Muitos daqueles que buscam ajuda e daqueles que ajudam, pensam na ajuda de uma certa maneira. Essa maneira supõe que o ajudante é “grande” e o ajudado é “pequeno”. Dessa forma, o ajudante é colocado como se soubesse o que é melhor para o ajudado. E muitas vezes também o ajudante é encarregado de permanecer a cargo do ajudado até que esse “fique bem”. Isso na verdade cria uma dependência entre o ajudado e o ajudante, e transfere para esse último a responsabilidade pela mudança e pelo resultado.

Esse tipo de ajuda “prende” ambos: ajudante e ajudado. E também eventualmente diminui a dignidade do ajudado.

É claro que é um caminho de ajuda válido, e bem estabelecido que esse tipo de ajuda tem seu lugar, por exemplo, entre um cirurgião e seu paciente. Porém esse ajudar tem limites. Ele é especialmente limitado quando aquilo que precisa ser modificado é algo que depende muito mais ou exclusivamente da atitude do ajudado. Aí essa forma de ajudar tem pouco efeito. Por exemplo, quando alguém precisa de ajuda a fim de mudar algo em seu próprio comportamento. Nesse caso, esse tipo de ajuda pouco contribui.

A abordagem sistêmico-fenomenológica de Hellinger ajuda dentro de outra visão. Nela, o ajudante e o ajudado estão num mesmo nível. E o ajudante inclusive chega ao sistema do ajudado em último lugar. Aí ajuda exatamente por saber menos, e não por saber mais. Porque não está atado aos pressupostos do ajudado, o ajudante o auxilia a ver aquilo que está fora de seu campo habitual de visão. E uma vez que o ajudado vê, então nada mais é necessário – o ajudante se retira.

Isso é ajudar com o mínimo. E é um dos conceitos essenciais desse trabalho.

Aprendendo com a barriga no tanque e no fogão quem sou eu e qual é o meu lugar nesse mundo?

 

Obrigada por estar aqui por um tempo comigo!

 

Já que esse é nosso primeiro encontro, gostaria primeiro de te contar de onde eu vim e onde estou.

 

Sou a primeira dos 09 filhos do Sr Odilon e da D. Inêz. Venho de uma linhagem simples e de grande sabedoria, que cada vez mais me ocupa. Quanto mais me esvazio, mais plena me torno de tudo que jorra deles para mim.

 

Sou mulher do Décio, mãe do Henrique e da Clara.

 

Esse é o lugar que me foi destinado nesse mundo maravilhoso para que eu possa seguir tornando-o ainda mais belo.

 

O que mais gosto de fazer é cuidar do ambiente onde vivo com minha família para que todos sintam vontade de voltar para casa todos os dias!

 

Gosto de ir para a cozinha transformar alimentos em pratos saborosos e enquanto os transformo, algo se transforma também dentro de mim.

 

Não sou de muita conversa e geralmente quando falo não soa muito agradável para alguns, pois tenho uma mania não muito querida de ir direto ao essencial. E isso se acentua na medida em que passo mais tempo aqui. É como se não tivesse o direito de me enrolar e também de enrolar as pessoas, dizendo aquilo que me deixa bem ou dizendo aquilo que as deixariam felizes comigo, mesmo que não fosse a verdade que está em meu coração.

 

Também, tenho percebido e estado atenta a alguns sentimentos que agora os chamo de sentimentos de luxo. Por exemplo, não me permito mais me magoar com alguém. Se já tenho a convicção de que sou eu a responsável pelo que sinto, então não posso mais me dar ao luxo de sentir coisas que me distraem do essencial.

 

Cada vez mais, tenho ido além de mim mesma para permanecer em sintonia com aquilo que me conduz e que conduz a todos.

 

Compartilho hoje, junto com meu marido, coisas lindas, pequenas e ao mesmo tempo, grandiosas, concretas e ao mesmo tempo imensuráveis, experiências pessoais e de pessoas que nos procuram. E isso tem feito uma pequena grande diferença na vida de algumas pessoas que se deixam tocar pelo que compartilhamos.

 

Algumas perguntas, decidi deixar de lado. Tais como: Existem outras vidas? Bem se existir, então devo viver da melhor forma possível aqui e agora pra seguir mais leve na próxima. Se não existir, também devo viver da melhor forma possível aqui e agora, pois é o tempo que me é devido. Assim, não me distraio com esse tema. Outra pergunta: De viemos e pra onde vamos? Sei que a vida fluiu dos meus pais até mim e ainda pude passa-la adiante juntamente com meu marido. Portanto, que ela tenha chegado através dos meus pais pra mim, basta. E que ela siga adiante através dos meus filhos, também basta. Para mim, é o suficiente para me alegrar e ser grata por estar aqui.

