, assumindo o papel de sua representante diante do agressor, bradou-lhe no rosto: “Eu mato você!”

 

Foi somente o reconhecimento desse agressor como primeiro homem da mãe,

 

E uma profunda reverência da mãe e da filha diante do destino que uniu a mãe e seu agressor como homem e mulher num evento terrível e sem saída, que trouxe alívio e luz ao semblante da jovem mulher.

 

Então ela pôde entender seus impulsos de vingança diante dos homens, e em que medida nisso ela se ligava à mãe e ao mesmo tempo se tornava semelhante ao agressor.

A fascinação de um parceiro pela morte

 

Uma dinâmica usual que separa os parceiros resulta do fato de que um deles, de algum modo, está mais perto da morte do que da vida.

 

Essa pessoa não está realmente presente, e toda a luta do outro para retê-lo apenas agrava o conflito.

 

Assim, certa mulher ficou muito tocada quando, numa constelação,

 

pôde ver em que direção olhava o ex-marido do qual acabara de separar-se como sua quinta mulher (ele vivia trocando de mulheres).

 

Na constelação, seu representante não olhava para nenhuma de suas mulheres e namoradas, cujas representantes tinham sido colocadas ali,

 

Mas apenas para uma antiga noiva que, pouco antes do casamento, morreu num acidente.

 

Ele queria seguir essa mulher na morte, como se só assim pudesse consumar-se esse grande amor.

 

Um homem muito bem sucedido e, não obstante, solitário, ficou muito assustado quando se revelou em sua constelação que ele, no meio de todos seus casos,

 

Levava consigo esta frase: “Antes te amar do que morrer”.

 

Sentia-se atraído por sua mãe, que morrera muito cedo, e na constelação só encontrou paz junto dela.

 

É como se tivesse sentido toda a sua vida através dessa atração por sua mãe, e tivesse se defendido dela através desses amores.

 

E talvez também tivesse procurado encontrar neles sua mãe viva, naturalmente não a encontrando.

 

Nas camadas profundas da alma de homens violentos e mulheres agressivas manifesta-se, às vezes, um grande desespero,

 

o medo de perder o parceiro pela morte e uma luta impotente contra isso.

 

Muitos casamentos fracassaram no pós-guerra porque o homem não conseguia aceitar o fato de ter sobrevivido,

 

Em face dos numerosos companheiros mortos com quem diariamente lutara pela sobrevivência.

 

Mesmo voltando para casa, ele desejava, no íntimo, juntar-se aos companheiros mortos.

 

Abala-nos sempre perceber, no decurso de constelações, em quantos conflitos de casal existe,

 

bem no fundo, uma questão de vida e de morte,

 

E quanto de emoção e de entendimento mútuo se libera quando isso vem à luz e, na medida do possível, pode ser resolvido.

 

Gostaria de mencionar aqui, muito rapidamente, uma dinâmica que se revela cada vez mais, logo que ficamos atentos a ela.

 

Dois parceiros se encontram, em muitos casos, devido à existência de destinos semelhantes em suas famílias de origem.

 

Quando, por exemplo, há um filho presumido na família de um dos parceiros, o mesmo ocorre, com freqüência, na família do outro, muitas vezes com diferença de uma geração.

 

Se numa das famílias os homens têm uma posição desfavorável, isso também acontece freqüentemente na outra família.

 

Se uma das famílias sofre os efeitos de destinos envolvendo criminosos e vítimas, o mesmo ocorre geralmente na outra família.

 

Parece que instintivamente percebemos no parceiro os destinos de sua família, no que têm em comum com os destinos da nossa.

São bem diferentes, entretanto, os padrões de lidar com tais destinos.

 

Assim, com freqüência as pessoas se completam pelo lado funesto: por exemplo, um dos parceiros se identifica com as vítimas de um avô no regime nazista,

 

Enquanto o outro se envolve com um avô que pertenceu às forças de choque do regime.

 

Quando ambos os parceiros comparecem a um trabalho para casais, em grupo ou num aconselhamento privado,

 

As conexões que vêm à luz proporcionam muita compreensão recíproca e uma visão do quadro de fundo das dificuldades de relacionamento.

 

Também para o terapeuta é emocionante presenciar quando o auto reconhecimento de um casal envolvido nos destinos familiares se manifesta de uma forma que reforça seu vínculo no amor.

 

O movimento amoroso interrompido

 

Uma dinâmica importante nos conflitos de casal se mostra quando há um movimento precocemente interrompido no amor dirigido à mãe.

 

Isto não constitui, em sua origem, um conflito sistêmico, e só se torna tal quando é transferido para a relação conjugal.

 

Uma interrupção no movimento amoroso origina-se na criança pequena quando ela é separada da mãe nos primeiros anos de vida, geralmente por força do destino,

 

por exemplo, porque a mãe teve de ficar hospitalizada por várias semanas depois do nascimento, ou porque a criança de um ano precisou ser internada para uma operação,

 

Ou porque a mãe morreu quando a criança tinha três anos.

 

Trata-se portanto de uma separação prematura que sofre a criança, principalmente em relação à sua mãe, às vezes também ao seu pai.

 

O efeito que isso terá sobre a vida posterior da criança, e principalmente sobre os seus relacionamentos,

 

Será tanto maior quanto mais existencialmente ameaçada esteve a criança e quanto mais ela teve de abandonar a esperança de recuperar a proximidade da mãe.

 

Quando um homem ou uma mulher olha para o seu parceiro, sente o desejo de amá-lo e de ser amado por ele.

 

Entretanto, ao se aproximar do parceiro, surge na pessoa, como num reflexo, o antigo medo da criança,

 

de perder sua mãe e de não poder mais confiar nela, junto com uma grande dor e uma profunda resignação.

 

Esse padrão é transferido inconscientemente ao parceiro e uma luz vermelha se acende: “Não quero sofrer isso de novo.

 

Prefiro me retirar logo disso”. Entretanto, como todo mundo gosta de amar e de ser amado, a pessoa volta a tomar um impulso e a procurar o parceiro.

 

Mas, logo que se chega ao amor, emerge novamente o medo da criança pequena e a pessoa torna a recuar. Isto foi descrito por Bert Hellinger como o círculo vicioso da neurose.

 

A maior parte dos chamados conflitos de proximidade e distância têm assim sua origem num movimento precocemente interrompido em direção à mãe.

 

Esses conflitos não podem ser resolvidos na própria relação conjugal,

 

Mas exigem que a criança presente no adulto, numa experiência retroativa, seja acolhida com força e amor por sua mãe ou por um terapeuta que a substitua.

 

Isso exige uma experiência de transe ou uma vivência corporal em que o adulto se sinta de novo como uma criança pequena e que, como uma criança pequena,

 

Experimente um abraço que lhe permita atravessar a dor e recuperar a confiança em sua mãe.

 

Quando, na terapia de casal, trazemos assim à luz, de uma forma liberadora, fatos passados, isso ajuda o “amor à segunda vista” (Bert Hellinger),

 

A saber, as dimensões mais profundas de um amor dotado de visão.

 

Representa uma ajuda para o futuro e para um amor bem sucedido do casal (mesmo que, no caso de uma separação, apenas para o tempo em que ainda havia amor).

 

Uma compreensão retroativa só tem sentido na medida em que abre para o casal novos passos para o futuro, no sentido do título de um dos livros de Bert Hellinger: “Vamos em frente”.

A dimensão espiritual da terapia de casal

 

Quando as constelações na terapia de casal são bem sucedidas, elas abrem para os parceiros um caminho espiritual para o bom êxito de seu relacionamento.

 

O “espiritual” é entendido aqui num sentido mais amplo, como uma espécie de purificação do relacionamento,

 

E como uma forma de inserir-se no espaço maior da alma, que transcende o próprio relacionamento.

 

Também neste particular apontarei brevemente os pontos essenciais.

A fila dos antepassados

 

A vida nos vem através de nossos pais, mas não se origina neles. Ela vem de longe.

 

Às vezes, podemos colocar os parceiros de frente um para o outro (e isso costuma ser muito útil quando há problemas sexuais) e, atrás de cada um deles, uma fila de antepassados.

 

Isso permite perceber a força da vida que vem de longe e é transmitida através dos antepassados, e também a alegria de viver.

 

Esta conexão, através dos antepassados, com a ampla totalidade da vida é um ato religioso fundamental.

 

Ao realizá-lo nesse espírito, cada um pode sentir, em si mesmo e no parceiro,

 

o que isso proporciona em termos de afluxo de força, de movimento amoroso para o parceiro

 

E de uma união aberta, no sentido de uma vida mais ampla.

 

O ato de encarar-se

 

Só conseguimos manter muitos conflitos de relacionamento porque realmente não nos encaramos.

 

Os sentimentos que não podemos manter quando nos olhamos nos olhos não contribuem para o bom êxito do relacionamento.

 

Eles nos mantêm presos a todo tipo de fantasias e de padrões antigos, que nada têm a ver com a relação conjugal.

 

É realmente um exercício espiritual diário desprender-se continuamente desses sentimentos e pensamentos que não conseguimos manter de olhos abertos.

O respeito pelos mais antigos e a primazia do novo

Para o êxito do amor existe um processo indispensável, que tem a ver com o respeito pelos mais antigos e com o progresso.

 

O primeiro passo é este: “Respeito os meus pais e a minha família, e tudo o que vale nessa família”.

 

O segundo passo diz: “Respeito os teus pais e a tua família, e tudo o que vale em tua família”. O terceiro passo costuma ser doloroso.

 

Ambos os parceiros olham para seus pais e lhes dizem interiormente:

 

“Preciso deixar vocês e me desprender também de muita coisa que era importante para vocês.

 

Preciso deixar o que está em oposição ao que traz o meu parceiro em termos de hábitos, normas, valores, fé ou cultura,

 

e o que me impede de dar prioridade à minha união atual e à minha família atual”.

 

E, num quarto passo, os parceiros se encaram e dizem um ao outro:

 

“Vamos fazer algo de novo a partir do antigo que trouxemos,

 

algo que acolha e transcenda o que ambos trouxemos, algo de novo que una e que leve ao futuro,

 

E no qual possamos crescer juntos como pessoas autônomas.”

 

Da necessidade de partilhar

 

Muitos conflitos de casal resultam do desejo de que o parceiro satisfaça as nossas necessidades infantis,

 

Como se ele tivesse de dar-nos o que deixamos de receber de nossos pais. Isto, porém, sobrecarrega o parceiro,

 

Principalmente quando veicula esta mensagem:

“Sem você não posso viver!”

A solução espiritual reside em ficar em paz com os próprios pais e em dizer ao parceiro:

 

“O que recebi de meus pais basta, e isso eu partilho de boa vontade com você.

 

E o que você traz dos seus pais basta, e eu me alegro se você o repartir comigo.

 

E o que ainda nos falta nós conseguiremos por nossas próprias forças”.

 

Quando este nível adulto de partilhar e de comunicar-se tem força, podemos nos permitir, às vezes,

 

acessos de necessidades infantis, como em situações de estresse e doença.

 

O parceiro estará presente por algum tempo, suportando e dando, até que melhoremos.

 

Liberdade através do relacionamento

 

Aqui direi algo de ousado.

 

Às vezes pensamos que, se estivéssemos sós, seríamos mais livres em nosso desenvolvimento e em nossas possibilidades. A realidade é o inverso.

 

A evolução nos ensina que a associação dos parceiros

 

(não a uniformização associada a uma compulsão totalitária) diferencia cada indivíduo,

 

torna-o mais variável em seu pensar e agir do que quando fica confinado à própria individualidade.

 

Quando, com vistas ao parceiro, temos de nos defrontar com coisas novas e procurar novas formas de equilíbrio interno e externo,

 

Isto nos libera um pouco dos próprios esforços, que são freqüentemente cegos, em nosso interior.

 

Ganhamos em variedade e equilíbrio, que são pressupostos imprescindíveis para um certo grau de liberdade.

 

Talvez a melhor maneira de descrever a realização espiritual e simultaneamente a realização sistêmica básica na relação do casal seja utilizar,

 

Num sentido um pouco mais amplo, as palavras de Bert Hellinger:

 

“Eu amo você e amo aquilo que suporta, dirige e desenvolve a você e a mim”.,(*) Original: “Wege in der Paartherapie”, em: Praxis der Systemaufstellung, 1/2002.

 

Versão elaborada de uma conferência proferida no 3º Congresso Internacional de Constelações Sistêmicas (Würzburg, Alemanha, 2001). T

raduzido por Newton Queiroz, Rio de Janeiro, jan. 2003.

 

Caso esse texto lhe seja útil de alguma forma e você queira utilizá-lo, para nós é uma honra servi-lo. Só lhe pedimos, por gentileza, que cite a fonte.

Fonte:  http://constelacaofamiliar.net.br/caminhos-para-os-casais/

A paz começa na alma: Conflitos étnicos e reconciliação

Bert Hellinger na Forham University, 4 de Outubro de 2004

 

Texto traduzido por Décio Fábio de Oliveira Júnior com a permissão expressa do Sr. Dan Booth Cohen, conforme o original em inglês no site http://www.hiddensolution.com/whatsnew.htm

 

* A raiz do conflito étnico é uma “Boa consciência”
* Primeira Demonstração
* Observações sobre a primeira demonstração
* Perguntas
* Segunda Demonstração
* Observações sobre a Segunda Demonstração

A raiz do conflito étnico é uma “Boa Consciência”

 

Qual é a origem dos conflitos étnicos ? Se você olhar para isto bem de perto, você ficará surpreso ao perceber que na raiz de todos estes grandes conflitos está uma “boa consciência”.

 

Todos estes conflitos obtêm sua energia de uma boa consciência.

 

Nós somos ensinados desde a mais tenra infância, que nós temos que seguir nossa consciência. Algumas pessoas chegam a dizer que a consciência é a voz de Deus em nossa alma.

 

Mas uma olhada bem superficial na consciência no mostra que pessoas de diferentes famílias e diferentes culturas têm diferentes consciências em relação a nós.

 

Muito frequentemente, seguindo sua própria boa consciência elas expressarão diferentes valores, apresentarão diferentes comportamentos e manterão diferentes atitudes do que nós teríamos dentro de nossa própria família e nossa própria cultura.

 

Um teste bem fácil para verificar isto: quando você vai até seu pai, você tem uma consciência diferente do que quando você vai até a sua mãe.

 

Se você fica perto da mãe você se sente de má consciência em relação a seu pai. Se você fica perto do pai você se sente de má consciência em relação a sua mãe.

 

Assim, a consciência, na verdade, não nos diz o que é bom ou mau. Ela nos diz o que nós temos de fazer de modo a pertencer a um grupo particular ou a uma pessoa particular.

 

A consciência tem uma função básica: ela nos liga nossa família de origem, especialmente a este grupo que é essencial para a nossa sobrevivência.

 

Deste modo, quando nós seguimos nossa consciência, não é uma consciência pessoal, é a consciência de nosso grupo. Se nós seguimos tal consciência, nós nos sentimos seguros dentro de nosso próprio grupo.

 

Mas ao mesmo tempo que a consciência nos liga a nosso grupo, ela nos separa de outro grupo. Assim, divisões, entre pessoas e famílias e grupos maiores, vêm da boa consciência.

 

Esta consciência é um pré-requisito para a sobrevivência. Para nossa sobrevivência e para a sobrevivência de nosso grupo.

 

Se há um inimigo de fora, ameaçando nosso grupo, a consciência se torna muito ativa e nos liga bem próximos a nosso grupo e mobiliza a energia para lutar com os outros pelo bem da sobrevivência de nosso próprio grupo.

 

Se você olha para estes conflitos, você vê que ambos os lados têm uma boa consciência. Ambos os lados sentem que sua consciência é a voz de Deus.

 

Sua causa é algo sagrado. Isto é o motivo pelo qual os conflitos entre grupos são defendidos como uma guerra santa. Sempre, uma guerra santa. Muito estranho, hum?

 

A pergunta agora é: Nós podemos achar caminhos que podem superar os limites de nossa própria boa consciência e incluir dentro de nossas almas e nossos corações os valores de outras pessoas?

 

Então nós teremos de ter uma má consciência. Através de ter uma má consciência nós podemos amar mais do que antes. Por causa deste tipo de amor, que vem da boa consciência, diz ao mesmo tempo, “Sim e não”.

 

O amor que leva à reconciliação seria o amor que pode dizer “Sim” para todo mundo e para tudo.

 

Isto não é politicamente factível. Os líderes políticos tem de seguir a consciência de seus grupos. Nós não podemos esperar deles que cruzem as fronteiras de sua boa consciência.

 

Nos tempos recentes, há dois líderes políticos que fizeram isto, o presidente Sadat do Egito e o primeiro ministro Rabin de Israel. Ambos foram mortos por seu próprio povo que agiu de boa consciência, é claro.

 

Superar as fronteiras de nosso próprio grupo é perigoso. Nós temos que saber disto.

 

Uma vez que você seguiu sua consciência, você não mais pode ver as outras pessoas. Voe nunca as vê.

 

Elas são apenas “Os inimigos, os outros, o outro grupo”. Deste modo a paz começa quando nós vemos as outras pessoas, nossos inimigos, como seres humanos exatamente como nós somos.

 

Todos os esforços para servir à paz têm de ser feitos bem devagar. Tem de começar na alma. Primeiro de tudo em nossa própria alma e então nós podemos encontrar outros que se unem em um certo movimento de paz.

 

Isto pode alcançar momentum e ao longo do tempo alcançar alguma coisa boa a serviço da paz.