 

Não me preocupo com o futuro, mas procuro me ocupar do presente e acolher, com amor, o passado. Assim, o futuro tem mais chance através de mim.

 

Bem, isso é um pouquinho de mim e do que tenho cozinhado… Sigo por aqui,  a partir desse olhar de “cozinheira”, compartilhando pequenas coisas com vocês!

 

Em nosso próximo encontro, apresentarei um “prato” muito importante pra mim. Ele é composto de “Coisas que aprendi com a minha Vovó!”

 

Caso esse texto lhe seja útil de alguma forma e você queira utilizá-lo, para nós é uma honra servi-lo. Só lhe pedimos, por gentileza, que cite a fonte.

Fonte:  https://constelacaofamiliar.net.br/quem-sou-eu-qual-e-o-meu-lugar-nesse-mundo/

Como esta abordagem foi muito útil para nós, é de coração aberto que a oferecemos a você !

Folder dos workshops vivenciais de constelação familiar

Décio e Wilma Oliveira, casados a mais de 25 anos, pais dos gêmeos Henrique e Clara desde 1995, que consideram como sendo suas maiores realizações!

Ele, médico cirurgião e consultor de empresas e ela, enfermeira nefrologista. São fundadores e facilitadores do  IBHBC – Instituto Bert Hellinger Brasil Central, com uma bagagem de mais de 15.000 horas na condução conjunta de workshops vivenciais familiares e organizacionais, cursos, seminários e treinamentos no Brasil, México, Portugal e Espanha. Co-Fundadores e diretores da Ed.Atman, responsável pela tradução e publicação de mais de 20 títulos e ainda dvd’s relacionados ao trabalho de constelações familiares e organizacionais. promoveram e organizaram seminários e treinamentos com o próprio Bert Hellinger no Brasil de 2005 a 2010.Nosso caminho pessoal nos trouxe até este trabalho. Durante nossa formação acadêmica na Medicina e na Enfermagem, fomos confrontados com perguntas sem respostas e problemas que as abordagens tradicionais não atendiam. Posteriormente, por uma necessidade pessoal, nosso caminho acabou nos trazendo até este trabalho, onde encontramos muitas respostas para as perguntas ainda guardadas.

Desde 1999 estamos envolvidos com esta abordagem. Fomos membros do 1º Treinamento Sul-Americano em Terapia Sistêmica Fenomenológica segundo Bert Hellinger. No total, somamos mais de 700 horas de treinamento com experientes facilitadores alemães e europeus (Bert Hellinger, Jakob Schneider, Sieglinde Schneider, Gunthard Weber, Mimansa, Marianne Franke-Gricksch, Peter e Tsuyuko Spelter, Jam Jacob Stam, Cristine Essen, Guni Baxa e outros), acumulando experiência adequada para o trabalho com grupos tanto em questões familiares quanto em organizações.Também organizamos vários workshops para convidados estrangeiros em nosso país (Bert Hellinger, Jakob e Sieglinde Schneider, Mimansa Erika Farny , Peter e Tsuyko Spelter). Participamos em eventos internacionais sobre essa abordagem no México em 2003 e 2012, na Holanda em 2004, na Alemanha em 2005, 2010, 2012 e 2013, na Espanha em 2006, 2008 e 2010 e no Brasil, em 2012 e 2013.

Tivemos ainda, a honra de organizar a vinda de Bert Hellinger ao Brasil por diversas vezes. Belo Horizonte, em 2005; Goiânia, em 2006; Brasília, em 2007; 1º módulo do Treinamento Avançado em 2008 e foi com imenso prazer que organizamos o 2o. módulo do treinamento avançado de 2009 para Bert e Sophie Hellinger e ainda o II Seminário Leis Básicas dos Relacionamentos Aplicadas aos Negócios em 2009.

Em 2004, fundamos, juntamente com outros colegas, a ABC Sistemas – Associação Brasileira de Constelações Sistêmicas – da qual fomos o 1º Presidente e a 1ª Secretária. Fundamos, junto com sócios, a Editora Atman , editora brasileira voltada exclusivamente para o tema das constelações sistêmicas, que já publicou no Brasil vários títulos de Bert Hellinger e outros autores ligados ao tema, entre livros e DVD’s. Ultimamente estamos envolvidos na aplicação da técnica para fins específicos como no âmbito educacional, casais, área de consultoria no âmbito do direito, assistência social e empresas.Temos artigos publicados em revistas internacionais sobre o tema das Constelações Sistêmicas no Brasil.

Segue a nossa trajetória como facilitadores de Constelações Familiares:

Realizamos Workshops vivenciais desde 2002, e percorremos as seguintes cidades pelo Brasil:

•Belo Horizonte-MG

•Brasília-DF

•Cuiabá-MT

•Divinópolis-MG

•Florianópolis-SC

•Formiga-MG

•Goiânia-GO

•Governador Valadares-MG

•Guaratinguetá – SP

•Ipatinga-MG

•Londrina-PR

•Montes Claros – MG

•Patos de Minas-MG

•Porto Alegre-RS

•Porto Velho-RO

•Salvador-BA

•São Borja-RS

•São Paulo-SP

•Taguatinga-DF

•Teófilo Otoni-MG

•Uberlândia-MG

•Unaí-MG

•Uruguainana-RS

•Vitória da Conquista-BA

Em 2007 começamos os cursos de Treinamento Básico em Constelações Familiares e oferecemos em:

•Belo Horizonte-MG

•Brasília-DF

•Cuiabá-MT

•Florianópolis-SC

•Goiânia-GO

•Porto Alegre-RS

•Rio de Janeiro-RJ

•São Paulo – SP

A partir de 2011, Cursos de Aprofundamento exclusivo para alunos IBHBC certificados no Treinamento Básico, em:

•Belo Horizonte-MG

•Goiânia-GO

•São Paulo – SP

Desde 2011 acontece o Seminário anual dos alunos IBHBC, com temas de atualização para alunos e seus convidados, em:

•Águas de Lindóia-SP

Em 2013 oferecemos um 4o. encontro de aprofundamento, um encontro intensivo especial para alunos já certificados no aprofundamento IBHBC, em:

•Ouro Preto-MG

Desde 2003, oferecemos workshops e módulos de treinamento a convite de escolas internacionais e tivemos participações em congressos no exterior, nas seguintes cidades/países:

•Bad Reichenhall (Alemanha)

•Oaxaca (México)

•Porto (Portugal)

•Sevilha (Espanha)

Em 2014, começamos a oferecer curso de formação em Pedagogia Sistêmica em:

•Belo Horizonte-MG

Histórico:

Nossa trajetória buscando difundir o trabalho com as constelações sistêmicas, alguns passos:

2014

Construímos um novo site para atender melhor e permitir ao usuário navegar mais facilmente também a partir de smartphones e tablets.

Lançamento da formação IBHBC em pedagogia sistêmica em Belo Horizonte – MG , um grande sucesso!

IV Seminário dos alunos em Águas de Lindóia – SP , com o tema “Homem e Mulher – o amor na vida”.

Oferecemos pela primeira vez na cidade do Rio de Janeiro o nosso curso de Treinamento Básico.

2013

O IBHBC oferece pela primeira vez na cidade de Florianópolis o curso de Treinamento Básico.

Oferecemos o III Seminário Anual dos Alunos IBHBC com o Tema “Os sentidos pelo coração”.

Estivemos presentes no evento: Bert ao vivo em São Paulo – SP e no seminário Internacional em Bad Reichenhall em Novembro.

Neste ano, oferecemos pela primeira vez o 4o. Encontro do Aprofundamento – “Soltando as amarras”, oferecido para alunos certificados no Treinamento Básico e no Curso de Aprofundamento.

Presentes no Seminário da Hellinger Sciencia em Bad Reichenhall – Alemanha, com a participação de Décio dando uma explicação antropológica pertinente sobre um fato da história do Brasil que estava vinculado a uma das constelações realizadas.

Participação no evento da Hellinger Sciencia em São Paulo, com o Tema “Encontrar a Força e o Sucesso” com Joel Wieser.

    Lançamento da nova marca e do canal IBHBC  no youtube.

2012

Participamos no Seminário com Bert Hellinger e Sophie Hellinger: Mulheres e Homens – Como o amor pode dar certo na vida – São Paulo-SP.

Aconteceu o II Seminário de alunos IBHBC com o tema “Caminhando com as nossas crianças” em Águas de Lindóia- SP, com mais de 100 alunos.

Foto wilma e decio em bad reichenhall 2012   Juntos, participamos do Intensive days with Bert and Sophie Hellinger in Bad Reichenhall, na Alemanha.

Estivemos presentes na III Jornada Internacional de Pedagogia Sistêmica que aconteceu em julho na Cidade do México, México.

2011

Oferecemos o I Seminário anual dos alunos, com o tema “Movendo-se para o mais”.

O IBHBC começa a oferecer aos seus alunos certificados um curso de Aprofundamento, que acontece em 03 encontros.

2010

Estivemos presentes no Training Camping com Bert e Sophie que aconteceu em Bad Reichenhall, Alemanha, em dezembro, época também da comemoração do 85o aniversário de Bert Hellinger.

Mudamos a sede do Instituto para Goiânia com a finalidade de facilitar o nosso deslocamento e oferecer melhores serviços ao nosso público.