Primeira Demonstração

Aqui, eu gostaria de demonstrar o que acontece se nós seguimos nossa boa consciência e se nós vamos além do limite de nossa consciência. Eu farei algo que pode ser muito radical.

 

Eu tomarei algumas pessoas para representar vítimas do Holocausto e algumas pessoas para representar os assassinos do Holocausto. Deixaremos que elas fiquem face-a-face.

 

Nós olharemos o que acontece se nós permitimos a elas olharem-se mutuamente.

 

Eu preciso de cinco representantes para as vítimas do Holocausto. Alguém se dispõe? [Seleciona então os representantes] Você fica aqui. Só fiquem de pé, lado a lado.

 

Então eu tomarei cinco representantes para os assassinos. [Seleciona os representantes].

 

[Hellinger coloca a linha de vítimas de frente para uma linha de agressores. Ele não dá nenhuma explicação adicional ou instruções. Isto não é um psicodrama ou uma encenação. Os representantes não falam nada.

 

Após algum tempo, eles começam a exibir reações. Alguns começam a chorar, alguns se tornam fracos e caem, alguns se viram, alguns se movem para perto dos outros e alguns apenas ficam de pé, no lugar.

 

Hellinger permite o processo se desenvolver por cerca de 10 minutos. Então ele traz alguns representantes para cada lado, que ficam atrás dos outros.

 

Ele não diz a eles nada, mas à medida que o processo se desenvolve eles podem ver os representantes dos descendentes das vítimas e dos agressores. Após algum tempo, eles também começam a reagir de vários modos.

 

O processo inteiro dura mais de 20 minutos sem nenhuma fala. Lágrimas fluem livremente, dos representantes das vítimas , dos agressores, dos descentes de dos observadores da audiência.

 

Nós vemos que muito lentamente, os membros das duas linhas originais se misturaram uma com a outra. Muitos, mas não todos, se abraçaram em pequenos grupos. Alguns deitaram no chão sozinhos. Ninguém ficou imóvel.]

 

Eu acho que aqui eu posso interromper isto.

Observações sobre a primeira demonstração

 

Eu direi algo sobre o procedimento. Se nós não interferirmos com qualquer julgamento ou intenções, então em uma constelação como esta, os representantes são movidos por uma força mais profunda.

 

Isto é “a alma” em um sentido muito mais amplo do que nós usualmente falamos sobre ela. Os movimentos básicos da alma são sempre os mesmos. Eles unem o que foi antes separado. Você pode ver isto muito lindamente.

 

Aqui alguma coisa muito importante aconteceu. Um dos agressores não pode ir. Nós o vimos ficar de pé dom seus pulsos cerrados. O jovem homem lá , obviamente, era um descendente de um agressor.

 

Nós pudemos ver isto. Quando o agressor virou-se para seu descendente, o jovem homem veio e colocou sua mão no ombro do velho homem. Isto foi o começo de um movimento onde ele poderia se abrandar.

 

O agressor não pode ficar brando a menos que ele seja amado. Isto foi mostrado. Não há mudança a menos que os agressores também sejam olhados como seres humanos que seguem sua consciência assim como os outros o fazem.

 

Isto precisa ser reconhecido, que eles são chamados por um destino especial, como outros também.

 

No final, nenhum grupo mais, apenas pessoas. Apenas pessoas conectadas pelo amor e pelo profundo pesar que vocês puderam ver aqui, pelo que aconteceu.

 

A principal força que traz paz entre pessoas e nações querelantes é um pesar compartilhado por aquilo que aconteceu .

 

Eu quero apontar algo muito importante. Alguma coisa que está no caminho da paz. Muitos daqueles que sofreram, ou que pertencem ao grupo que sofreu muito, estão com raiva dos agressores.

 

Eles reprovam-nos. Eles não querem esquecer de nenhuma forma. O que acontece ? Aqueles que rejeitam os agressores em sua alma se tornam como eles.

 

Subitamente, eles têm a energia dos agressores e continuam o conflito de alguma forma a sua volta. Como a roda que gira, mas é sempre a mesma, sem nenhuma solução.

 

Além do mais, aqueles que são reprovados são reforçados em sua agressão. Assim, todas as acusações e todas as reclamações pelos sobreviventes dos conflitos étnicos contra os agressores apenas alcançam o propósito oposto ao qual almejam.

 

Eles permanecem no caminho da reconciliação.

 

Uma vez que nós compreendemos isto e permitimo-nos em nossas almas desejar o bem a cada pessoa, mesmo aos agressores, mesmo àqueles que cometeram injustiças contra nós, mesmo na vida cotidiana, se nós aprendemos isto, nós crescemos.

 

Se nós adotamos esta atitude nossa simples presença em uma dada situação promoverá a reconciliação e a paz. Há duas sentenças ditas por Jesus que explicam o que isto significa no final.

 

Ele disse, ” Tenha clemência, como meu pai no Céu; ele faz o sol nascer sobre os bons e os maus , igualmente. E Ele deixa a chuva cair sobre os justos e injustos, igualmente.” Esta é a paz de Deus, realmente.

Perguntas

P: Houve um representante das vítimas que se moveu para longe dos outros. Quanto mais longe ele caminhou para longe, mais ele parecia colapsar.
Enquanto isto, os representantes que se aproximaram dos agressores permaneceram de pé e eventualmente se moveram em harmonia com os outros.
Eu me preocupo com o que aconteceu com o representante da vítima que se afastou.

 

Hellinger: Eu primeiro direi algo sobre todo o processo. Cada representante é um indivíduo que está sintonizado como alguma coisa por si mesmo. Nós não podemos explicar seus movimentos.

 

Foi assim como foi, isto é tudo. E ainda, nós pudemos ver estes movimentos revelar algo sobre as forças internas que influenciam aqueles que tem experimentado contato com o Holocausto.

 

Neste exemplo, nós podemos ver que muito frequentemente os descendentes das vítimas do Holocausto querem morrer. Muitos deles são atraídos para a morte.

 

Aqui voê pôde ver um exemplo. Aqueles que são ousados o suficiente para encontrar os agressores, estes tem força. Você pôde ver isto também.

 

Muito estranho, de fato. Isto é como é. Isto não foi planejado ou imaginado de forma alguma. Isto não pode ser imaginado. Algo da profundidade simplesmente surge, e vem à luz e nos é mostrado. Nós só assistimos.

 

P: Os representantes não usam quaisquer palavras. O que , em termos do procedimento, significa esta falta de diálogos ?

 

Hellinger: Estes movimentos só podem ser revelados sem o uso de palavras. Só então as profundezas da alma se movem.

 

Muito frequentemente nós queremos desafiar ou questionar aquilo que vemos porque nós temos em mente a idéia que isto deveria ser de uma certa forma.

 

Se nós ouvimos estas idéias, somos cortados da conexão com estes movimentos profundos, imediatamente. Isto só pode ser feito sem palavras.

 

E isto mostra que não há interferências de fora. Assim que usamos palavras, vocês são desconectados dos movimentos.

 

P: Você instrui os representantes para não falar?

Hellinger: Você viu, desde que eu não disse nada, eles não disseram nada também.

 

P: Você usou a palavra “consciência” para descrever a consciência baseada no pertencimento a um grupo particular que frequentemente se vira , então, contra um outro grupo.
Me parece que há também uma consciência baseada na identificação com toda a raça humana. Estas pessoas trabalham para a paz mundial. Pode não existir uma consciência como esta?
Um grupo comprometido ce pessoas que são amantes da paz e não se identificam com um grupo religioso, nacional ou étnico particular, mas com a humanidade como um todo?

 

Hellinger: A consciência tem a ver com pertencimento. Pertencimento a um pequeno grupo ou à humanidade como um todo, sintonizar-se com o mundo como um todo.

 

A consciência pessoal é sentida como culpada ou inocente; é como ela se mostra. Ela dirige nossas ações e comportamentos por meio destes sentimentos.

 

Podemos também sentir o que é ficar em sintonia com todas as pessoas. Estar em sintonia é percebido como um sentimento de calma e centramento.

 

Não estar em sintonia é sentido como intranqüilidade. Se nós trabalhamos para a paz, e nós somos muito calmos, confiamos no movimento maior do qual nós somos uma parte, então nós nos sentimos muito calmos e centrados.

 

Então nós não temos nenhuma ansiedade.

 

Tão logo as pessoas se tornam ansiosas e desejosas de alcançar algo, elas seguem sua consciência pessoal. Elas não estão em sintonia.

 

Quando nós estamos em sintonia como o todo, estamos centrados. Nós confiamos que as coisas se desenvolverão no tempo devido; nós não nos apressamos.

 

Deste modo o teste é: estamos calmos ou inquietos ?

 

Uma outra coisa a se notar é que quando você segue sua consciência pessoal e se sente ligado a seu grupo, você se sente conectado em uma relação muito íntima.

 

Uma vez que você estiver em sintonia com a humanidade, você perde esta intimidade. Você está aberto ao amplo; você está conectado, mas não intimamente. Há um preço a ser pago.

 

Você se sente de certa forma sozinho, ainda que conectado.

 

P: Como o pesar promove a reconciliação ? Além do sentimento de pesar, que outros promovem a paz?

Hellinger: A vida está sempre se movendo para a frente. O pesar é só por um curto tempo. Pela experiência do pesar [do luto], algo do passado se completa.

 

Então você se move para a frente. Se nós carregamos nosso pesar e remorso conosco todo o tempo, nós perdemos nossa própria vida.

 

Na alma, se estamos em conexão com aqueles com quem estivemos previamente em oposição, e compartilhamos juntos o pesar, então podemos estar completos.

 

Então podemos nos mover para a frente com a vida, sem a necessidade de vingar os erros do passado na próxima geração.

 

Muito frequentemente, as pessoas rejeitam algo em si mesmas. Chamam isto de sua sombra, ou o que quer que seja.

 

Nossa alma contém uma imagem ou um reflexo da história de nossa família, nossa cultura, nossa religião, nossa raça, nossa nacionalidade.

 

O que quer que seja que rejeitemos em nós mesmos, representa uma pessoa rejeitada. Muitas doenças, por exemplo, são conexões ocultas com uma pessoa excluída dentro de nosso sistema familiar.

 

Se esta pessoa excluída é tomada em nosso coração, a doença pode ir. Muito frequentemente.

 

A reconciliação começa em nossa alma. Quando o que quer que seja que rejeitamos, ou do qual temos vergonha é reconhecido e mesmo amado, então nós podemos nos tornar mais completos e em paz.

 

Infelizmente, isto significa também que temos de deixar de lado nossa boa consciência.

Segunda Demonstração

 

Hellinger coloca uma segunda demonstração. Dez vítimas do Holocausto Armênio-Turco deitam-se no chão no centro do círculo.

 

Eles são margeados de cada lado por cinco representantes dos descentes das vítimas armênias e cinco representantes dos agressores turcos. Nenhuma instrução adicional é dada.

 

Após vinte minutos, muitos representantes se movem em grupos com alguns de cada lado juntando-se para lamentar os mortos. Muitos estão chorando; no final estes grupos começam a rir juntos.

 

Observações sobre a segunda demonstração

Olhando para esta constelação, nós podemos ver como é difícil alcançar a reconciliação no final. Muito difícil. É muito difícil alcançar isto em larga escala. Só é possível entre uns poucos indivíduos.

 

O principal obstáculo é que os descendentes de ambos os lados estão ligados a suas consciências. Mesmo agora, após tantos anos, eles estão ligados a suas consciências.

 

Há um importante aspecto a ser levado em consideração. Muitas pessoas que sofreram muito, como os armênios, ou na América do Sul, os índios, os incas ou os escravos nos Estados Unidos, e os nativos americanos especialmente, eles estão ligados por aquilo que aconteceu no passado.

 

Sua energia é atraída do presente para o passado. Há uma esperança secreta que algo que foi terrivelmente mau no passado possa ser refeito e corrigido, até mesmo desfeito totalmente.

 

Este desejo de mudar o passado impede os descendentes de olharem para frente.

 

Na Alemanha, nós frequentemente encontramos com israelenses para discutir o Holocausto Judaico-Alemão. Eles nos dizem que nós nunca devemos esquecer o que aconteceu.

 

Eles dizem, “Nunca esqueça.” Mas quando você faz isto, nada pode acabar. Por relembrar o passado, sempre repensando o que aconteceu, a energia é removida da vida presente.

 

O que acontece àqueles descendentes que são admoestados a se lembrar ? Eles ficam com raiva. Então, justamente o oposto daquilo que se deseja obter é alcançado.

 

Na última demonstração, se os turcos que vivem hoje são forçados a expressar remorso e arrependimento por terem matado os armênios noventa anos atrás, eles se recusarão a fazê-lo e ficarão resistentes e hostis.

 

Eles não poderão ficar brandos. O conflito continua e nunca poderá terminar.

 

Ano passado eu trabalhei na Flórida. Havia uma mulher no workshop que disse que se sentia desconectada de seu corpo.

 

Ela sentia como se sua cabeça estivesse cortada do resto dela. Eu soube que ela era uma inca peruana. Então eu pensei no rei inca que foi decapitado pelos conquistadores espanhóis.

 

Eu coloquei alguns representantes do povo inca deitados no chão. Então eu tomei um representante para o rei inca. Também coloquei três representantes para os conquistadores espanhóis.

 

Eu coloquei esta mulher com eles. Após um momento, ela se moveu e uniu-se aos mortos, especialmente ao rei inca. Ela queria revivê-lo. Mas de fato, ele não podia ser ressuscitado.

 

Ele apenas afundou mais e mais profundamente. Quando a mulher viu que nada podia ser feito, absolutamente nada, aí realmente acabou.

 

Ela foi até os representantes dos espanhóis e segurou a mão de um deles. Então começou a chorar. Eles ficaram brandos.

 

No dia seguinte, ela me escreveu uma carta dizendo que ela era uma descendente direta do último rei inca.

 

Através desta experiência, ficou claro para ela que qualquer tentativa de reviver o passado priva a geração presente de seu futuro.

 

Em alguns dias eu estarei indo ao Canadá onde eu fui convidado por um grupo de pessoas nativas a trabalhar com elas.

 

Todos eles perderam suas terras e costumes tradicionais e eles também vêem que não há nenhum caminho para o futuro a menos que seja permitido encerrar o passado.

 

Há muitos obstáculos que ficam no caminho dos indivíduos deixarem o passado para trás. Um deles é a consciência, como eu já disse.

 

Outro é o desejo de justiça. Nós todos temos uma premência para que algo tenha de ser equilibrado. Dar e tomar, ganhar e perder tem de ser colocados em equilíbrio.

 

Este é um desejo forte e é muito útil para as relações humanas. Mas não é útil de forma alguma quando nós tentamos forçar a justiça na história.

 

Assim, muitas guerras são iniciadas de modo a fazer justiça para aqueles que já morreram ou punir os mortos que cometeram crimes no passado. Isto nunca foi alcançado. Nunca !

 

Justiça, nessas circunstâncias, é uma grande ilusão. Isto está no fundo de muitos conflitos.

 

Para criar paz nós temos que deixar de lado nosso desejo de justiça dirigido ao passado. De outro modo, o conflito futuro é inevitável.

 

Justiça é uma preocupação só dos vivos. Os mortos, cujo destino nós podemos querer vingar, não podem ser ajudados desta forma.

 

A busca por alcançar a justiça para aqueles que sofreram e morreram nos dá o sentimento de que nós estamos fazendo a coisa certa; isto nos deixa de boa consciência. Mas o efeito é continuar uma luta sem fim.

 

Estes são alguns dos insights que vieram deste tipo de trabalho que eu demonstrei. Como vocês viram, não há nenhuma influência de fora.

 

As camadas profundas da alma funcionam de uma forma diferente de nossos desejos e de nossa consciência.

 

Se nós aprendemos a confiar nestes movimentos e vamos com eles, alcançamos algo e deixamos muita coisa ir embora.

 

Caso esse texto lhe seja útil de alguma forma e você queira utilizá-lo, para nós é uma honra servi-lo. Só lhe pedimos, por gentileza, que cite a fonte.

Fonte:  http://constelacaofamiliar.net.br/conflitos-etnicos-e-reconciliacao-paz-comeca-na-alma-2004/

Usando Figuras para fazer constelações familiares em atendimentos individuais

 

As constelações de famílias e outros sistemas se tornaram bem conhecidas em um contexto de grupos.

 

Esse trabalho e as áreas de soluções psicoterapêuticas orientadas sistemicamente e fenomenologicamente tem alcançado

 

uma significância fundamental nas áreas psicossociais e tem tido também efeitos em várias abordagens na terapia individual.

 

Há muitos terapeutas e conselheiros trabalhando em situações nas quais não existe permissão para o trabalho de grupo com constelações.

 

Há também alguns que não se sentem confortáveis ao trabalhar no contexto de um grupo.

 

Além do mais, num nível profundo, muitos desses terapeutas se sentem atraídos para os conceitos subjacentes e ferramentas do trabalho de constelações

 

e estão buscando modos de integrar esta abordagem em seu trabalho com indivíduos,

 

casais e famílias e talvez mesmo em pequenos grupos de supervisão.

 

O trabalho de constelações com figuras ou objetos oferece um método direto e simples.

 

As figuras, representando membros da família ou pessoas importantes do sistema em particular, são arranjadas numa mesa ou dentro de um espaço definido do local de trabalho.

As figuras

 

O que se segue é baseado em minha experiência pessoal com constelações de figuras.

 

Desde o início após minha primeira experiência com as constelações familiares de Bert Hellinger e minhas primeiras tentativas de trabalhar com esse método em grupos,

 

eu peguei uma bolsa com bonecos playmobil de meu filho que há muito tempo ele havia posto de lado.

 

Comecei a carregá-las comigo a todos os lugares onde não havia o apoio de um grupo para meu trabalho de aconselhamento e terapia.

 

Esses lugares incluíam um centro de aconselhamento para casais e famílias, uma clínica psicossomática,

 

pequenos grupos de supervisão e minha própria prática de consultório.

 

Eu fui compelido a agir dessa forma.

 

Após minha primeira experiência com constelações familiares em grupo e já estava certo que este era

 

“meu” método e “meu” modo de fazer terapia, seja em grupos ou com indivíduos.

 

Alcançar isso pelos bonecos playmobil foi algo que aconteceu naturalmente, sem muita consideração prévia.

 

Eles estavam simplesmente disponíveis, práticos, fáceis de carregar e havia apenas mínimas diferenças entre elas,

 

simplesmente, homens e mulheres com algumas combinações de cor.

 

Graças aos céus eu não falei a ninguém sobre isso naquela época, pois fui capaz de ganhar experiência com os bonecos sem qualquer opinião ou objeção externa.

 

Naquela época, eu não estava nem mesmo seguro que você poderia ainda comprar as figuras playmobil simples,

 

mas isso não era tão terrivelmente importante que tipo de figuras eram usadas,

 

Havia, por exemplo, um assim chamado “quadro familiar” com figuras de madeira que está agora no mercado.

 

Há alguns critérios que eu considero importante na escolha das figuras:

 

— Elas devem ser figuras com as quais o terapeuta possa trabalhar confortavelmente.

 

Não se preocupe se os clientes aceitarão as figuras.

 

Se o método e as ferramentas estão certas para o ajudante, os clientes sempre virão.

 

– As figuras deverão ter o mínimo de “personalidade própria” possível,

 

deste modo mantem-se tão livres de pré-conceitos quanto possível e também reduz qualquer distração daquilo que não é essencial.

 

As figuras não são importantes por si mesmas, mas apenas como projeções espaciais dos membros do sistema.

 

O trabalho com figuras torna-se mais fácil quando elas permitem algumas poucas distinções básicas, como por exemplo,

 

entre homens e mulheres, algum modo de indicar em que direção a figura está olhando e talvez cores ou alguma marca que permita distinguir uma pessoa da outra.

 

Usar figuras menores para crianças pode ser uma forma de distração na medida que isso sugere uma referência temporal,

 

o que afasta da qualidade “atemporal” do trabalho de constelações.

Experiência anterior com grupos de constelações

 

Eu trabalhei primariamente com grupos e meu uso das figures no trabalho individual é baseado totalmente em meu trabalho com grupos de constelação.

 

Acredito que precisamos de experiência com grupos de forma a trabalhar com competência usando constelações de figuras.

 

Essa experiência não precisa ser de trabalhar diretamente com grupos fazendo constelações.

 

Recomendaria experiência com uma constelação pessoal em um grupo e observação de constelações em grupos

 

ou vídeos daquelas que possam fornecer algumas impressões de como elas são.

 

Eu conheço terapeutas e conselheiros que trabalham com figuras sem terem nem mesmo conduzido um grupo de constelações,

 

mas eu não sei de ninguém que tentaria trabalhar com figuras sem ter ao menos visto uma constelação em grupos.

 

Na próxima sessão, entrarei em detalhes sobre quando uma constelação com figuras é apropriado e como procedo em uma sessão individual quando estou usando uma constelação de figuras,

 

como eu a introduzo com o cliente e como eu trabalho com a constelação de figuras.

 

Eu então irei mostrar os riscos e as oportunidades inerentes a este método

 

e finalmente, direi algo sobre constelações de figuras e a “alma” do trabalho e o valor da abordagem a esse respeito.

O lugar da constelação com figuras na terapia

 

Aconselhamento e terapia estão ocupados em apoiar um processo que se move em direção a uma solução.

 

Tais processos podem aparecer em uma variedade de formas.

 

Primeiramente, há os problemas que podem ser resolvidos pelas mudanças de comportamento, através de aprendizagem, criatividade espiritualidade.

 

Aqui a preocupação, em certa extensão, é com algum tipo de atividade mental que libera o cliente de pensar e agir de formas que bloqueiam a solução.

 

Então há a área do trauma, as feridas profundas que usualmente tem a ver com a ruptura do amor, o movimento interrompido em direção à mãe ,

 

ao pai, outras pessoas importantes ou para com a vida em si mesma.

 

Tais injúrias traumáticas muito frequentemente advém de experiências muito precoces na infância.

 

Elas podem ser resolvidas por um processo retroativo de cura na alma entre a criança e uma outra pessoa essencial na vida desta.

 

Finalmente, há uma ampla área de ligação e liberação nas relações.

 

Problemas advém das profundas ligações das pessoas com o destino da comunidade, e as conseqüências que se seguem, primariamente dentro da família e da família ampliada.

 

A solução é encontrada através do reconhecimento das ordens do amor.

 

O trabalho de constelações é focado nos processos de vínculo e liberação da alma.

 

Soluções emergem através do olhar para a integridade do sistema de relações.

 

Todo mundo no sistema tem um igual direito de pertencer e tem de ser permitido tomar seu próprio lugar de direito.

 

Cada um carrega seu próprio destino e tem de se refrear de meter-se no destino dos outros,

 

e todos os membros do sistema tem que permitir que aquelas coisas que aconteceram no passado pertençam realmente ao passado.

 

Isso tem a ver com a vida e com a morte, boa e má sorte, saúde e doença, sucesso ou fracasso nas relações, pertencimento e exclusão,

 

dar e receber, recompensa e dívida, e auto-determinação como um contraponto a ser um instrumento, sujeito às influências do sistema.

 

Em essência, há também o critério que indica quando uma constelação familiar deve ser um método útil: quando quer que haja algo na “alma do grupo” que quer ordem,

 

paz e conclusão; quando emaranhamentos estão impedindo um processo de solução ou quando um destino difícil em uma família está gerando um fardo.

Procedimentos com constelações de figuras

 

Muitos terapeutas e conselheiros vão querer integrar as Constelações Familiares usando figuras em seu próprio modo de trabalhar com sua própria orientação terapêutica básica.

 

Para mim, quando há questões de vínculo e desenlace, normalmente faço só uma sessão na qual o trabalho é concentrado plenamente na constelação com figuras.

 

Há, contudo, muito certamente uma ampla variedade de procedimentos.

 

Certos elementos são importantes para prosseguir com uma constelação de figuras.

 

Assim como em uma constelação de grupo, é essencial em uma sessão individual que a constelação esteja lidando com uma questão séria e seja conduzida pela energia do cliente.

 

O terapeuta é dependente desta energia que leva em direção à solução e o “peso da alma” da questão do cliente.

 

Como ponto inicial, perguntas sobre a natureza da questão em tela e então sobre qual seria um boa resolução trazem clareza e força que são críticas ao sucesso de uma constelação familiar.

 

O terapeuta e o cliente precisam saber desde o início para onde devem dirigir sua energia.

 

Ambos precisam ter algum sentido da “alma grupal” que conduz seus esforços na busca de uma boa solução.

 

A questão real do cliente é frequentemente oculta no início da sessão individual, como está também a força que deve ter um efeito positivo na solução.

 

Uma orientação é necessária no trabalho com constelações e o processo na alma que apóia este trabalho.

 

Essa orientação deverá ser mais curta, levando imediatamente para fora de qualquer questões ou distrações, evitando dispersar a atenção

 

e energia em direção aos processo familiares fundamentais e construindo confiança para um trabalho conjunto.

 

Normalmente, comento brevemente sobre meu modo de trabalhar, sobre emaranhamentos nos sistemas familiares, crises nas relações e sobre coisas que nós iremos procurar.

 

Se eu já tenho alguma idéia onde nosso trabalho poderá ser orientado, digo uma ou mais histórias apropriadas a partir de casos anteriores que eu já trabalhei.

 

Se eu não tenho a menor idéia de qual direção o trabalho seguirá, algumas vezes é útil oferecer uma mistura de exemplos curtos e prestar atenção à reação do cliente.

 

A base para um passo que resolve em uma constelação é construída a partir da informação importante:

 

os eventos mais relevantes na história da família,

 

a família de origem ou a família atual, os destinos daqueles da família ou do clã.

 

Esta informação e o modo como os clientes compartilham–na freqüentemente levam a um profundo movimento através das relações do sistema e a primeira vista um amor que atua, a um respeito e a emaranhamentos.

 

Ou, você pode sentir imediatamente qual informação tem força e qual não tem,

 

Se algo importante foi omitido ou se o cliente não tem uma informação crítica.

 

Essa troca de informação é dialógica e ambos, cliente e o terapeuta, precisam ter contato com a “alma do grupo”.

 

O processo reside no essencial e existe a serviço da solução.

 

Ela pode ser alcançada somente com respeito e consentimento relativos aos eventos e fatos envolvidos.

 

O núcleo da orientação do trabalho sistêmico é a imagem da constelação em si mesma: encontrar

 

– permitindo a si mesmo ser tocado por – as dinâmicas das relações do sistema,

 

rearranjando as posições das figuras na “imagem de solução” e falando as sentenças apropriadas de vínculo e liberação.

Introduzindo as constelações com figuras

 

Quando alguém já viu ou experimentou as constelações familiares em grupos ou já conhece os livros ou vídeos de Bert Hellinger, uma constelação com figuras raramente necessita de uma introdução.

 

Você simplesmente pode pedir ao cliente para posicionar os membros de sua família com as figuras.

 

Aqui também, contudo, assim como com as pessoas não familiarizadas com as constelações familiares,

 

eu me refiro ao trabalho em grupo com constelações e descrevo brevemente o curso de uma constelação em um grupo.

 

Pelo menos para mim, isso simplifica o trabalho, se eu utilizo as figuras como numa constelação com representantes.

 

Depois de estabelecido a conexão entre a constelação com figuras e a constelação em grupos, determino com o cliente que pessoas são importantes

 

– ou pelo menos inicialmente importantes – para a constelação, e coloco as figuras necessárias na mesa.

 

Então, eu peço ao cliente que posicione as figuras uma em relação à outra, sem falar ou explicar, de acordo com uma imagem interna,

 

sem ligar para qualquer tempo específico, sem qualquer justificativa, mas simplesmente da forma que ele sinta que é apropriada.

 

Na maioria das vezes, os clientes podem posicionar a constelação sem nenhuma dificuldade.

 

Quando surgem problemas, eles não são diferentes do que acontece num grupo.

 

Pode não ser o momento certo de fazer uma constelação porque o cliente não tem ainda a prontidão interna necessária ou não confia no método ou no terapeuta

 

ou o que é realmente o tema é uma constelação de um sistema diferente, talvez a família de origem ao invés da família atual ou vice-versa.

 

Isso revela uma das grandes desvantagens da terapia individual quando comparada com a terapia em grupos. Em um grupo você pode trabalhar primeiro com aqueles que estão prontos.

 

Outros que podem estar reticentes, indecisos ou em dúvida podem entrar no trabalho lentamente através

 

do processo na constelação dos demais ou atuando como representantes no sistema familiar dos outros participantes.

 

Eles podem tomar tempo para o seu próprio processo interno.

 

Se se mostrar difícil que o cliente coloque as figuras umas em relação às outras,

 

então algumas vezes faço isso para ele de acordo com o que me parece apropriado com as informações que eu tenho e depois,

 

peço ao cliente que “corrija” a minha constelação.

 

Se você tiver a impressão que a constelação está sendo posicionada com alguma idéia ou  que não bate de alguma forma com as informações dadas

 

ou se todas as figuras são colocadas em linha viradas de face para o cliente na mesa,

 

você deve solicitar à pessoa que verifique o posicionamento novamente.

 

As figuras colocadas em linha, ocorre repetidamente, mas é facilmente corrigida.

 

Relembre o cliente que ele ou ela já está representado por uma figura e que a constelação tem de refletir a relação de cada pessoa com as demais da família.

Trabalhando com constelações de figuras

 

Uma constelação de figuras serve para revelar os emaranhamentos do cliente no seu sistema familiar e tornar os vínculos e as soluções claros.

 

Isso permite ao indivíduo tomar uma posição apropriada na sua rede de relações, uma posição a partir da qual seja possível tomar, honrar e respeitar ambos os pais.

 

Isso permite à pessoa deixar algo ou alguém ir com amor, ver quem tem de ser permitido ir em paz,

 

e tomar de volta todos que tenham sido excluídos de uma forma apropriada no sistema e no coração do cliente.

 

As dinâmicas de vínculo e solução tem de se tornar claras pela constelação com figuras sem o apoio dos sentimentos e depoimentos dos representantes, pois as figuras não podem sentir ou falar.

 

Fica a cargo do terapeuta ou conselheiro, usar a constelação com figuras para sentir e expressar os sentimentos que refletem as dinâmicas familiares presentes dentro do sistema.

 

Naturalmente, você pode pedir que o cliente faça isto por si mesmo, o que algumas vezes resulta em uma súbita experiência do tipo “Aha!”.

 

Em minha experiência, contudo, os clientes estão freqüentemente cegos às dinâmicas essenciais de suas famílias.

 

Eles trazem um entendimento inconsciente ao processo,

 

caso contrário não seriam capazes de posicionar uma constelação propriamente e o terapeuta não seria capaz de obter uma percepção do sistema,

 

mas esse conhecimento inconsciente é oculto.

 

A tarefa do terapeuta, daquele que observa de fora, é ajudar a “alma de grupo” do cliente a abrir-se de tal forma que aquilo que está oculto seja revelado e possa ser dito abertamente.

 

Já desde o começo, apresento o conceito de constelação em grupos como nosso trabalho ideal e baseio meus comentários sobre as dinâmicas familiares no processo em grupos.

 

Como uma pessoa que olha a partir de fora, eu proclamo os sentimentos para cada membro da família em cada posição particular.

 

Isso quer dizer, eu não digo como os membros da família próprios se sentem naquela posição, mas o que os representantes provavelmente diriam sobre os sentimentos naquela posição.

 

Eu faço assim porque isso dá ao cliente uma certa distância de sua experiência dominante com os membros da família e porque isso dá, a mim e ao cliente,

 

mais liberdade para experimentar e tomar aquilo que pode ser visto na constelação.

 

Isso também torna mais fácil para eu corrigir o que tiver sido dito para contornar possível resistência.

 

Se o que eu digo sobre a dinâmica familiar e os sentimentos dos representantes “encaixa”

 

e toca em algo do cliente, ele estará em contato com sua família em um estado de transe de maior ou menor grau.

 

Por assim dizer, presto atenção à reação do cliente.

 

Algumas vezes, pergunto se meu modo de sentir as coisas parece correto e faz sentido para ele.

 

Quando tenho sucesso em penetrar dentro do sistema e suas dinâmicas, o cliente está ganho e usualmente nada mais fica entre nós no caminho até uma boa solução.

 

Não é incomum que um cliente pergunte, atordoado: “Como você sabe disso?”.

 

Na próxima fase, continuo a trabalhar com as figuras assim como nas constelações em grupos.

 

Eu mudo as posições das figuras, digo em voz alta que mudanças ocorrem nas dinâmicas e nos sentimentos,

 

até que nós possamos ver aquilo que está tentando se revelar por si mesmo.

 

Continuo dessa forma até que cheguemos a uma imagem de solução.

 

Quando estou certo, porque meus próprios sentimentos se deixam tocar assim como aqueles do cliente,

 

simplesmente permaneço com aquilo que emerge e falo isso em voz alta.

 

Se eu não sinto que está certo, interrompo o processo e pergunto o que o cliente está sentindo,

 

em termos de si ou de outros membros da família, ao olhar para os movimentos das figuras.

 

Eu peço informação adicional ou tento diferentes posições das figuras para determinar o que parece mais correto.

 

Continuo até que as dinâmicas e a solução sejam reveladas com clareza suficiente.

 

Peço ao cliente para sentir-se na posição de solução e relatar seus sentimentos e observo para ver se nesse lugar há um alívio para o cliente e se isso parece curar, resolver ou tornar mais leve.

 

Algumas vezes, paro a constelação com figuras nesse ponto.

 

Frequentemente uso as frases de solução que seriam ditas numa constelação em grupo quando o cliente substitui seu representante na constelação

 

ou uma frase que um representante possa dizer diretamente ao cliente.

 

Faço isso quando um cliente está tendo dificuldade em tomar seu novo lugar no sistema

 

ou quando a solução a qual chegamos ainda não “assentou” ou parece precisar de mais esclarecimento ou aprofundamento.

 

A parte mais importante do processo em uma constelação com figuras

 

– como numa constelação em grupo – é ser tocado pelas frases que revelam os profundos vínculos, o alívio e liberação.

 

Freqüentemente peço a um cliente para falar as palavras apropriadas,

 

silenciosamente ou em voz alta, e imaginar-se fazendo ou realmente fazer os gestos que acompanham tais frases,

 

por exemplo, um movimento de reverência.

 

Se acontecer que eu não consiga sentir o meu caminho através das dinâmicas do sistema,

 

se não tenho nenhum sentimento pelos membros da família representados pelas figuras

 

ou das dinâmicas do sistema ou se o cliente permanece intocável pela minha “imagem” da rede de relações,

 

então interrompo o processo da constelação e obtenho mais informação, conto histórias curtas ou simplesmente encerro o trabalho.

Riscos e oportunidades nas constelações com figuras

 

Os risco e erros que podem ser causados ao se fazer uma constelação com figuras são basicamente os mesmos que se apresentam quando fazemos constelações em grupos:

 

– Que você trabalhe sem que o cliente esteja totalmente pronto para tal, portanto sem a força do cliente;

– Que você siga algum padrão pré-determinado que não permite que aquilo que é novo e diferente surja.