2009

    Organizamos o 2o. módulo do Treinamento avançado em Águas de Lindóia e o II Seminário de Leis Básicas dos Relacionamentos aplicadas aos negócios em SP, para Bert Hellinger — com grande sucesso.

Conduzimos treinamentos em constelações em São Paulo, Goiânia e Belo Horizonte.

2008

    Organizamos o I treinamento Avançado em Constelações Familiares com Bert Hellinger no Brasil, um módulo de 8 dias que aconteceu em Agosto de 2008, em Águas de Lindóia e foi um grande sucesso! O evento foi gravado e o DVD você pode adquirir clicando aqui.

2007

Em Setembro de 2007 organizamos o V Seminário com Bert Hellinger e Sophie Hellinger no Brasil, em Brasília, no Parlamundi — foi um sucesso! Os temas abordados incluíram: Amor profundo entre pais e filhos, casais, nossa profissão e o sucesso pessoal e também o trabalho com crianças doentes ou difíceis.

O IBHBC começa a oferecer um curso de Treinamento Básico em Constelações familiares e organizacionais em várias capitais do Brasil.

2006

     Em Outubro estivemos em Sevilha, no II Congresso Internacional de Pedagogia Sistêmica. Haviam 700 pessoas de todo o mundo.

Organizamos a vinda Hellinger a Goiânia-GO, de 14 a 16 de Julho de 2006. Que oportunidade! Dessa vez com o tema “Doença e Saúde na Família”. O evento foi gravado e o DVD você pode adquirir clicando aqui.

2005

Organizamos 2 treinamentos em constelações sistêmicas com convidados estrangeiros, um se iniciou em Goiânia em Fevereiro  e outro em Outubro em Belo Horizonte.

    Em 12 a 15 de Agosto de 2005 organizamos a vinda de Bert Hellinger em Belo Horizonte. Foi um sucesso! Ele tratou do tema dos relacionamentos de casal e também da relação de ajuda. Houve o lançamento do Livro “Ordens da Ajuda”, ed Atman, incluindo noite de autógrafos.  O evento foi gravado e o DVD você pode adquirir clicando aqui.

   Em 4 a 7 de Maio de 2005 estivemos em Köln – Alemanha – participando do 5o. Congresso Internacional de Constelações Sistêmicas com a presença de figuras importantes no cenário internacional das constelações, incluindo o próprio Bert Hellinger. Foi uma experiência muito enriquecedora para nosso Instituto.

   Mudamos o nome do Instituto Holon para o nome atual “Inst. Bert Hellinger Brasil Central ” sob permissão expressa de Bert Hellinger.

2004

No dia 5 de Março de 2004 fundamos junto com vários colegas a ABC Sistemas – Associação Brasileira de Constelações Sistêmicas segundo Bert Hellinger. Associação voltada para a divulgação desta abordagem no Brasil. Visite o site da mesma no facebook clicando aqui.

Fomos em Outubro até a Holanda, onde participamos do 1o. Seminário Intensivo Internacional sobre Constelações Organizacionais promovidos pelo Instituto Bert Hellinger da Holanda com “experts” sobre o assunto. Tivemos a oportunidade de estar em contato com os maiores nomes da atualidade neste campo como Gunthard Weber, Jan Jakob Stam, Klaus Grochoviak, Guni Baxa, etc.

Fundamos junto com o casal Peter e Tsuyuko Spelter a Editora Atman — primeira editora brasileira totalmente voltada para a difusão dessa abordagem. Publicamos nosso primeiro livro — de Bert Hellinger — “O Essencial é simples”.

2003

Estivemos em Novembro de 2003 no México, para o I Congresso Internacional de Constelações Sistêmicas das Américas com Hellinger, Jakob Schneider, Gunthard Weber, Sieglinde Schneider e outros importantes nomes que atuam na América Latina. Contribuimos com uma discussão sobre a difusão do trabalho no Brasil e um workshop sobre o tema “adoção”.

Reportagem do “Estado de Minas” — entrevista com Décio Fábio de Oliveira Júnior, publicada em 23/11/2003. Clique aqui para fazer o download ( aproximadamente 400kb em formato jpg). 

2002

Promovemos bastante o trabalho de constelações com palestras e vivências em diversas cidades: Uberlândia, Patos de Minas, Belo Horizonte, Brasília, Goiânia, etc.

Organizamos vários workshops para diversos convidados estrangeiros: Peter e Tsuyuko Spelter, Sieglinde Schneider. Tivemos a honra de organizar o primeiro workshop para o casal Peter e Tsuyuko Spelter no Brasil e iniciamos com eles grata parceria que mais tarde frutificou na criação da editora Atman.

2001

Organizamos workshops para Jakob Schneider e Mimansa Farny.