– Que você trabalhe com excesso de informação ou perca informação crítica;

– Que você seja influenciado por padrões visuais e associações que não estão em harmonia com a alma.

 

A principal desvantagem quando comparado a uma constelação em grupo é que um terapeuta pode frequentemente encontrar dinâmicas sistêmicas ocultas

 

através de afirmações bastante surpreendentes dos representantes.

 

Especialmente em casos difíceis, com dinâmica novas e incomuns, isso é crítico.

 

Por exemplo, se uma pessoa no sistema está sendo levada a ir no lugar de outra, isso é freqüentemente algo que não fica imediatamente claro numa constelação.

 

É o relato dos representantes que pode fornecer indicações dessa dinâmica.

 

Se um terapeuta tem uma suspeita sobre algo desse tipo, é mais fácil checar isso num grupo.

 

A energia e participação dos membros do grupo que observam a constelação também dão importantes indicações sobre a acurácia das hipóteses levantadas.

 

Essas dificuldades, contudo, não são críticas.

 

As dinâmicas da “alma de grupo” do cliente não são reveladas pelos representantes, mas pela alma do cliente.

 

Em uma situação de atendimento individual você também pode sentir a força quando uma hipótese traz algo essencial à luz.

 

O último critério é o sentimento de harmonia e de se sentir tocado, percebido tanto pelo cliente como pelo terapeuta.

 

Isso pode ser muito surpreendente numa constelação com figuras.

 

O terapeuta vê a solução através da compreensão do cliente.

 

Compreensão significa introjetar aquilo que emerge da profundidade oculta.

 

A antiga palavra grega para verdade significa aquilo que não está oculto à visão.

 

As coisas que se desemaranham e resolvem usualmente vem inesperadamente e calmamente. Elas tocam, servem à paz e favorecem a ação.

 

Elas honram todos e são benéficas a todos do sistema.

 

As constelações de figuras também oferecem uma oportunidade, quando um terapeuta ou conselheiro não se sente competente para manejar um processo em grupo.

 

Uma constelação em grupo pode tomar uma dinâmica por si mesma que não mais serve ao sistema do cliente se está faltando uma visão clara, uma percepção precisa,

 

e certa qualidade de liderança do terapeuta.

 

Uma constelação de figuras também evita o perigo dos representantes trazerem para dentro dela seus próprios problemas pessoais.

 

O preço pelo controle desse aspecto é que haverá menos controle sobre os prejuízos e pontos cegos do terapeuta, e num atendimento individual,

 

um terapeuta é mais vulnerável aos caprichos do cliente, que podem ser algumas vezes consideráveis.

 

Constelações com figures e o trabalho na Alma

 

Em constelações de grupo, aqueles que são posicionados na constelação estão ressonando a alma do sistema. Figuras não podem fazer isso.

 

Elas permanecem como objetos representativos que funcionam para o olho da mente.

 

Você não precisa pedir às figuras que saiam de seus papéis ao final da constelação.

 

Uma constelação de figuras pode ser limitada a uma representação visual,

 

que era como eu trabalhava nos meus primeiros anos com a técnica.

 

As figuras forneciam uma ponte visual, um resumo gráfico do que havia sido discutido, um método que talvez permitisse sugestões indiretas.

 

Tudo isso pode ser muito útil, mas uma constelação com figuras pode oferecer mais.

 

É surpreendente o quão rapidamente ela estabelece um espaço para a alma na qual a “alma do grupo” pode ressonar.

 

Essa ressonância é efetuada pelo terapeuta e pelo cliente.

 

O trabalho de constelação não é apenas trabalhar com imagens visuais.

 

Ele toca e move porque oferece espaço para as imagens. Imagens espacialmente representadas são diferentes de imagens planas bidimensionais,

 

não só por fornecerem as dimensões corretas para as relações, mas mais importante que isso, ao permitirem que algo surge para fora da imagem,

 

algo difícil de descrever que não é visível através de um simples olhar para a imagem.

 

O que surge é como um campo de ressonância.

 

A ressonância do cliente e do terapeuta com a “alma do grupo” e suas dinâmicas não vem das figuras, mas através delas.

 

Ao mesmo tempo, uma constelação com figuras apóia um processo terapêutico que é externalizado e levado a partir de idéias e pensamentos internos.

 

Ele vive mais perto da realidade do que simplesmente “falar a respeito”.

 

A surpreendente profundidade dos sentimentos de ser tocado não vem só da constelação.

 

A “ressonância” é também conectada às palavras: a palavras que refletem verdades básicas,

 

a palavras que trazem clareza, a palavras que ligam e palavras que desemaranham, a palavras de amor e força.

 

As experiências profundamente tocantes também emergem dos gestos, uma expressão física dos movimentos da alma.

 

Trabalhar com figuras tem um efeito profundo só quando vai além dos aspectos visuais para o campo da rede de relações,

 

quando ao poder desse campo é permitido penetrar e abrir os diálogos e gestos que curam.

O valor das constelações com figures como método

 

Qualquer um que esteja convencido da profundidade de alcance dos processos em sistemas familiares e na alma pode também de fato,

 

trabalhar em direção a solução sem constelações,

 

grupos de figuras, só através de um consciência dos fatos essenciais e destinos,

 

estando em harmonia com a alma da pessoa que busca ajuda na procura por compreensão.

 

Normalmente, contudo, tais métodos fazem o trabalho do terapeuta mais fácil e também dão ao cliente acesso a aquilo que é essencial e crítico.

 

Isso coleta informação, estrutura os procedimentos e foca a atenção.

 

Usando as constelações, é mais fácil para o cliente e o terapeuta experimentar estar num caminho conjunto,

 

abrir ao que possa emergir das profundidades ocultas.

 

Eles se juntam em um espaço da alma do cliente, só o tanto necessário para achar uma solução.

 

Em uma constelação de figuras e em uma imagem de solução,

 

o cliente experimenta algo que pode ser levado para casa, algo que continua a trabalhar na alma e frequentemente só se desdobra plenamente em seus efeitos plenos após um certo período de tempo.

 

Talvez seja algo similar a uma apresentação teatral.

 

Só ler a peça pode me manter falando, mas a apresentação no teatro é usualmente uma experiência mais profunda e mais impressionante.

 

Isso é verdade, contudo, só quando permanece fiel ao coração da peça, à realidade e a uma transformação na audiência.

¨¨¨¨¨¨

[1] Jakob R. Schneider – Publicado em: Weber, Gunthard (Ed.) (2000): Praxis des Familien-Stellens. Beiträge zu Systemischen Lösungen nach Bert Hellinger. Heidelberg (Carl-Auer-Systeme).

 

Traduzido para o português por Décio Fábio de Oliveira Jr, a partir de uma versão inglesa do site www.constelationflow.com .

 

Reproduzido no site da editora Atman ltda com permissão expressa da Carl-Auer Verlag.

 

A reprodução desse artigo, exceto para uso privativo ou distribuição por qualquer meio sem permissão expressa do detentor do “copyright”,

 

constitui violação de direito de cópia e fere a legislação brasileira e internacional em vigor.

Caso esse texto lhe seja útil de alguma forma e você queira utilizá-lo, para nós é uma honra servi-lo. Só lhe pedimos, por gentileza, que cite a fonte.

Fonte:  http://constelacaofamiliar.net.br/constelacoes-com-o-uso-de-bonecos-playmobil/

Muitos daqueles que buscam ajuda e daqueles que ajudam, pensam na ajuda de uma certa maneira.

Essa maneira supõe que o ajudante é “grande” e o ajudado é “pequeno”.

 

Dessa forma, o ajudante é colocado como se soubesse o que é melhor para o ajudado. E muitas vezes também o ajudante é encarregado de permanecer a cargo do ajudado até que esse “fique bem”.

 

Isso na verdade cria uma dependência entre o ajudado e o ajudante, e transfere para esse último a responsabilidade pela mudança e pelo resultado.

 

Esse tipo de ajuda “prende” ambos: ajudante e ajudado. E também eventualmente diminui a dignidade do ajudado.

 

É claro que é um caminho de ajuda válido, e bem estabelecido que esse tipo de ajuda tem seu lugar, por exemplo, entre um cirurgião e seu paciente.

 

Porém esse ajudar tem limites. Ele é especialmente limitado quando aquilo que precisa ser modificado é algo que depende muito mais ou exclusivamente da atitude do ajudado.

 

Aí essa forma de ajudar tem pouco efeito. Por exemplo, quando alguém precisa de ajuda a fim de mudar algo em seu próprio comportamento. Nesse caso, esse tipo de ajuda pouco contribui.

 

A abordagem sistêmico-fenomenológica de Hellinger ajuda dentro de outra visão. Nela, o ajudante e o ajudado estão num mesmo nível. E o ajudante inclusive chega ao sistema do ajudado em último lugar.

 

Aí ajuda exatamente por saber menos, e não por saber mais. Porque não está atado aos pressupostos do ajudado, o ajudante o auxilia a ver aquilo que está fora de seu campo habitual de visão.

 

E uma vez que o ajudado vê, então nada mais é necessário – o ajudante se retira.

 

Isso é ajudar com o mínimo. E é um dos conceitos essenciais desse trabalho.

 

Caso esse texto lhe seja útil de alguma forma e você queira utilizá-lo, para nós é uma honra servi-lo. Só lhe pedimos, por gentileza, que cite a fonte.

Fonte:  http://constelacaofamiliar.net.br/ajudar-com-o-minimo/

Tradução do inglês por Dr. Décio Fábio de Oliveira Júnior (Com permissão expressa do autor)

A História das Constelações com os Remédios Homeopáticos

Pelo Dr. Johannes Latzel

O método sistêmico-homeopático chamado de “Constelações com os remédios homeopáticos” ( daqui para a frente referidos neste texto traduzido como “Constelações Homeopáticas”) foi iniciado pelo Prof. Matthias Varga von Kibéd (Diretor de uma Escola de trabalho Sistêmico) e Friedrich Wiest (Terapeuta sistêmico e Naturopata) em Munique.

 

Anos atrás estes dois espíritos pioneiros convidaram vários médicos homeopatas e junto com eles experimentaram constelações para estudar os “campos de informação” dos remédios homeopáticos.

 

Vários grupos de trabalho evoluíram desta combinação entre homeopatia e terapia sistêmica , como por exemplo, em Munique (Friedrich Wiest), Stuttgart (Sybille Chattopadday), e Freiburg (J.Latzel, Beatrix Gessner).

 

Neste ponto eu descreverei minha própria experiência com a abordagem da “homeopatia sistêmica”.

 

Em 1996 eu participei de um dos workshops experimentais mencionados acima.

 

Eu fiquei maravilhado pela forma como a constelação demonstrou tão claramente as características médicas da Carcinosine, em um processo animado como se fosse de um filme.

 

A Carcinosine produziu uma imagem exatamente como é bem conhecido na prática clínica, e experimentamos isto num contexto vivo de uma constelação melhor do que qualquer texto de homeopatia.

 

O método desenvolvido pelos dois facilitadores de Munique pode ser resumido como se segue. Um participante é escolhido para representar a consciência do cliente: ele é o foco do trabalho.

 

Então vários representantes são escolhidos para representar os sintomas-chave do remédio.

 

Com a Carcinosine, p. ex. isto seria desejo de viajar, gosto pela dança, história familiar de doenças graves, agressão reprimida, desejo de comer chocolate, etc.

 

A constelação é colocada e então o facilitador muda a disposição até que todos os representantes se sintam tão bem quanto possível.

 

Este método revela a imagem da doença mais o processo de cura específico que o acompanha como foi conhecido da prática homeopática

 

– assim em movimentos acelerados ( N.T. Fast Motion = movimento acelerado como aquele que é visto quando aceleramos um filme ,

 

p.ex. como nos filmes do cinema mudo antigo) e concentrado nos pontos essenciais.

 

Inspirado por este workshop em Munique eu me juntei a minha colega homeopata Dra. Beatrix Gessner (Konstanz, Alemanha) para organizar um trabalho médico em grupo,

 

e nós começamos a experimentar com constelações homeopáticas em bases regulares.

 

Os resultados destes grupos nos surpreenderam:

 

Como regra, as constelações dos remédios mostraram aspectos essenciais das características do remédio. Algo como a “essência” , o tema principal, o significado profundo da doença tornou-se visível.

 

Começando a partir do quadro clínico e sem uma intervenção aparente de fora, a constelação desenvolveu um caminho de cura específico para o remédio.

 

Os sintomas da doença foram quase sempre transformados em recursos e qualidades e assim mostraram um processo dinâmico de cura específico e característico deste remédio.

 

Os efeitos das constelações nos participantes foram ampliadores da percepção, inspiradores, benéficos e algumas vezes claramente curadores.

 

Nós frequentemente sentimos , com uma clareza tangível, a presença de um “campo de cura” , que nos fortaleceu no nível da alma, e nos ajudou em nossos processos de crescimento pessoais.

 

Nós notamos que o poder das constelações foi frequentemente enfraquecido quando nós ativamente queríamos alcançar uma resolução ou uma cura.

 

Comparável ao tratamento homeopático, a constelação parecia produzir seu efeito mais forte quando o facilitador evitou interferir tanto quanto possível.

 

E isto parece um paradoxo: o efeito da constelação foi claramente mais forte quando o facilitador se refreou de fazer mudanças específicas

 

e focou nas atividades de perguntar e observar, muito parecido com o procedimento da anamnese homeopática ( tomada da compreensão).

 

Foi notável que, mesmo percebendo que nós nos concentramos em um único remédio por reunião em nosso grupo, o efeito benéfico foi usualmente sentido por todos os participantes.

 

Na homeopatia clássica o médico procura um remédio específico para a situação também específica do paciente.

 

Ao invés de focar no problema específico de um indivíduo,

 

em nosso experimento focamos no remédio, apesar disto o campo de cura do respectivo remédio pareceu alcançar cada participante.

 

Ele mostrou-se em seu essencial padrão interior, um padrão arquetípico próprio que foi de certo modo familiar para cada um dos participantes.

 

Com o remédio Sulphur, p. ex. , nós vimos uma vívida demonstração da tendência a simplesmente excluir tudo o que incomoda, e fingir que tudo está bem.

 

Com Tuia, nós testemunhamos uma fixação quase fanática em um ponto específico e uma perspectiva também específica. Com Medorrinum, nós experimentamos a dificuldade de se entregar.

 

Com Sépia, nós vimos a luta da mulher contra as regras do homem. Dentro das constelações os fatores característicos dos remédios apareceram em um estilo perfeitamente claro.

 

Um filme criado especialmente para ilustrar as características do remédio não poderiam ter mostrado isto melhor.

 

Isto nos fez ponderar em que extensão estes efeitos dependiam do nível de conhecimento dos participantes acerca da matéria.

 

Contudo, experimentos conduzidos com grupos de participantes não treinados em homeopatia produziram os mesmos efeitos característicos dos remédios com clareza igual ou mesmo maior.

 

Nós podemos confiar na presença do campo de informação e de cura dos remédios nas constelações. Isto nos impressionou muito profundamente, e nós decidimos continuar com nossos experimentos.

 

Um tremendamente excitante pensamento surgiu:

 

Se um remédio pode se tornar presente como um campo tão logo saibamos seu nome e sejamos capazes de colocar vários de seus sintomas-chave,

 

da mesma forma poderia o campo específico de informação e cura de um remédio específico apropriado a um participante tornar-se presente em uma constelação ?

 

Poderíamos nós colocarmos uma constelação específica para o remédio homeopático de um cliente, mesmo se nós não soubéssemos seu nome ?

 

Seria suficiente apenas colocar os vários sintomas que são essenciais ao caso – como com as constelações dos remédios conhecidos – mais a variável “ o remédio homeopático do cliente X” ?

 

E se, por meio da colocação da constelação, for ao contrário possível permitir que o campo informacional e curativo de um remédio se torne presente para um cliente?

 

Como facilitar isto da melhor forma? Quais são as possibilidades, quais são os riscos ?

 

Que tipo de benefícios podemos esperar e onde nós devemos esperar encontrar os limites da aplicação deste método ?

 

Como pode o trabalho com os campos informacionais e curativos dos remédios homeopáticos ser usado para o benefício das pessoas que sofrem ?

 

Nossas experiências mostraram que as constelações homeopáticas se provaram especialmente benéficas se o facilitador assume uma postura “fenomenológica”, sem qualquer intenção, e não aspira resolução ou cura.

 

Nós temos assim, chamado de constelações homeopáticas um método de aumentar a autodescoberta e o próprio crescimento pessoal , e não chamamos isto de terapia.

 

Mas porque , precisamente, esta postura não-intencional do facilitador provou ser tão claramente benéfica para tantos participantes?

 

Em que medida pode uma jornada de autodescoberta que não é terapeuticamente orientada ser curativa?

 

Existe alguma coisa como um campo de inteligência inerente aos remédios e na homeopatia em geral que, uma vez presente no recinto , estimule processos de cura em cada membro do grupo?

 

Muitas questões mais advém destes experimentos, por exemplo:

 

– Qual é o modo de ação dos remédios homeopáticos? Será que eles funcionam através de campos morfogenéticos?

 

– Serão as formulações dos remédios uma conexão intermediária com estes campos morfogenéticos?

 

– Será que um dia dispensaremos remédios que não serão administrados na forma de substâncias, mas que revelarão seu efeito na forma de trabalho puramente mental, por meio de uma constelação?

 

Até então eu estava qualificado como clínico geral e homeopata.

 

Para explorar estas questões eu decidi, junto com minha esposa Suzanne Latzel, completar o treinamento em terapia sistêmicia e constelações familiares com Sneh Victoria Schnabel.

 

Nós então fundamos um instituto para treinamento e pesquisa em Freiburg: das Institut für Systemische Homöopathie.

 

O Instituto tem sido um local onde o método das constelações homeopáticas tem sido aplicado de múltiplos modos.

 

Embora o método esteja ainda no estágio experimental, e muitas perguntas ainda esperem uma resposta, os seminários sucessivos tem sido sempre um grande sucesso, com muitas experiências divertidas e muito curativas para todos.

 

Eu desejo acrescentar aqui os colegas que tem também experimentado a combinação do trabalho sistêmico e da homeopatia:

 

o já mencionado antes naturopata e terapeuta sistêmico Friedrich Wiest em Munique, os médicos homeopatas Hans Baitinger em Nuremberg, Sibylle Chattopaddhay em Stuttgard e Andreas Krüger , naturopata e diretor da escola Samuel-Hahnemann em Berlim.

 

Os elementos essenciais do trabalho do Instituto podem ser resumidos como se segue:

 

A aplicação das constelações homeopáticas como é implementada no nosso instituto (ISH Freiburg) :

– Como parte integral das reuniões do nosso círculo de médicos homeopatas, em intervalos assíduos e regulares.

– Como parte integral de nossos workshops em educação continuada.

– Como workshops de desenvolvimento pessoal em finais de semana.

– Como elemento de grupos que estão se desenvolvendo e treinando em trabalho sistêmico.

Definição:

As constelações homeopáticas são um método para promover crescimento pessoal e autoconhecimento. Elas ativam e reforçam a capacidade do corpo para a auto cura.

 

As constelações homeopáticas não são terapia no sentido clássico do termo e não objetivam substituí-la.

 

Elas podem entretanto suplementar tais terapias e melhorar as condições sobre as quais tais terapias podem se tornar mais efetivas.

 

Elas são úteis como um elemento de educação continuada em homeopatia e outros campos relacionados.

 

Modo de ação das constelações homeopáticas

De acordo com o princípio básico da homeopatia, o similar cura o similar, a alma busca encontrar na doença e no sofrimento algo que seja similar à causa de seu sofrimento.

 

A alma está olhando para uma imagem de similaridade – algo que reflete sua situação patológica e problemática como foi – de modo a se conhecer melhor.

 

Pelo reconhecimento de si nesta imagem os poderes inerentes de auto cura da alma são ativados. Dentro da tradição da homeopatia clássica, tal imagem é transmitida à alma pelos remédios homeopáticos.

 

As constelações homeopáticas mostram que é possível receber tais imagens em situações de grupo. O pré-requisito para isto é a existência de campos informacionais.

 

Nas constelações homeopáticas nós usamos o poder do grupo para penetrar em tais campos de informação. Através do convite ‘a consciência dentro do contexto da doença estes campos podem se tornar efetivos.

 

A constelação trabalha com o campo informacional e de cura da homeopatia ou de um remédio específico. ( veja Rupert Sheldrake, The Presence of the Past, para informações sobre a teoria dos campos morfogenéticos).

 

Os remédios homeopáticos revelam seus efeitos de uma forma muito específica; eles são desenhados para o indivíduo.

 

Em um tratamento dentro da homeopatia clássica é deste modo necessário conduzir uma anamnese ampla e abrangente.

 

Ao mesmo tempo, contudo, os campos informacionais e de cura tem um efeito coletivo.

 

Cada alma humana ressonará em uma certa extensão com cada remédio homeopático, ou encontrará nele um aspecto correspondente.

 

Em uma constelação, os campos informacionais e curadores podem alcançar, tocar e influenciar cada participante individual do grupo, tanto quanto ele ou ela esteja aberto a isto.

 

Neste contexto o campo funciona menos como terapia para doenças e mais como algo que fortalece a alma e o corpo.

 

Formas de constelações homeopáticas

 

As constelações homeopáticas podem ser gerais ou pessoais.

 

Elas ou se referem a um contexto geral de um remédio homeopático bem conhecido ou a um contexto pessoal de um remédio especificamente indicado para um indivíduo participante de um grupo.

 

O nome do remédio requerido pelo participante nem precisa ser conhecido.

 

Grupo-Alvo

As constelações homeopáticas são indicadas para pessoas que estejam desejosas de tomar responsabilidade por si mesmas, que estejam abertas a novas experiências e que querem promover seu próprio processo de cura assim como o de outra pessoas.

 

As constelações homeopáticas podem ainda ser usadas como elemento de treinamento nas carreiras médica, social ou de ensino.

 

Usos das constelações homeopáticas

 

As constelações homeopáticas são um caminho para aumentar o autoconhecimento e desenvolvimento pessoal, e deste modo não são orientadas para um efeito curativo direto.

 

Elas podem contudo fortalecer as forças de auto cura e apoiar os processos de cura. Elas nos ensinam a ser mais presentes, ter mais percepção, nos comunicar melhor e ser mais precisos em nossa linguagem.

 

Elas ainda nos treinam em nossa intuição, criatividade e espontaneidade.

 

Para pessoas interessadas em homeopatia e que aplicam a homeopatia terapeuticamente, as constelações fornecem uma excelente forma de aprender acerca dos princípios da homeopatia e sobre os remédios individuais através de uma experiência direta.

 

Pré-requisitos para o facilitador de constelações homeopáticas

 

Para se qualificar a facilitar constelações homeopáticas você precisa ter considerável conhecimento e experiência com trabalho terapêutico.

 

E, ao mesmo tempo, uma vez que comece com a constelação, você precisa esquecer todos os conceitos terapêuticos.

 

Você deveria ter um conhecimento considerável de homeopatia e do princípio que o similar cura o similar.

 

Tanto constelações gerais como pessoais em homeopatia requerem que você domine com maestria a arte de encontrar alguns sintomas ou problemas característicos.

 

Uma parte crucial das constelações homeopáticas é encontrar aquilo que é essencial.

 

Peculiaridades das constelações homeopáticas

 

– As constelações homeopáticas não se referem primariamente ao passado ou ao futuro.

 

Elas funcionam com o poder do momento.

 

Elas não tem um propósito específico ou uma forma claramente definida. Elas não tem um objetivo ou meta

 

– Elas levam a um profundo entendimento dos princípios básicos da cura homeopática

 

– Elas não são complicadas. Elas são simples.

 

– Elas desenvolvem-se com uma cooperação de todos os participantes do grupo e dá espaço a aquilo que se desenvolve dentro deste espírito de comunhão e sem qualquer intervenção direta.

 

– Elas não objetivam uma solução rápida e não se espera que o terapeuta forneça uma solução.

 

Ele honra o caminho que surge em pequenos passos e confia nos poderes de cura inerentes da alma.

 

– Elas não devem ser interpretadas como universalmente válidas. Ao contrário, elas permitem diferentes interpretações dos participantes e estas diferenças devem ser respeitadas.

 

– Elas buscam por uma qualidade oculta na dificuldade, por um poder de cura que funciona através da doença por uma nova força que advém da fraqueza.

 

– Elas são um meio sério de trabalhar em busca da cura e do autodesenvolvimento. E ao mesmo tempo são divertidas e leves, e despertam a alegria interior.

 

O Autor:

Johannes Latzel, M.D. é um homeopata clássico e clínico geral.

 

Ele dirige uma clínica em Freiburg/Breisgau, Alemanha. Junto com sua esposa Susanne (professora de música e terapeuta crânio-sacral ), ele dirige o Institut für Systemische Homöopathie Freiburg.

 

Você pode contactá-los em :

Hartkirchweg 69b

79111 Freiburg Germany

Phone : ++ 49 (0)761 476-2143

Fax: ++ 49 (0)761 476-2168

e-mail: info@ish-freiburg.de

web: http://www.ish-freiburg.de

 

Caso esse texto lhe seja útil de alguma forma e você queira utilizá-lo, para nós é uma honra servi-lo. Só lhe pedimos, por gentileza, que cite a fonte.

Fonte:  http://constelacaofamiliar.net.br/constelacoes-em-homeopatia/

SIMILARIDADES E DIFERENÇAS INTERNACIONAIS NA ESTRUTURA E NOS PROBLEMAS FAMILIARES

Escrito por Berthold Ulsamer

Resultados Preliminares do Método das Constelações Familiares

Apresentado pelo Dr. Berthold Ulsamer no 10º Congresso Mundial  de Terapia Familiar em Dusseldorf, Alemanha

O que são Constelações Familiares?

 

O terapeuta alemão Bert Hellinger desenvolveu esse novo tipo de terapia breve, que poderíamos descrever como uma árvore genealógica viva, englobando elementos das esculturas familiares e do psicodrama.

 

Em sua forma e em sua abordagem teórica contudo, esse trabalho é único e novo e tem procedimentos e efeitos surpreendentes.

 

Esse tipo de terapia foi desenvolvido em áreas de língua germânica e, Bert Hellinger originalmente limitou  suas áreas de atuação às regras e experiências que foram descobertas lá.

 

Esse tipo de terapia contém métodos que são apenas aplicáveis aos países de língua germânica? Será que Hellinger encontrou ordens que são tipicamente alemãs, ou elas são úteis em outros países?

 

A minha apresentação consiste em 03 partes:

 

1. Uma breve introdução ao trabalho prático envolvido e seu background .

2. Similaridades e diferenças nacionais com exemplos de vários países.

3. Considerações adicionais: existe uma unidade coletiva? Essa unidade coletiva tem efeito sobre as pessoas e a terra natal?

 

O método da Constelação Familiar em uso prático

 

O cliente que deseja fazer uma constelação terá os resultados mais plenos em um grupo. Primeiro é necessário para o cliente ter uma razão específica para colocar sua constelação.

 

O requisito é frequentemente uma pergunta a cerca de certos sentimentos conflitantes (depressão, sentimentos de culpa, etc ) ou a cerca de relações perturbadas na família.

 

Primeiro o cliente informa ao terapeuta fatos essenciais a cerca da sua família nas últimas 02 ou 03 gerações.

 

Perguntas importantes que precisam ser respondidas são:

 

Quem morreu cedo (antes de 25 anos)?

 

Ocorreram crimes cometidos por membros da família?

 

Por acaso algum membro da família carrega um pesado sentimento de culpa por alguma razão?

 

Os pais tiveram relações amorosas prévias, e elas tiveram consequências dignas de nota (ex: agressões, emigrações, nascimentos fora do casamento, adoção, etc)?

 

Então o cliente escolhe entre os membros do grupo, pessoas para representar seus pais, irmãos, a si mesmo e outros membros importantes da família.

 

Também são representados membros da família que já morreram.

 

Espontaneamente e centrado, o cliente posiciona cada representante, um em relação ao outro, na área de trabalho assim como sua imagem interna.

 

Os representantes em seus respectivos lugares, sentem as relações desse sistema e percebem os sentimentos das pessoas que elas representam. Esse efeito é ainda um fenômeno inexplicável.

 

Durante o trabalho prático com constelações, o terapeuta aprende a confiar nesse fenômeno mais e mais e a deixar-se levar por ele.

 

O efeito terapêutico das constelações advém de:

 

* Mostrar e posicionar a imagem interna  da família do cliente com todas as suas tensões e conflitos.
* trazer de volta pessoas importantes que foram esquecidas
* usar “frases de força” que trazem os conflitos à luz e os soluciona.
* Encontrar uma nova posição/ordem para as pessoas envolvidas. As  posições dos representantes serão diferentes no fim da constelação, gerando uma nova imagem interna de solução.

 

Quando Bert Hellinger desenvolveu as Constelações Familiares  ( nas regiões do mundo de fala germânica ) ele descobriu ordens básicas subjacentes.

 

De fato, apesar de haver exceções a todas as ordens, algumas se repetem com bastante regularidade.

Seis importantes ordens e princípios

 

1. Cada membro de uma família pertence a ela igualmente. Cada  família tem um vínculo interno muito forte, a despeito do quão desunida ela pareça quando olhamos de fora. T

odos os membros de uma família merecem atenção. Se alguém é expulso, ele será representado por um membro que nascer mais tarde, o qual irá impor a si mesmo um destino similar.

 

2. A morte precoce de um membro da família tem um forte efeito sobre todo o sistema. Uma inclinação para morrer aparece nos irmãos do morto, devido a suas conexões com ele.

Isto é expresso através da frase “ Eu seguirei você”. Se alguém carrega algo assim e mais tarde tem filhos, estes percebem isto e tentam aliviar os pais. Isto é expresso pela frase “Melhor eu do que você”. Esta inclinação para a morte se mostra através da doença e de comportamentos perigosos (esportes radicais, uso de drogas).

 

3. Crianças tomam sentimentos de outros membros da família. Isto ocorre de dois modos:  ou elas compartilham fortes sentimentos com outros membros da família (elas ajudam a carregar estes sentimentos por assim dizer) , ou elas tomam para si sentimentos não expressos.

Por exemplo, uma avó submissa é abusada fisicamente por seu marido. Ela tem então uma neta que por sua vez fica enraivecida com seu marido por nenhuma razão aparente. Na Constelação Familiar torna-se claro que a neta carrega a raiva de sua avó.

 

4. As crianças são leais aos seus pais (pai e mãe). As crianças quase sempre lidam com seu próprio destino de modo a impedir que elas mesmas tenham um destino melhor que o de seus pais. Devido a esta lealdade elas tendem a repetir o destino destes pais e seus infortúnios.

 

5. Há uma ordem na família que precisa ser respeitada. A pessoa que vem primeiro, seja um irmão ou um parceiro, toma o primeiro lugar. Os outros seguem esta ordem cronológica.

Estes lugares precisam ser respeitados sem julgamento ou  valorização,  apenas devem ser  percebidos como são.

 

6. Há uma organização espacial básica que é preferível. Há uma ordem básica na qual todos os membros de uma família se sentem bem, desde que se garanta que todas a conexões negativas tenham sido resolvidas.

Nesta ordem os pais ficam à frente de seus filhos com o pai ficando no primeiro lugar e a mãe seguindo no sentido horário a ele (quando olhamos de cima).

As crianças devem ficar olhando seus pais seguindo o sentido horário de acordo com sua ordem cronológica de nascimento, do mais velho para o mais novo.

 

Existem traços nacionais típicos nas constelações?

 

Este trabalho emergiu nos últimos 20 anos na Alemanha.

 

Uma pergunta que surge: se ele é aplicável a outros países também. Esta pergunta foi respondida de modo afirmativo por terapeutas que tem feito Constelações Familiares em países como Brasil, Eslováquia e França.

 

Eu tenho feito trabalhos na Suíça, Espanha, Itália e Argentina e também  alguns grupos no Japão e Taiwan.

 

Tem se tornado claro que as ordens e princípios descritos acima se aplicam também a famílias de outras nações e culturas. Quais são as similaridades e diferenças?

 

Eu só posso dizer que elas estão baseadas em experiências pessoais  e não em evidência estatística. Contudo, a experiência é informativa, porque ela mostra as famílias e nações sob uma nova perspectiva.

As consequências da guerra.

 

Uma grande similaridade existe entre países que estiveram em guerra nas últimas 2 gerações. O resultado da guerra é a morte de soldados jovens.

 

Pais perdem seus filhos, irmãs perdem seus irmãos e crianças nascem, porém nunca conhecerão seus pais porque eles morreram antes que elas nascessem.

 

Nas constelações alemãs, tem sido demonstrado o quão doloroso é a perda de um irmão para uma irmã.

 

É frequente que uma inclinação para morrer nasça daí. Os filhos destas irmãs sentem isto, tomam isto para si e eles próprios também desenvolvem esta inclinação para a morte.

 

Contudo, a mesma dor ocorre em outras nações, como me foi mostrado na constelação de uma psicoterapeuta  espanhola.

 

A despeito de anos de análise sobre a morte de seu pai, o qual havia morrido antes de seu nascimento na guerra civil espanhola, ela só conseguia imaginá-lo como um fantasma.

 

Contudo, a morte pode ter vários efeitos. Há tipos de morte que são experimentados coletivamente e de uma forma especialmente traumática.

 

Consequentemente estas mortes são reprimidas na consciência tanto quanto possível e tem um peso muito grande na família.

 

Usualmente as pessoas que tomam parte numa constelação chegam a ter calafrios  quando tais mortes são mencionadas. Na Alemanha estas são as mortes que ocorreram nos campos de concentração nazistas.

 

No Japão, são as mortes que ocorreram em decorrência das bombas atômicas lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki.

 

Uma perda é especialmente má quando a família não está certa da ocorrência da morte.

 

Este é,  por exemplo, o caso do destino de vários homens na Argentina que desapareceram e foram sequestrados sob o poder da ditadura – os “desaparecidos”.  Mesmo hoje, após muitos anos, as famílias dos mortos vão regularmente a Buenos Aires para protestar.

 

Uma constelação na Alemanha me mostrou o quanto é difícil lidar com aqueles que desaparecem.

 

Nos anos 50, um homem cujo irmão estava desaparecido por 10 anos, teve a morte deste irmão declarada legalmente para que se pudesse fazer a partilha da herança.

 

Devido a isto o irmão sobrevivente sentiu uma culpa enorme – quase como se ele fosse um assassino.

 

Quando nós olhamos para o mundo de hoje para países como a Iugoslávia ou outros países do continente africano, só podemos especular acerca da extensão das tragédias e suas consequências para as gerações futuras.

Países não envolvidos em guerras nas gerações recentes.

 

O que dizer das constelações em países que tem se mantido longe das guerras? Eu passo agora a relatar minhas impressões obtidas num recente seminário de 6 dias com um grupo de pessoas da Suíça.