    Iniciamos nossos primeiros passos na terapia sistêmica. Iniciamos nosso treinamento e tivemos nosso primeiro contato com Bert Hellinger.

    Fundamos o Instituto Holon

2000

Conhecemos a abordagem de Bert Hellinger pelas mãos do casal Jakob e Sieglinde Schneider em Belo Horizonte.

Encerramos nossa formação em cinesiologia aplicada, com a qual tínhamos grande afinidade e muito contribuiu para nossa prática em terapia.

1999

Por intermédio de um amigo, com o qual compartilhávamos uma dificuldade que vivenciávamos com nosso filho, soubemos da abordagem de Bert Hellinger e lemos o primeiro livro publicado em português “A Simetria Oculta do Amor”. O encantamento foi imediato, bem como a utilização dos conceitos em nossa prática diária e a nos acostumar a identificá-los em nossa vida profissional e cotidiana.

O que é constelação familiar?

Trata-se de um método de ajuda baseado nas descobertas do alemão Bert Hellinger, que coloca pessoas que estão presentes no grupo para representar membros da família ou grupo social do cliente. Hellinger descobriu 3 (três) leis naturais que atuam nos relacionamentos humanos e tais leis são tão verificáveis como a lei da gravidade, se nos dermos ao trabalho de observar. São também chamadas de ordens do amor que são: hierarquia (estabelecida pela ordem de chegada), pertencimento (estabelecido pelo vínculo), equilíbrio (estabelecido pelo dar e tomar/receber). Quando tais leis são violadas numa família, surgem compensações que atuam nos membros da mesma, como: depressões, doenças, dificuldades nos relacionamentos, dificuldades financeiras, etc. Graças à representação, o cliente pode perceber onde o seu amor está preso e o que ele pode fazer para que tais leis possam ser novamente respeitadas e o amor possa voltar a fluir. Então ele pode, talvez, enxergar o próximo passo que o conduza de uma maneira mais leve na vida, solucionando a questão que o incomoda.

Por que o nome “Constelações”?

O nome original do trabalho desenvolvido por Bert Hellinger em alemão é Familienaufstellung e significa, numa tradução literal, “Colocação [Representação] familiar”. Porém o verbo “stellen” em alemão foi traduzido ao inglês como “constellate”, ou seja, posicionar certos elementos numa configuração dada. Como o primeiro livro traduzido ao português veio do inglês e não do original em alemão, foi então traduzido como “constelações familiares”. O termo “constelação” aqui nada tem a ver com estrelas, astrologia, esoterismo ou similares, mas tem sim uma conotação de uma representação, uma colocação onde os elementos são posicionados numa certa configuração de relações.

Esta abordagem tem relação com alguma religião?

Não. A abordagem não está ligada a nenhuma religião ou credo. Também não pressupõe a necessidade de que o cliente creia em nada de antemão. É uma abordagem empírica e é baseada na própria percepção do cliente e dos representantes. Quem quer que misture essa abordagem com religião não está seguindo a metodologia segundo ela foi criada.

 

Qual é a base científica para  os fenômenos observados nas constelações familiares?

O fenômeno das constelacões é ainda algo em estudos. Não se firmou totalmente a base científica para o mesmo, mas os melhores estudos a respeito foram feitos pelo biólogo inglês Rupert Sheldrake, que criou a Teoria dos Campos Morfogenéticos e estudou o fenômeno em pessoas e em animais com grande êxito. Possui diversos livros publicados e executou inúmeras pesquisas cientificas com grande rigor estatístico. Tais livros foram traduzidos para  o português, sendo alguns dos mais conhecidos: “Por que os cães esperam seus donos” e “A sensação de estar sendo observado,” – editora Cultrix. As pessoas interessadas em compreender melhor esse fenômeno podem buscar respostas através de estudos como o de Sheldarake, pois durante nossos cursos  não nos ocupamos em explicar ou estudar o fenômeno em si, apenas o utilizamos em benefício do cliente para auxiliá-lo a esclarecer suas questões.

Qual a diferença entre Workshop Vivencial e Treinamento?

Um workshop vivencial é uma experiência limitada de um a dois dias, onde se reúnem pessoas que desejam solucionar alguma questão pessoal. Num workshop assim, a proposta é única, e somente trabalharmos com o interessado durante aquele evento, a partir de uma necessidade trazida por ele. Num treinamento, há uma proposta de crescimento mais profunda, e trabalham-se diversos temas, seguindo uma estrutura de módulos: meu lugar na minha família de origem, relacionamento de casal, relação de ajuda profissional, temas mais amplos como conflitos, postura do ajudante, constelações de negócios, etc. Um treinamento dura cerca de 1 ano e meio, onde fazemos 06 encontros num espaço de mais ou menos 3 meses e os alunos podem se desenvolver nos temas de maneira gradual e mais assistida, rumo a uma transformação mais profunda. O objetivo do nosso Treinamento é conduzir o aluno de forma que ele encontre uma postura tal que o permita ampliar cada vez mais sua percepção da realidade e da vida no dia-a-dia. É aberto a qualquer pessoa que esteja disposta a montar sua própria caixinha de ferramenta para usar na sua própria vida e até mesmo no seu trabalho. Todos são muito bem-vindos. O único pré- requisito é que seja maior de 18 anos.