 

Os primeiros 2 dias foram muito leves. Isto é diferente das constelações na Alemanha, onde as mortes da II  Guerra Mundial aparecem com frequência – pais, irmãos e crianças que morreram lá.

 

Parecia que circunstâncias favoráveis tinham protegido os suíços de tais tragédias. A intensidade do seminário estava bem baixa.

 

No terceiro dia, aquele tipo de coisa que as famílias de classe média costumam suprimir veio com muita força à superfície.

 

Houve uma constelação na qual um pastor cometeu adultério com a mulher que iria se tornar a sogra de seu filho. A mulher deu a luz a uma criança (filha dela e do pastor)  mas ela foi considerada filha do marido desta mulher… Em várias famílias veio a luz casos de abuso.

 

Parecia que muitas famílias precisavam de pelo menos uma ovelha negra para carregar os problemas da família.

 

Aqueles que tomaram parte controlaram suas emoções a um elevado grau e usaram muita energia para fazê-lo.

 

Quando eles não puderam mais manter o controle, os sentimentos suprimidos vieram à tona, dramática e incontrolavelmente.

Outras culturas

Eu agora gostaria de entrar em detalhes sobre minha experiência com cerca de 20 constelações feitas com pessoas do Japão e de Taiwan.

 

As constelações foram em grande parte similares umas às outras – mais do que entre as constelações alemãs. Os representantes do pai e da mãe mantiveram uma certa distância entre si e algumas vezes ficavam de costas um para o outro.

 

Quando eram virados de modo a ficarem frente-a-frente se sentiram  estranhos um ao outro. Nenhum parecia realmente querer estar com o outro por amor. Muitos casamentos foram arranjados.

 

O resultado: desapontamento recíproco e frustração, dos quais no melhor dos casos gerou uma certa “camaradagem” entre os parceiros em meio a uma situação tão difícil.

 

Uma frase que uma pessoa sentiu ser capaz de trazer alívio foi: “ Você me frustrou e eu a você – nós estamos no mesmo barco.”

 

As mulheres estavam especialmente indispostas a assumirem responsabilidade por terem casado com seus parceiros, pelo menos de início. Elas se viam como vítimas.

 

A força para assumir a responsabilidade só veio quando foi incluída a representante da mãe ao lado de sua filha. Isto foi diferente do que foi observado nas constelações alemãs.

 

Ao mesmo tempo houveram dinâmicas de transferência de sentimentos de amor na família – quase sempre tendências eróticas entre a mãe e seu filho favorito ou o pai e sua filha favorita.

 

Nas constelações alemãs  sentimentos eróticos muito fortes entre os pais e suas crianças resultam da dinâmica na qual uma criança representa um primeiro amor ou noivo de um dos pais.

 

Em uma das constelações japonesas, a relação erótica entre o pai e a filha foi tão forte que eu estava certo de que o pai teve uma primeira mulher.

 

A filha (a cliente cujo sistema estava sendo constelado) não sabia nada a cerca da existência de tal mulher. Eu finalmente arrisquei um experimento e posicionei uma mulher para representar este primeiro amor do pai.

 

O pai começou a considerar aquilo e então concluiu “esta é minha mãe”.

 

Se fosse para generalizar minhas percepções então eu diria que as conexões eróticas profundas dessas crianças a seus pais acabam por impedí-la de ter relações realmente satisfatórias mais tarde na vida.

 

Ao invés disso  elas também, por sua vez, buscam uma criança para estabelecer uma relação que realmente preencha o coração delas. Esse padrão é revivido de uma geração para a outra.

 

Mesmo as outras crianças – devido à lealdade ao destino dos pais – raramente têm relações amorosas plenas.

 

Como nas constelações alemãs, chegou-se a uma ordem básica apropriada no final – os pais lado a lado e as crianças de frente para eles, da mais velha para a mais nova.

 

Contudo, tanto para os pais quanto para as crianças foi necessário deixar bastante espaço entre eles.

 

Eu presenciei uma fascinante constelação de uma mulher em Taiwan – que era sobre a morte precoce de sua irmã. A irmã morta ainda pertencia à família.

 

Até mesmo um lugar na mesa era sempre reservado para ela. De início a irmã morta foi vista como sendo perigosa e ameaçadora.

 

A irmã sobrevivente estava com medo dela muito mais do que numa situação similar observada em constelações alemãs.

 

Devido a esta experiência, eu suspeitei que a morte precoce tem o efeito “eu seguirei você” também nas outras culturas (apesar delas lidarem com a morte de maneira diferente do que fazemos).

 

Uma irmã ou irmão morre e os outros vivem. Mas os sentimentos de culpa dos sobreviventes não são aliviados pelos atos rituais.

 

Um terapeuta japonês que já tinha dado seus primeiros passos no trabalho de constelações familiares com seus compatriotas, disse-me que o trabalho tinha servido como uma espécie de escola para ensinar os homens japoneses a entrarem em contato com os seus sentimentos.

 

Eles reprimem completamente os seus próprios sentimentos. Contudo, como representantes acham fácil perceber e expressar sentimentos.

 

Agora eu gostaria de passar algumas experiências que meus colegas que trabalham com outras nacionalidades contaram-me.

 

Jacob Schineider trabalhou muitas vezes no Brasil – principalmente com terapeutas que são descendentes de imigrantes europeus. Vários temas vieram à luz em seu trabalho.

 

Um de tais temas é que as consequências da emigração e integração em uma nova terra desempenham uma grande tarefa.

 

Ele cita um exemplo de uma constelação com um padre cujo pai estava morrendo, mas que por alguma razão não podia ainda morrer.

 

Na constelação, foi mostrado que o pai já tinha aceitado sua morte iminente  mas tinha ainda um problema com seu filho.

 

Só quando o filho posicionou seu representante alinhado com os representantes de seu pai e de seu avô e garantiu a eles que honraria e manteria sua herança italiana  foi que o pai sentiu-se aliviado.

 

Logo após a constelação desse filho, o pai morreu em paz tendo o filho a seu lado.

 

Em muitas constelações o filho permanecia ao lado da mãe e a filha ao lado do pai. As crianças pareciam muito envolvidas no casamento dos pais e inclinadas a tornar-se parceiros afetivos substitutos.

 

Muitos brasileiros vivem próximos à morte sem que a dinâmica exata seja visível.

 

Em nenhuma das constelações houveram crianças prematuramente mortas na geração atual ou anterior – um fato que Schineider achou ímpar. Em quase todas as famílias contudo, haviam mortes por acidentes de tráfego.

 

Os membros da família não tinham muito conhecimento sobre eventos da história familiar, no que diferiam dos alemães.

 

A situação de brasileiros de classe social inferior e/ou ancestralidade africana ou indígena era muito diferente.

 

Nesses grupos sociais há uma enorme quantidade de incesto e estrutura familiares desoladas, muitos irmãos desconhecidos e pouca segurança social dada pelos pais.

 

Nestes casos parecia haver pouca chance de se obter uma ordem completa na família.

 

De acordo com Schineider era imperativo ver onde existia um lugar relativamente seguro para as crianças que as ajudasse a seguir um destino obrigatoriamente diferente do de seus pais e ao mesmo tempo reconciliá-las com seus pais.

Que relação tem as pessoas com seu próprio país e povo?

 

O trabalho com constelações revela que há muitas áreas bem definidas de conexão humana. Subjacente a isso, certas ordens e princípios atuam.

 

Um exemplo de ordem importante a respeito das relações amorosas é que parceiros prévios precisam ser reconhecidos  e que cada um tenha seu lugar numa ordem cronológica.

 

Então existe a família cuja ordem já foi mencionada. Há também princípios que atuam em organizações, tal como aquele que diz que pessoas que estão numa organização há mais tempo precisam ter seu tempo de casa respeitado.

 

Uma área desta conexão humana que está começando a se mostrar  tem a ver com nacionalidade e país de origem.

 

Existe algo coletivo que se refere a uma conexão com a terra natal? Que princípios funcionam aí?

 

Uma constelação levada a cabo por um colega e eu há poucos anos atrás ampliou largamente meus horizontes. Até aquela época, eu ficava aborrecido pela constante preocupação da mídia com o terceiro Reich.

 

Eu era da opinião de que não deveríamos nos preocupar com isso e, ao invés, olhar para o futuro.

 

Embora eu não fosse pessoalmente afetado por uma história familiar de nazismo, pois meus pais tinham desenvolvido uma aversão a esta ideologia, por suas crenças católicas.

 

Meu pai foi médico durante a guerra e tinha sobrevivido ileso.

 

Nessa constelação, um homem de 40 anos cujo avô foi um nazista entusiástico, colocou sua família. O homem  e também seu representante estavam excitados e atraídos pela força e poder da ideologia nazista.

 

De maneira a trazer a realidade criminosa do que aconteceu nos bastidores, nós acrescentamos alguns representantes para os perpetradores nazistas e também suas vítimas à constelação.

 

Contudo, o homem ainda achou difícil aceitar a realidade e queria permanecer cegamente atado às idéias sedutoras do nazismo.

 

Somente após um ano ele foi capaz de aceitar a realidade através de uma outra constelação similar.

 

Após essa constelação, eu subitamente senti que eu também estava no mesmo barco que ele e precisava olhar para este passado.

 

Desde então, minhas impressões sobre os alemães e suas relações com o terceiro Reich mudaram. Parece-me agora que um povo inteiro tornou-se culpado da destruição inclemente de judeus e outros grupos raciais.

 

Cada pessoa, quase todos, de uma forma ou de outra carrega uma parte dessa culpa e deste modo colabora com ela.

 

Como Bayohr provou em sua tese de doutorado publicada recentemente, a propriedade total de pelo menos 30000 casas pertencentes a judeus assassinados ou expulsos foi leiloada, somente em Hamburgo.

 

Ele calculou um total de 100000 compradores e estimou que devem ter havido milhões de compradores similiares em todo o país. Isto significa que milhões de alemães obtiveram vantagem às custas da morte dos judeus.

 

Os filhos e netos da geração da guerra vivem, parece-me, uma das duas alternativas. Ou não aceitam seus pais que estão carregados de  culpa, e assim permanecem sem força ou raízes

 

(neste caso, quando estão fora de seu país, sentem-se envergonhados de serem alemães) ou eles colocam botas de combate, raspam a cabeça e espancam estrangeiros ou outros grupos raciais

 

(e desse modo aceitam seus pais, e têm a mesma força, mas também a mesma culpa).

 

Quando observo outras nações européias, sua unidade e laços familiares, parecem-me mais fortes do que na Alemanha. As raízes parecem mais intactas.

 

O único país cuja população parece ter ainda menos raízes é o EUA. Isto pode ser percebido pelas constantes mudanças  de carreira, vida privada e localização de moradia.

 

A terra foi ganha através da destruição ou expulsão da população nativa, os índios americanos. Eu suspeito que um mecanismo similar ao que atua na Alemanha esteja em funcionamento.

 

A culpa dos ancestrais sobrecarrega a relação que suas crianças ou descendentes posteriores tem com eles.

Dissolvendo as conexões com um crime.

 

As constelações fazem com que um  passo significativo e gerador de cura em um outro nível seja possível.

 

Se o pai ou a mãe cometeu um crime sério, especialmente assassinato, há duas coisas a serem feitas consecutivamente na constelação.

 

Num primeiro passo, o pai ou a mãe deve ser reconhecido em seu papel de ter dado a vida. A criança então agradece aos pais pela vida que ela recebeu.

 

A seguir ela deve deixar a culpa ou responsabilidade pessoal dos pais com eles. Se alguém se torna um assassino, ele tem de deixar a família na constelação.

 

Então todos se sentem aliviados – não apenas o resto da família, mas o agressor também.

 

Se o agressor não sai, então as crianças que nascerem depois  tomarão a culpa e se tornarão, ou agressores ou vítimas nas gerações futuras.

 

O passo que leva a um novo nível é possível através da constelação.

 

Uma criança reconhece o pai ou a mãe como aquele de quem recebeu a vida e ao mesmo tempo deixa o agressor manter sua culpa e responsabilidade por suas ações.

 

Então a criança permanece intacta com suas raízes, sem tomar parte na culpa que não é sua. Parece-me que este passo tem de ser feito por cada um, individualmente.

 O que é “terra natal”?

 

Um pequeno episódio que aconteceu em Buenos Aires esclareceu a conexão que as pessoas tem com sua terra natal.

 

Uma mulher argentina de 60 anos, cujos pais alemães emigraram para a Argentina antes dela nascer, contou-me a seguinte história.

 

Ela estava assistindo ao jogo entre Alemanha e Argentina pela copa do mundo de futebol.

 

Quando a Alemanha fez seu primeiro gol, ela espontaneamente caiu no choro – e foi recebida com expressão de estranheza por seus amigos.

 

Durante as constelações, o tema “terra natal” aparece no “pano de fundo” quando esta terra natal foi perdida.

 

Para clientes, cuja família foi expulsa de um país ou emigrou, é possível posicionar um representante  para  a terra natal, mesmo quando os pais são de diferentes nacionalidades.

 

O representante percebe sentimentos claros em seu papel de terra natal – usualmente sentimentos de paz e força.

 

A pessoa cuja terra natal é representada,  sente também uma forte relação com a mesma.

 

Usualmente posicionar uma terra natal trás um sentimento de força e alívio, como acontece, por exemplo, com alemães que tiveram que refugiar-se na Prússia Oriental, após a II guerra mundial.

 

Podemos sentir essa forte conexão com a terra ancestral, a qual não se dissolve, mesmo quando se deixa essa terra.

 

O efeito desta perda é similar ao efeito de perder uma pessoa da família.

 

Se essa perda  reprimida, é como uma ferida interna que permanece aberta, nos tornando fracos.

 

A ferida só pode se curar quando permitimos que a dor tenha um lugar. À terra natal é dado um lugar na constelação, onde ela possa ser reconhecida e apreciada.

 

Uma situação especialmente difícil,  ocorre com filhos e netos de imigrantes.

 

Alguns rejeitam a terra natal de seus pais – eles querem virar as costas para a velha terra natal e ficar de frente para a nova.

 

Porém, com isso, perdem uma parte importante de suas raízes e força.

 

A frase que é apropriada e tem um bom efeito aqui, pode ser  por exemplo: “eu reconheço você como a terra natal de meus pais e lhe dou um lugar em meu coração”.

 

A criança então, ganha força através do reconhecimento de suas raízes.

 

O tema terra natal se torna muito significativo quando trabalhamos com refugiados ou estrangeiros que trabalham na Alemanha, cujas crianças querem se integrar à sociedade alemã.

 

O diretor de uma penitenciária para menores,  contou-me a cerca de um grupo de jovens curdos presos que repetidamente, irrompiam em situações de violência abrupta e incontrolável.

 

Os pais, ao contrário, viviam em paz e bem adaptados na Alemanha.

 

Eu conduzi uma constelação nessa prisão, com um jovem que havia sido preso por estupro.

 

Seus pais tinham vindo da Iugoslávia, e eu decidi posicionar representantes para a Iugoslávia e Alemanha. O jovem não deu nenhuma atenção para a terra natal de seus pais.

 

Já o representante da Iugoslávia disse que ele sentia que a chave para a solução estava nele – a terra natal.

 

Um grande campo de pesquisa está aberto nesse contexto.

 

Uma constelação familiar conduzida por Bert Hellinger, com um judeu alemão, em Frankfurt, fevereiro de 1998, trouxe à luz esse tópico.

 

No começo do terceiro Raich, seus pais mudaram-se para Israel (que ainda era Palestina nesse tempo).

 

O filho nasceu e viveu lá até os 12 anos. Após isto, viveu na Alemanha e considerava-se um alemão.

 

Na constelação foram escolhidos representantes para Israel e Alemanha, e esses foram posicionados. Israel sentiu-se não reconhecido e não visto.

 

Um passo importante até a solução para os pais e o filho veio quando Israel foi trazido e reconhecido.

 

Contudo, o filho judeu sentiu-se desconfortável ao lado de seus pais, alguma coisa ainda parecia estar faltando, ele se sentia como se não tivesse terra natal.

 

Espontaneamente, Hellinger posicionou uma família que estava presente no curso como representantes dos palestinos que foram expulsos de Israel.

 

Ele os posicionou de frente para Israel, e deixou o cliente mudar o lugar de seus representantes, e este se posicionou ao lado dos palestinos expulsos.

 

Aí, ao lado dos expulsos, sentiu-se pertinente e pôde relaxar.

 

A expulsão é sempre uma injustiça contra aqueles que são expulsos.

 

Os que chegam depois e que tomam a terra nessas condições,  aproveitam-se desta injustiça.

 

O desejo de compensar e expiar aparece então nos filhos e netos dos agressores.

 

Nessa constelação, a necessidade de compensar mostrou-se no fato do filho judeu não aceitar Israel como sua terra, mas  ao contrário tomar para si os sentimentos das vítimas de não possuir uma terra.

O que mais nos conecta?

 

Simplesmente ser humano nos conecta a todos. A partir desse simples fato, derivam várias ordens e princípios básicos.

 

Usualmente tais ordens tornam-se claras em uma constelação quando uma pessoa torna-se um assassino.

 

Neste caso, tudo o mais que se refira à família ou nação, não desempenha nenhum papel.

 

A culpa permanece forte do mesmo jeito.

 

Ser humano é tudo que é necessário para estabelecer tal conexão. Mesmo para casais, a nacionalidade não tem nenhum valor em relação à conexão criada entre homens e mulheres.

 

Ser apenas humano já fornece uma conexão suficiente.