 

Qual a diferença entre as opções de inscrição num Workshop Vivencial?

Opção de inscrição para Constelar: O cliente tem uma questão e gostaria de olhar sobre a luz dessa abordagem, então se inscreve para constelar e é atendido pelo Facilitador no decorrer do Workshop, participa efetivamente todo o tempo, assistindo e podendo ser convidado como representante em outras constelações.
Opção de inscrição para participar como Ouvinte: O cliente participa em tempo integral, assistindo e também pode ser convidado como representante. Apenas não terá um espaço para colocar uma questão pessoal, ou seja, não constela.

Posso ir com meu parceiro (a)?

Claro! O trabalho de um cônjuge, mesmo que seja de um tema pessoal, permite ao outro que o acompanha, perceber como os movimentos de amor de seu parceiro(a) se desenvolvem. Permite ver que por trás daquilo que o outro faz atua um amor profundo, antes não percebido e isso enriquece a relação e a compreensão mútua. Há exceções, por exemplo, quando um dos cônjuges não deseja que o outro vá. Nesses casos, o melhor é aceitar a necessidade de privacidade do outro. No entanto, temos recebido muitos casais em nossos Treinamentos e o que se mostra é que eles se unem ainda mais, caminham e crescem juntos!

Posso constelar para meu filho?

Isso depende. Por regra, os pais podem fazê-lo por seus filhos pequenos, mas nem sempre pelos filhos adultos. O motivo é simples. Uma criança está sob grande influencia de seus pais e portanto, muitos dos fatores que atuam numa criança passam pelo comportamento dos pais. Já com filhos adultos, a chance de que uma mudança no comportamento dos pais possa vir a ter algum efeito nos mesmos é muito menor. Há, contudo exceções em ambas situações e se esse é o seu caso, sugerimos que entre em contato com nossos organizadores locais e converse com ele sobre o assunto antes de vir ao workshop.

A partir de que idade é possível constelar?

Originalmente trabalhávamos apenas com maiores de 14-15 anos. Contudo, a experiência que acumulamos nos anos recentes e também a experiência de Bert Hellinger e sua esposa Sophie com crianças tem se mostrado muito frutífera. Nesses casos porém, os pais (ou pelo menos um deles) precisam estar presente. Temos recebido crianças de cerca de 8 anos que ficam tranquilas e participam ativamente dos workshops. Crianças muito pequenas não conseguem ficar sentadas e atentas ao trabalho todo o tempo e, portanto devem vir somente no momento de seu próprio trabalho, mas seus pais devem participar de todo o workshop. Lembrando que na verdade esse trabalho atua em toda a família, mesmo que os demais membros não estejam presentes.

É possível trabalhar com dependente químico?

Sim, com ressalvas. Alguns critérios precisam ser atendidos antes que possamos trabalhar com um dependente químico: ele(a) não pode estar “em surto” ou em “abstinência” e precisa “querer” realmente algo. Nossa experiência mostra que, muitas vezes, são os familiares que desejam muito que o dependente trabalhe e, de diversas formas, exercem pressão para que ele(a) venha para o workshop. Fazem isso com muito amor, mas é muito comum que não tenha nenhum efeito, pois é feito sem o desejo do maior interessado. No entanto, temos recebido muitas vezes os pais e esses podem constelar e podem perceber algo que seja útil e que possa liberar o seu filho(a).

Posso colocar uma questão de saúde?

Sim. Preste atenção, porém, que esse trabalho não é um substituto para o tratamento médico adequado. Temos tido experiências muito enriquecedoras trabalhando com esse tema. Você pode ver algo mais sobre esse tema, assistindo aos vídeos nos links a seguir: Saúde e Doença na Família e Saúde na Família.

É necessário que o cliente saiba de todas as informações relativas a seus pais, avós e bisavós?

Não. Não é necessário. Como regra, quase sempre aquilo que atua em uma família nem sempre é totalmente sabido por todos os membros dessa família. Por exemplo, é comum que relações amorosas dos pais ou avós que antecedem o casamento dos mesmos sejam pouco conhecidas pelos filhos ou netos. Sendo assim seria inútil a alguém querer saber de antemão todas as informações relevantes, mesmo porque essa pessoa não saberia exatamente que informações buscar e nem com quem da família deveria fazê-lo. Habitualmente as constelações tem a propriedade de descortinar as informações cruciais que tem relevância. Aliás, esse é o maior mérito dessa abordagem. Assim sendo, para quem deseja participar, sugerimos apenas relaxar e participar sem se ocupar em levantar informações prévias. O essencial se mostra através do trabalho em si.

O Treinamento é somente para quem vai trabalhar com esta abordagem?

Não, ele se destina primariamente a auxiliar os alunos a encontrarem uma postura que lhe permitam ampliar sua percepção da realidade e como utilizar isso para encontrar soluções úteis no dia-a-dia. É claro que quando alguém se aprofunda na percepção, poderá eventualmente vir a trabalhar com a abordagem, porém pessoas interessadas em seu próprio crescimento pessoal também têm nesse treinamento uma excelente oportunidade. Oferecemos ainda, um curso de Aprofundamento em 03 módulos para aqueles que concluíram o Treinamento Básico e desejam trabalhar diretamente com a abordagem.

Preciso continuar participando dos workshops depois que fiz o primeiro?

De modo algum. Um workshop busca auxiliar cada um a dar um passo numa boa direção, através de uma representação de sua questão. Porém, é comum que devido a grande efetividade do método e em face aos bons resultados anteriormente obtidos, nossos clientes muitas vezes retornem mais tarde com outras questões a serem solucionadas ou simplesmente participarem sem constelar (ouvinte).

Posso constelar e ir embora?

Pode. Porém é uma pena, por várias razões. A primeira é que num workshop o trabalho dos demais integrantes é uma grande oportunidade de aprendizado para todos. A segunda é que sendo representante ou assistindo também se ganha algo. Assim você pode sair de um workshop com muito mais. Além do que foi buscar com sua questão específica, ou seja, o maior aproveitamento está em participar todo o tempo. Por último, para que um integrante tenha a oportunidade de ter sua família representada, ele usa os demais integrantes do grupo como representantes, se cada pessoa for indo embora na medida que constela, quem estará disponível para os demais que ficaram? Felizmente, essa não é a prática corrente da maioria dos inscritos, em nossa experiência.

É possível marcar um horário em que eu possa constelar e não ter que participar do workshop inteiro?

Não isso não é possível, pois o trabalho não acontece de forma cronometrada. Muitas vezes a pessoa precisa de um certo tempo para poder estabelecer claramente sua prioridade ou questão e não podemos garantir que alguém estará “pronto” para constelar numa determinada hora marcada com antecedência.E como dissemos acima, para que uma pessoa tenha a oportunidade de ter sua família representada (colocar sua constelação), ele usa os demais integrantes do grupo como representantes, se cada pessoa for indo embora à medida que constela, quem estará disponível para os demais que ficaram? Além disso, a riqueza de participar de um workshop vivencial esta nas experiências compartilhadas em todo o período que o grupo esta junto.

Posso participar somente do último período do workshop?

Não. Nossa experiência de mais de uma década mostrou que o grupo de participantes vai “amadurecendo” ao longo do trabalho e nutrindo uma confiança recíproca. Quando permitimos a entrada de novos participantes no final do evento isso cria uma desarmonia no trabalho com o grupo, também porque o novo participante não está a par do que foi dito ou feito antes. O próprio participante que chegar no último período certamente não se sentirá a vontade, pois não perceberá o que os outros já estão percebendo e ficará com muito pouco do todo que pode ganhar participando desde o inicio.

Posso colocar mais de uma questão num mesmo workshop?

Não. Há muitas razões pelas quais isso não é recomendável. Além das restrições de tempo, observamos ao longo dos anos que uma constelação produz um profundo efeito na pessoa que a experimenta. Houve situações, no início de nossa experiência com as constelações, quando fizemos com alguns clientes, mais de uma constelação no mesmo workshop. O que observamos é que a pessoa ficava bastante “sobrecarregada” e cansada. Além disso, a consecução de dois trabalhos num intervalo de tempo tão curto produz uma certa “perda de foco” no cliente que se vê avassalado por uma grande carga de informação emocional. Sendo assim, não recomendamos e nem fazemos mais de uma constelação com o mesmo cliente num único workshop.

Se vou para o workshop com três questões muito importantes, mas trabalho apenas uma, depois o que eu faço com as outras duas?