 

O que nos conecta? Haverá uma conexão entre todas as coisas vivas? Que ordens funcionam aí?  Poderão tais ordens serem reconhecidas através das constelações?

 

Quando plantas e animais são destruídos sem consideração ou motivo, ou exterminados por lucro, então falta a atenção necessária,  e a culpa é o resultado.

 

Será que nossos filhos, netos ou bisnetos estão tomando essa culpa? E de que modo? (será que poderíamos encontrar aí as causas para alergias que ocorrem mais e mais frequentemente?)

 

Até este momento, as ordens acima mencionadas estão ainda ocultas e permanecem por descobrir.

 

Mas talvez novas portas se abrirão aqui também, e seremos capazes de ir mais fundo nas profundezas daquilo que pode se mostrar a nós através das constelações.

 

Traduzido do inglês do texto original extraído do site do Dr Berthold Ulsamer, com permissão do autor.

 

Tradutor: Décio Fábio de Oliveira Júnior

 

Caso esse texto lhe seja útil de alguma forma e você queira utilizá-lo, para nós é uma honra servi-lo. Só lhe pedimos, por gentileza, que cite a fonte.

Fonte:  http://constelacaofamiliar.net.br/constelacoes-familiares-em-diferentes-contextos-nacionais/

O trabalho, ora denominado “Pedagogia Sistêmica”, originou-se a partir dos trabalhos do filósofo e professor alemão Bert Hellinger.

 

Sua carreira como missionário católico na África do Sul durante quase 20 anos,

 

lecionando em escolas para os zulus, durante o regime do apartheid colocaram-no em uma perspectiva ímpar para identificar questões de conflito e consciência.

 

Seu desenvolvimento pessoal o levou a estudar e praticar uma vasta gama de abordagens psicoterapêuticas, a saber: psicanálise, análise transacional, hipnoterapia Ericsksoniana, terapia primal, Gestalt, esculturas familiares, análise de histórias, etc.

 

Seus trabalhos o levaram a descobrir a natureza da consciência pessoal e certas leis inconscientes que ditam o comportamento humano em grupos familiares e sociais, as quais denominou “ordens do amor”.

 

Mais tarde, diversos professores e pedagogos iniciaram a aplicação do método na área educacional, sendo a contribuição mais relevante feita inicialmente por Mariane Franke-Gricksh a qual escreveu um livro denominado ,

 

“Você é um de nós” (publicado no Brasil pela Editora Atman – www.atmaneditora.com.br).

 

Depois disso a abordagem se difundiu pelos países de fala espanhola, especialmente o México e a Espanha.

Introdução à Pedagogia Sistêmica CUDEC com o enfoque de Bert Hellinger

 

No ano de 1999 aconteceu o primeiro contato entre Bert Hellinger e o CUDEC durante um workshop em Constelações Familiares em Barcelona (Espanha).

 

No ano seguinte, em maio, Bert Hellinger trabalhou no CUDEC. Posteriormente, ainda no ano 2000, fez um workshop para a comunidade CUDEC.

 

Em novembro de 2003, Hellinger oferece no CUDEC o primeiro workshop aplicado à educação.

 

E finalmente, no ano seguinte, celebram o I Congresso Internacional de Pedagogia Sistêmica, que aconteceu na Cidade do México (México).

 

Em 2006, aconteceu em Sevilha (Espanha), o II Congresso Internacional de Pedagogia Sistêmica, com a presença de 700 pessoas de vários países.

 

Pedagogia Sistêmica: sem raízes não há asas.

 

O sonho que marcou a diferença na educação.

 

A Pedagogia Sistêmica inicia-se no ano 2000; um novo enfoque, num novo milênio que se baseia no natural da vida e nos elementos que anteriormente não tinham sido observados dentro de um sistema que está inter-relacionando-se totalmente, um com outro.

 

Refiro-me ao sistema educativo, ao sistema familiar e ao sistema social.

Ponto de vista sistêmico-fenomenológico no ensino – Marianne Franke

 

Como menciona Marianne Franke Gricksch, em 2006 a transferência da visão sistêmica da terapia familiar para a docência, permite perceber as pessoas não como indivíduos isolados,

 

mas como parte de uma estrutura inter-relacionada. Hellinger assinala que, a nível subconsciente, participamos na trama familiar e de seu destino coletivo.

 

As constelações familiares permitem revelar o fato de que fazemos parte de uma grande alma que compreende a todos os membros da família, sujeitos a um ordem essencial.

 

Tem-se que encontrar e respeitar tal ordem para que encontremos nosso lugar dentro da nossa família, respeitando o destino dos outros membros dessa família.

 

O respeito e o amor à família não são um sentimento, constituem uma postura baseada em princípios que geralmente não é consciente.

 

Nossa inclusão nessa grande alma é um senão, e nós nos encontramos sujeitos ao nosso destino familiar. Nisto se baseia o enfoque sistêmico-fenomenológico.

 

Marianne visitou o CUDEC pela primeira vez no ano 2002 e desde então, houve várias outras visitas, contribuindo desta maneira, com este sonho.

 

CUDEC aprecia o ponto de vista sistêmico fenomenológico no ensino, de Marianne Franke.

 

A visão da Pedagogia Sistêmica é belíssima, porque vê nas atitudes disfuncionais dos alunos, somente uma mostra profunda de amor; uma lealdade incondicional ao pai, uma lealdade incondicional à mãe.

 

A última oportunidade que temos como pais de família, de participar de maneira poderosa e eficaz na vida de nossos filhos é na adolescência;

 

e hoje, os filhos, os alunos, precisam muitíssimo dos adultos,

 

precisam de uma participação afetiva e generosa, desde declarar que o processo educativo se leva a cabo, principalmente, através do trabalho dos pais; neste ponto, baseia-se a diferença.

Que se requer? Firmeza e Sensibilidade

Essencialmente, como professores, precisamos tomar nossos pais em nosso coração, e daí, se abre a sensibilidade, mas junto com a sensibilidade, uma outra ferramenta fundamental, é a firmeza.

 

Não é uma ou a outra, são as duas juntas.

 

Amor claro e reconhecimento de limites.

O futuro da Pedagogia Sistêmica

Na Pedagogia Sistêmica recuperamos a alegria por viver, e é a força que levamos a aula.

 

Imaginemos os professores usando o amor que lhes é comum, porém tomando a força de seus próprios pais, e daí fluindo para seus alunos;

 

e imaginemos o amor dos pais de seus alunos fluindo através deles; isso é poderosíssimo.

 

Toda a diferença é educar no amor, fluindo desde a ordem. Sem ordem, não flui o amor; não tem a mesma força e, portanto, o mesmo impacto;

 

O AMOR DOS PAIS FLUINDO NOS FILHOS É A FORÇA NA EDUCAÇÃO.

 

Caso esse texto lhe seja útil de alguma forma e você queira utilizá-lo, para nós é uma honra servi-lo. Só lhe pedimos, por gentileza, que cite a fonte.

Fonte:  http://constelacaofamiliar.net.br/historia-da-pedagogia-sistemica/

Cristãos / Judeus – Alemães /Judeus

Curando a alma

Bert Hellinger

Palestra proferida no terceiro Congresso Internacional de Constelações Familiares de Sistemas Humanos – Würzburg – Alemanha – 1 a 4 de Maio de 2001.

 

Tradução: Décio Fábio de Oliveira Júnior

 

Revisão: Tsuyuko Jinno-Spelter & Wilma Costa Gonçalves Oliveira

 

Os escolhidos e os rejeitados

Jesus , o Cristo

O mesmo Deus

Alemães e Judeus

Recompensa

História: A volta

 

O título da minha palestra hoje é “Cristãos /Judeus — Alemães /Judeus — Curando a alma”. O que considero alma neste contexto é alma dos cristãos e dos alemães.

 

Em vista do sofrimento do povo judeu durante a era do nazismo, estou focando nesta questão específica, nos termos do impacto dela sobre a alma dos alemães, distinguindo-os dos cristãos em geral.

Os escolhidos e os rejeitados

 

Na alma de ambos, cristãos e judeus, o conceito de pessoas escolhidas por Deus desempenha um papel central.

 

Os cristãos tomaram esta imagem dos judeus e subseqüentemente, se identificaram como os novos escolhidos. Como resultado, eles viram o povo judeu como o povo rejeitado, abandonado por Deus.

 

A imagem de um povo escolhido, necessariamente, atribui a Deus o fato de ele preferir um povo aos demais, eleva este grupo acima dos outros, e confere a ele, poder para reger sobre os demais, em Seu nome.

 

Como poderia, tal imagem de Deus, encontrar um lugar em nossas almas? Podemos mesmo falar de Deus aqui?

 

Tal Deus, que escolhe e abandona, é ameaçador, porque mesmo os escolhidos, vivem com medo de serem expulsos a qualquer momento.

 

Estas são imagens que vêm da profundidade da alma, em primeiro lugar da alma de cada indivíduo, e então, das grandes profundezas daquela alma compartilhada pelo grupo maior.

 

As imagens de ser escolhido e abandonado vêm desta alma comum e são elevadas a um estado celestial onde elas parecem estar acima de todos, como algo “divino”, algo a ser temido.

 

Aqueles que consideram a si mesmos escolhidos identificam-se com um Deus que seleciona e rejeita e assim eles também selecionam e rejeitam os demais.

 

Neste processo eles se tornam algo terrível aos olhos daqueles que são rejeitados.

 

Mas o que acontece quando outros grupos e outros povos também agem de acordo com imagens internas similares?

 

O resultado fica claro nas guerras religiosas.

 

Tais grupos não estão nem conscientes de si nem dos outros como pessoas individuais.

 

Ambos os lados se comportam como se possuídos por uma loucura coletiva.

 

Mas na alma dos cristãos há um fator adicional: os cristãos acreditam no mesmo Deus dos judeus.

 

Assim, os cristãos, em nome do Deus dos judeus, veem os judeus como o povo rejeitado e roubado de seus direitos por este Deus comum.

 

As dimensões terríveis que tal presunção pode assumir foram demonstradas em nossa era pela tentativa dos nazistas de destruir o povo judeu como um todo.

 

Alguém agora poderia levantar aqui, a objeção de que os líderes nazistas e o movimento nazista não foram cristãos em qualquer sentido da palavra.

 

Nós não podemos permitir a nós mesmos sermos cegados a esse ponto, porque a ideia nazista de ser “escolhido” refletiu essencialmente uma característica cristã.

 

O “Führer”NT sentiu-se chamado pela providência a liderar o novo povo escolhido — neste caso a imagem da raça superior

 

— à dominação mundial e ao longo deste caminho, eliminar os povos escolhidos anteriormente.

 

Não importando o quanto distorcido ou cego isso possa nos parecer agora, o Socialismo Nacional,

 

junto com uma grande parcela da população alemã, retirou energia para ir à Segunda Grande Guerra, primariamente, deste senso de missão.

 

As atrocidades perpetradas por suas mãos foram essencialmente efetuadas a serviço de um “juízo divino”.

 

Este senso de missão não se encerrou com o colapso do Terceiro Reich.

 

Nós podemos vê-lo mesmo agora, nos movimentos radicais de esquerda ou direita.

 

Esses movimentos demonstram um senso de missão similar e como consequência uma prontidão cega para usar a violência contra os outros.

Jesus, o Cristo

Ainda, a oposição entre o novo e o velho povo escolhido não pode, sozinha, explicar a aversão de muitos cristãos ao povo judeu, nem a crueldade dos pogroms e as deportações.

 

Entretanto há ainda uma outra raiz que me parece a mais importante de todas.

 

Tem a ver com a irreconciliável diferença entre Jesus o homem de Nazaré e a crença em sua ressurreição e ascensão à mão direita de Deus.

 

Para os primeiros cristãos, Jesus, como homem, sumiu rapidamente de cena.

 

A imagem de um Cristo que ascendeu foi sobreposta a do Jesus homem até que ele encolheu e se tornou irreconhecível.

 

Isso permitiu aos cristãos reprimir a dolorosa realidade de que Jesus se sentiu abandonado por Deus na cruz e que o Deus em que ele acreditava não apareceu.

 

Elie Wiesel, o notável autor judeu, relata um enforcamento público de uma criança num campo de concentração. Olhando para esta atrocidade, alguém perguntou:

 

“Onde está Deus aqui?

 

” Elie Wiesel respondeu: “É aquele que está pendurado lá”.

 

Quando Jesus na cruz chorou alto: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?” alguém poderia ter também perguntado:

 

“Onde está Deus aqui?” E a resposta poderia ter sido a mesma: “É aquele que está pendurado lá”.

 

Os discípulos não puderam suportar a realidade de seu Jesus abandonado por seu Deus.

 

Eles escaparam disso através da crença em sua ressurreição, através da crença em Jesus como Cristo sentado à direita de Deus e em sua segunda vinda para julgar os vivos e os mortos.

 

E ainda, o homem Jesus e seu destino humano não teriam sido apagados por esta crença na ressurreição. Isto continua na imagem dos judeus.

 

O judaísmo na alma dos cristãos, primeiramente, representa Jesus o homem, que o cristão, acreditando na ressurreição dos mortos e na ascensão de Jesus à direita do Pai, não consegue ver.

 

Os cristãos temem olhar o Jesus esquecido por Deus, temem que o seu medo os torne maus.

 

Assim, na medida em que viram as costas para o Jesus o homem, então eles se viram contra os judeus como uma manifestação do Jesus que eles temem e contra o Deus de Jesus e dos judeus, que eles também temem.

 

Esta é a imagem que eu obtenho quando olho para o que acontece nas almas de muitos cristãos. Eu vou dar a vocês um exemplo:

 

Um incidente ocorreu durante um curso de dinâmicas de grupo para cristãos muito devotos. Os participantes eram todos teólogos e serviam em altas posições em suas respectivas igrejas.

 

O líder do grupo sugeriu que se colocasse uma cadeira vazia no meio do grupo, e os membros do grupo deveriam imaginar Jesus sentado nessa cadeira.

 

Cada pessoa poderia dizer algo a ele.

 

Um participante imediatamente colocou a cadeira no centro e os outros começaram a falar com Jesus.

 

A ira contra Jesus que irrompeu dos participantes foi inacreditável.

 

A um certo ponto, um participante correu até a cozinha e, pegando uma faca, começou a golpear com ela a cadeira.

 

Quando terminou, todos ficaram chocados com aquilo que emergiu das profundezas de suas almas e, se sentiram terrivelmente envergonhados.

 

O líder do grupo, que tinha sido considerado não-cristão por estes dedicados cristãos, disse: “Eu não vejo nenhuma culpa neste homem”.

 

Se eu olho para os judeus durante sua perseguição pelo Terceiro Reich, e permito que esta imagem trabalhe em mim, eu os vejo sendo arrebanhados juntos, e enviados para sua morte.

 

Eu os imagino concordando sem resistência, gentis e humildes, e vejo Jesus neles. Jesus, o homem; Jesus, o judeu.

 

As vítimas do holocausto estavam num papel, notavelmente como o Jesus cristão em face aos judeus.

 

Como um povo, em seu comportamento e em seu destino, elas incorporaram o comportamento e o destino do Jesus cristão em face aos Conselheiros e Pilatos.

 

Desta vez, os cristãos foram os brutos e os judeus exemplificaram as características de Jesus.

O mesmo Deus

Voltando à ideia de um Deus que “escolhe”, eu gostaria de dizer algo sobre o início da religião na alma e acerca do que acontece nas almas dos cristãos quando eles se tornam cristãos e nas almas dos judeus quando se tornam judeus.

 

Uma criança nasce em uma família específica, tem pais específicos, dentro de uma família estendidaNT1 também específica.

 

A criança tem uma cultura específica, é parte de um povo específico e uma religião específica. A criança não pode escolher nenhuma dessas coisas.

 

Se a criança toma esta vida como ela vem para ela ou ele, sem qualificações

 

— se a criança toma esta vida com tudo o que está incluído nesta família

 

— o destino desta família, as possibilidades, os limites, a alegria e o sofrimento – então a criança está aberta,

 

não só a estes pais, não só a este povo, não só a esta cultura específica, não só a esta religião em particular;

 

mas esta criança está aberta a Deus e o que quer que seja que possamos sentir que esteja além deste nome.

 

Tomar a vida deste modo é um ato religioso. É o ato religioso.

 

Alguém que nasce numa família judia não pode fazer nada mais, e não pode fazer nada além de começar sua caminhada até Deus de um modo judeu.

 

Esse é o único caminho aberto a esta pessoa, e , deste modo, o único correto. O mesmo é verdade para um cristão acerca do caminho cristão.

 

Quaisquer que sejam as diferenças de crença entre cristãos e judeus, eles são iguais quando se chega a este ato religioso essencial.

 

Esse movimento é independente do conteúdo de suas religiões e não pode e nem deve ser abdicado, mesmo que a pessoa adote uma religião diferente depois.

 

Eu vou dar um exemplo:

 

Uma vez um jovem, em um curso, veio buscar ajuda porque se sentia desconectado da vida.

 

Os fatos que emergiram foram que seu avô nascera judeu, mas o jovem neto se considerava cristão, não um judeu.

 

Quando nós posicionamos sua família, eu coloquei cinco representantes próximos a seu avô para representar as vítimas do Holocausto.

 

O representante do avô espontaneamente deitou sua cabeça no ombro do representante mais próximo. Após um instante, ele disse: “Este é o meu lugar”.

 

Quando foi solicitado ao jovem que dissesse a seu avô: “Eu também sou judeu e permaneço judeu”, ele só conseguiu dizê-lo com grande ansiedade e tremendo.

 

Entretanto, uma vez que ele foi capaz de dizer isso, sentiu seu próprio peso, pela primeira vez na vida.

 

O que foi verdadeiramente religioso neste caso?

 

Sua identificação com a cristandade ou seu retorno com suas raízes judias? O ato religioso mais básico foi o seu reconhecimento:

 

“Eu sou judeu e permaneço judeu”.

 

Uma árvore não pode escolher onde cresce.

 

Ainda assim, o lugar onde sua semente cai na terra é o lugar certo para aquela árvore. A mesma coisa é verdadeira para nós.

 

O lugar onde os pais estão, é o único lugar possível para cada ser humano e, deste modo, o lugar certo.

 

Cada pessoa pertence a um povo, tem uma língua, uma raça, uma religião e uma cultura que são as únicas possíveis e, deste modo, as certas.

 

Quando um indivíduo concorda com isso em um senso profundo e humildemente toma isso a partir do que é maior que todos os indivíduos e quando o individual se desenvolve então apropriadamente,

 

dando tudo o que é possível, então ele ou ela se sente igual a todos os demais.

 

Ao mesmo tempo vem o reconhecimento de que esta força superior, como quer que nós a chamemos, tem de olhar para todos nós , igualmente.

 

Não importa quão diferentes os povos do mundo possam ser, eles são todos iguais perante esta grandeza.

Alemães e Judeus

Dado este cenário, alguém poderia perguntar: “Como podem os cristãos , acima de tudo os alemães , lidar com sua culpa perante os judeus?

 

O que eles podem fazer e o que eles tem que fazer para superar esta culpa e dar ao povo judeu um lugar de valor entre eles?

 

E como pode o povo judeu lidar com a culpa dos cristãos e dos alemães?”

 

Eu tenho tido algumas experiências em vários cursos, que indicam como a reconciliação pode ser possível entre as vítimas e os agressores e , num sentido mais amplo, entre alemães e judeus.

 

Uma das mais dramáticas experiências foi num curso em Bern.

 

Um homem posicionou a constelação de sua família atual e então no final ele disse que tinha algo importante a acrescentar — ele era judeu.

 

Eu reagi a isto posicionando sete representantes para vítimas do Holocausto e atrás delas, sete representantes para agressores mortos.

 

Eu pedi então aos representantes das sete vítimas que se virassem e olhassem nos olhos dos agressores.

 

Após isto, não fiz mais nada. Deixei o movimento inteiramente por conta deles, como se desenvolvia, naturalmente.

 

Alguns agressores caíram, se enrolaram no chão e choraram alto em dor e vergonha.

 

As vítimas se viraram para os agressores e olharam para eles.

 

Elas ajudaram aqueles que estavam no chão a se levantarem, colocaram-nos nos braços e os confortaram.

 

Finalmente, houve um indescritível amor que emergiu entre eles.

 

Um dos agressores estava completamente rígido e não podia se mover de forma nenhuma.

 

Eu coloquei então, uma pessoa atrás dele para representar o agressor por trás do agressor.

 

O primeiro representante apoiou suas costas contra este novo representante e foi capaz de relaxar um pouco.

 

O homem disse mais tarde que ele tinha se sentido como um dedo de uma mão gigante, totalmente a sua mercê. Isto também foi relatado pelos outros nessa constelação.

 

Todos, vítimas e agressores, sentiram-se dirigidos, mas, também, carregados por uma força maior

 

— uma força cujos efeitos não estavam claros.

 

Após essa constelação, solicitei a todos os participantes que me enviassem um relato do que haviam experimentado durante a constelação.

 

Um representante de um agressor me escreveu:

 

À medida que você colocou sete de nós atrás das sete vítimas, eu fui tomado por um sentimento muito estranho e desagradável.

 

Eu, intuitivamente, antecipei alguma coisa ruim, mesmo que não estivesse ainda claro para mim até aquele momento quem eu estava representando.

 

Quando você disse que nós representávamos os agressores, um calafrio correu pela minha espinha. Quando as vítimas se viraram e eu olhei o homem que estava oposto a mim, toda a energia foi drenada do meu corpo.

 

Eu nunca senti tanta vergonha na minha vida. Eu só olhava para ele e isto ia me tornando menor, na medida em que ele ia se tornando maior.

 

Eu não queria nada, exceto, desaparecer em um buraco no chão, de preferência um buraco de rato bem fundo na terra.

 

Dentro de mim eu estava gritando “NÃO, NÃO, NÃO, isto não pode ser verdade”.

 

Eu senti a necessidade de pedir desculpas, mas ao mesmo tempo uma voz interna me disse que não havia meio de fazê-lo, nada poderia ser mudado, eu mesmo tinha que carregar tudo.

 

A única palavra que eu pude pronunciar foi “por favor”, neste momento minha vítima me tomou em seus braços. Sem este apoio eu teria caído no chão de vergonha.

 

Em seus braços, minha voz interna mantinha-se dizendo “eu não mereço isto, eu não mereço isto tudo — ser amparado por ele.”

 

Por sorte, eu fui capaz de deixar minhas lágrimas fluírem.

De outro modo, a coisa toda teria sido insuportável.

 

Após minha vítima ter me deixado ir novamente, eu me senti um pouco melhor.

 

Eu podia sentir vagamente o chão sob meus pés e podia respirar um pouco mais livremente.

 

Ao mesmo tempo, estava consciente de que ele era somente a primeira vítima e havia ainda muito mais vítimas em minha consciência.

 

Não só duas ou três, não — dezenas ou mesmo centenas !

 

Eu senti a forte necessidade de olhar cada uma delas nos olhos, e assim encontrar minha própria paz interior.

 

Quando você colocou um super-agressor atrás de nós, imediatamente ficou claro para mim que eu tinha de carregar sozinho a responsabilidade por tudo o que eu tinha feito.

 

Não havia nenhum alívio que viesse deste agressor que estava atrás de mim.

 

Eu também senti fortemente que teria sido muito melhor ter ficado do outro lado e não ter assumido toda esta culpa insana.

 

Minha necessidade de olhar a próxima vítima ficou mais intensa, mas de fato, o próximo contato de olhos, literalmente, me jogou no chão.

 

Eu não podia mais ficar de pé. Eu chorei amargamente.

 

Eu “fui”. Eu estava apenas consciente de uma voz bem distante que dizia:

 

“Agora volte lentamente”, e fui voltando bem devagar.

 

Para mim, havia ainda muita coisa inacabada, muitas vítimas não tinham sido vistas.

 

Havia ainda uma poderosa urgência para trazer ordem a este negócio inacabado.

 

Após a constelação gastei pelo menos uma hora para voltar totalmente a mim mesmo de novo e sentir a minha força total.

 

Para mim, essa foi verdadeiramente um dos papéis mais difíceis que eu já tinha experimentado em uma constelação familiar.

 

Foi também estranho o modo pelo qual os pensamentos emergiam tão cristalinos em minha consciência.

 

Por exemplo, que era impossível empurrar a responsabilidade de minhas próprias ações para um outro alguém, mesmo que fosse algo pequeno na máquina.

 

Após tal experiência, você sabe que não há nada mais a discutir, ou perguntar, ou explicar. É simplesmente como é.

 

Em uma constelação como esta, também fica claro que não há grupos, no sentido de que estas são as vítimas e aqueles os agressores.

 

Só existem as vítimas individuais e os agressores individuais.

 

Cada agressor individual tem de encarar a sua vítima individualmente, e cada vítima individual tem de encarar seu agressor individual.

 

O que se torna claro é que não há paz para as vítimas mortas até que os agressores mortos tenham tomado seu lugar próximo a elas

 

— até que os agressores mortos tenham sido tomados por suas vítimas.

 

E, não há paz para os agressores até que eles tenham deitado ao lado de suas vítimas como iguais.

 

Se isto não acontece, se isto não é permitido acontecer, os agressores serão representados por alguém na próxima geração.

 

Por exemplo, enquanto aos agressores da última guerra for negado um lugar nas almas dos alemães, eles serão representados pelos radicais de direita.

 

Nas constelações de famílias judias, onde há descendentes de vítimas do Holocausto, eu tenho visto freqüentemente, uma criança identificada com um daqueles agressores.

 

Não há nenhuma alternativa de reconciliação real, mesmo com os agressores.

 

Nestas constelações também fica claro que emaranhamentos só são resolvidos entre aqueles que foram realmente afetados, isto é, entre o agressor específico e sua vítima específica.

 

Ninguém mais pode se interpor entre eles, ninguém mais tem o direito ou tarefa ou poder de fazê-lo.

 

Nas constelações os representantes das vítimas mortas e os agressores mortos não querem os vivos interferindo em seus assuntos.

 

Eles querem os vivos fora destas coisas e querem que a vida continue, sem ser limitada ou sobrecarregada com suas recordações.

 

Do ponto de vista dos representantes das pessoas mortas, a vida pertence aos vivos que estão livres para tomá-la.

 

Eu tenho uma fantasia disto em termos de que efeito isto teria na alma dos cristãos se eles imaginassem Jesus morto, encontrando no reino dos mortos todos aqueles que o traíram, julgaram e executaram.

 

Quando nós olhamos para eles como seres humanos, todos iguais em face aos grandes poderes que controlam seus destinos,

 

então damos a todos eles nosso respeito, embora isto possa ser um pensamento repulsivo para muitos de nós.

 

Acima de tudo, nós temos de honrar e respeitar o grande poder por detrás deles e de todos nós, como um mistério incompreensível.

 

Submeter-se a este mistério deste modo é algo verdadeiramente religioso e humano.

 

Certa vez, eu fiz um exercício, nesse sentido, com uma mulher judia em cuja família muitos tinham sido assassinados.

 

Ela se sentiu chamada a reconciliar os vivos e os mortos. Eu pedi a ela que fechasse os olhos e fosse imaginariamente ao reino dos mortos.

 

Ela deveria ficar entre os seis milhões de vítimas do holocausto e olhar para frente, para trás e para os lados direito e esquerdo.

 

Em torno desta enorme massa de seis milhões de mortos, estavam deitados os agressores. Então todos se levantavam, as vítimas mortas, os agressores mortos e todos se viravam em direção ao horizonte, para o leste.

 

Lá, eles viam uma luz branca e todos se curvavam a esta luz.

 

A mulher também se curvou com todos os mortos e quando ela terminou, retirou-se lentamente, deixando os mortos na memória diante daquilo que apareceu no horizonte, mas que permanecia oculto.

 

Então ela se virou de costas para os mortos e olhou para a vida de novo.

Recompensa

 

Algumas vezes os vivos precisam encarar os mortos.

 

Olhá-los e serem vistos por eles — principalmente aqueles que são culpados em relação aos mortos, mas também aqueles que obtiveram alguma vantagem às custas do destino terrível de seus vizinhos judeusNT2.

 

Em muitas constelações o que tem emergido é que aqueles indivíduos que sofreram com os erros de outros, afetam a alma dos indivíduos que cometeram tais erros, ou as almas daqueles que se beneficiaram destes erros, assim como as almas de seus descendentes.

 

Esta influência continua até que o erro tenha sido reconhecido e visto e até que as vítimas sejam reconhecidas como pessoas de igual valor, sejam respeitadas e seja feito luto por elas.

 

Quando isto é feito, a ferida pode fechar e os efeitos terríveis de tais erros cessam.

 

Em conclusão, eu contarei a vocês uma estória que os levará a uma viagem pela alma se vocês desejarem segui-la.

A volta

Alguém nasce em sua família, em sua pátria, em sua cultura e já desde criança ouve falar de seu modelo, professor e mestre, e sente um desejo profundo de tornar-se e ser como ele.

 

Junta-se a um grupo de pessoas que pensam da mesma forma, exercita disciplina por muitos anos e segue seu grande modelo, até que se torna igual a ele e pensa, fala, sente e quer como ele.

 

Entretanto, pensa que ainda falta uma coisa.

 

Assim, parte por um longo caminho, buscando transpor, talvez, uma última fronteira na mais distante solidão. Passa por velhos jardins, há muito abandonados.

 

Ali apenas florescem rosas silvestres e grandes árvores dão frutos todos os anos, mas eles caem esquecidos no chão porque não há ninguém aí que os queira. Dali em diante, começa o deserto.

 

Logo é cercado por um vazio desconhecido. Parece-lhe que, aí, todas as direções são iguais e, as imagens que às vezes vê diante de si logo se mostram vazias.

 

Caminha impulsionado para adiante e quando já tinha perdido, há muito tempo, a confiança nos seus próprios sentidos, avista diante de si a fonte.

 

Ela brota da terra e nela imediatamente se infiltra.

 

Porém, até onde a água alcança, o deserto se transforma num paraíso.

 

Olhando à sua volta, vê, então, dois estranhos se aproximarem. Tinham feito exatamente como ele. Tinham seguido seus modelos, até se tornarem iguais a eles.

 

Tinham empreendido, como ele, um longo caminho, buscando transpor, talvez, uma última fronteira na solidão do deserto.

 

E encontraram, como ele, a fonte. Juntos, os três se curvam, bebem da mesma água e acreditam estar quase na meta. Depois dizem seus nomes: “Eu me chamo Gautama, o Buda”.

 

— “Eu me chamo Jesus, o Cristo”. — “Eu me chamo Maomé, o Profeta”.

 

Mas, então, chega a noite e, acima deles, como sempre, brilham as estrelas inalcançáveis, distantes e silenciosas. Os três se calam e um deles sabe que está mais próximo do seu grande modelo como nunca.

 

É como se pudesse, por um momento, pressentir o que Ele sentira quando o soube: a impotência, a frustração, a humildade. E como deveria ter sentido, se tivesse conhecido também a culpa.

 

Na manhã seguinte, ele volta, saindo salvo do deserto. Mais uma vez, seu caminho o leva por jardins abandonados, até que acaba em um jardim que lhe pertence.

 

Diante da entrada está um homem velho, como se estivesse esperando por ele. Ele diz: “Quem de tão longe encontra, como você, o caminho de volta, ama a terra úmida.

 

Sabe que tudo o que cresce também morre e, quando cessa, nutre”. — “Sim”, responde o outro, “eu concordo com a lei da terra”. E começa a cultivá-la.

 

NT Literalmente o “líder”— no caso, Hitler.

 

NT1 Hellinger distingue a família nuclear— pai, mãe e irmãos — do conceito de família dentro do trabalho fenomenológico, aqui chamado de família “estendida”, por seus efeitos no destino de alguém.

 

Sugerimos ler nos livros de Hellinger já publicados em português, quem pertence a esta família “estendida”.

 

NT2 Na Alemanha nazista, muitos judeus tiveram seus bens confiscados pelo estado e “leiloados” a preços muito baixos entre a população, que assim adquiriu apartamentos, casas, fazendas e outros bens por um valor muito vantajoso às custas dos judeus.

 

Caso esse texto lhe seja útil de alguma forma e você queira utilizá-lo, para nós é uma honra servi-lo. Só lhe pedimos, por gentileza, que cite a fonte.

Fonte:  http://constelacaofamiliar.net.br/cristaos-judeus-alemaes-curando-alma-2001/

Sucesso na profissão

Muitas pessoas tem dificuldades em obter o tão sonhado sucesso na profissão.

Esforçam-se e fazem muitos cursos, capacitam-se, dedicam horas a fio ao trabalho, mas ao final ficam frustradas. O sucesso não vem.

 

Onde estaria então a raiz do sucesso na profissão e no trabalho? É claro que uma resposta simplista a essa questão não faz jus à complexidade desse tema tão amplo.

 

Mas podemos observar que embora não haja uma resposta simples, há com certeza passos comuns que precisam ser dados a fim de que o sucesso seja alcançado.

 

Bert Hellinger observou após anos de trabalho com as Constelações Familiares que o passo básico para todo e qualquer sucesso é sobretudo o grau de conexão com nossa mãe.

 

Vale dizer, quem está conectado com a mãe já deu um passo fundamental, o passo básico para o sucesso. Quem ainda não o fez, carece de algo que não pode ser suprido por outras fontes.

 

E o que é essa conexão com a mãe?

 

Como podemos saber se alguém está ou não bem conectado a ela? Bem, pode-se ver que esta pessoa está “cheia”.

 

Ela tem pouco a exigir e muito a dar. Alegra-se com o que recebe e serve a outros com alegria. É uma fonte de inspiração para os outros.

 

Pois a mãe é, antes de mais nada, o modelo básico da relação de servir a outros. É ela quem serve na família, e o faz com desvelo e ternura.

 

Se aprendemos essa postura básica, então estaremos aptos a servir também outros com alegria. Pois todo trabalho é serviço a outros.

 

E o sucesso deriva da pressão produzida nos demais em retribuir o que damos a eles na forma de nosso servir. Assim, um passo fundamental na escalada ao sucesso parte da revisão da relação como nossa mãe.

 

O que vem a ser tal revisão? Consiste em tomá-la em nosso coração tal como ela é, com amor, sem queixas, exigências, temores, recriminações, acusações ou reclamações.

 

Consiste em concordar que ela é também uma mulher comum, imperfeita, e portanto sujeita a erros, e mesmo assim, nossa mãe.

 

Para isso, precisamos primeiro desistir de ser uma pessoa especial e concordarmos em ser uma pessoa comum, pois como pode alguém especial ser filho de pessoas comuns?

 

Ser efetivamente capaz de assumir uma postura de total gratidão a ela é a base do sucesso. Esse é o primeiro curso de ação, a base de tudo o mais.

Décio e Wilma Oliveira

iDESV

Caso esse texto lhe seja útil de alguma forma e você queira utilizá-lo, para nós é uma honra servi-lo. Só lhe pedimos, por gentileza, que cite a fonte.

Fonte:  http://constelacaofamiliar.net.br/sucesso-na-profissao/