Ao contrário do que muitas pessoas acreditam, quando trabalhamos com sistemas, observamos que poucas causas geram uma miríade de efeitos. Como diz Bert Hellinger, “todos os raios de uma roda se unem no mesmo centro”. Uma desordem fundamental gera uma sequência de perturbações em diversos aspectos da vida do indivíduo que parecem, a princípio, desconectados entre si, mas na verdade estão ligados e são interdependentes. Já observamos pessoas constelarem até 4 temas “diferentes” em momentos diferentes, e as 4 constelações, feitas por 4 consteladores diferentes gerarem ao final a mesma imagem de solução, já que o movimento que se mostrou como essencial desde a primeira vez não havia sido feito pelo cliente. Sendo assim, se você escolhe um tema realmente importante, a constelação o levará a um ponto essencial para a solução. Uma vez que tal imagem é tomada seriamente pelo cliente isso produz, geralmente, efeitos em diversos aspectos de sua vida. Por regra, sugerimos a cada cliente que aguarde algum tempo antes de constelar “outros temas”, exatamente por isso. Porém, se depois de algum tempo os demais temas ainda permanecerem importantes e se você ainda não consegue resolvê-los sozinho, aí sim talvez você queira possa buscar novamente ajuda.

Quero somente constelar, devo participar do Workshop vivencial ou do Treinamento?

Se você tem uma questão clara, então pode ir a um workshop vivencial, pois isso deve bastar para auxiliá- lo a se mobilizar em direção a uma solução. Um treinamento envolve uma proposta de aprofundamento e por um tempo mais longo de trabalho, e diversos temas. Portanto, se você quer compreender mais profundamente as Leis do Amor que regem os relacionamentos humanos, o Treinamento lhe será muito útil.

Gostaria muito de conhecer Bert Hellinger, mas não me interesso em fazer treinamento, como posso fazer?

Hellinger, desde 2005, vinha regularmente ao Brasil todo ano para um evento. Houve um intervalo entre 2010 a 2012. Desde então ele retornou para um evento anual em SP. Tem trabalhado regularmente na Alemanha. Com certeza, você conseguirá participar de algum evento com ele. Se desejar, por favor veja sua agenda em www.hellinger.com

Quero ler algo sobre esta abordagem, onde posso encontrar?

Hoje, graças ao trabalho que também desenvolvemos na Editora Atman, existem muitos títulos traduzidos para o português. Há duas editoras que traduzem e publicam trabalhos de Hellinger e outros autores sobre Constelações Familiares: a editora Cultrix (www.cultrix.com.br) que tem 9 títulos publicados sobre esse tema e a editora Atman (www.atmaneditora.com.br) com 20 títulos publicados. Essa última editora também publica DVD’s com vídeos de trabalhos de Bert Hellinger, e não cobra frete no envio de mercadorias para todo o Brasil, o que facilita as compras através do site. Você também pode encontrar os livros da Cultrix no site da Atman. Há ainda alguns textos em nosso site sobre diversos temas relacionados à abordagem. Veja o link   http://www.ibhbc.com.br/principal/index.php/mais-informacoes-2/textos-sobre-constelacoes. Você pode também visitar a fanpage: Editora Atman no facebook.

Seria bom ler um livro antes de participar de um workshop vivencial?

Não há necessidade, porém se o participante realmente desejar, pode fazê-lo. Nesse caso sugerimos como primeira leitura o livro: A fonte não precisa perguntar pelo caminho, Bert Hellinger, editora Atman ou Ordens do Amor, Bert Hellinger, editora Cultrix. Os sites para aquisição são: www.atmaneditora.com.br ou www.cultrix.com.br, respectivamente.

É indicado que vá a família inteira para constelar?

Não é preciso, no entanto isso não é proibido. Já tivemos diversas situações onde muitos membros de uma mesma família estavam presentes num grupo, e em todas as ocasiões sempre se mostrou útil para todos. Porém, quando se trabalha numa constelação sempre precisamos ter em conta que o melhor interesse de todos os membros familiares deve ser levado em consideração e o respeito por todos é uma condição primordial para o trabalho, estando esses presentes ou não.

Posso colocar uma questão empresarial?

Claro. As empresas também estão submetidas às mesmas leis que regem as relações humanas, pois são compostas por pessoas. Nesse caso, porém, temos que levar em conta que somente podemos trabalhar com questões onde o participante tem poder de mudar, ou seja, não podemos constelar uma questão onde o poder de decisão na verdade pertence à outra pessoa, como por exemplo o meu chefe ou o dono do negócio no qual sou empregado. Posso, entretanto, constelar o departamento do qual sou chefe, pois aí tenho poder de decisão.

É possível constelar problemas com o dinheiro?

Sim, perfeitamente. Tais questões via de regra tem profundas ligações com as relações dentro da família. Muitas dinâmicas surpreendentes, envolvendo dificuldades com dinheiro, vem à luz através das constelações.

“Síndrome do pânico” é possível constelar?

Não trabalhamos com o foco em doenças, mas em pessoas e suas questões. A síndrome do pânico é um diagnóstico médico e envolve uma reação a diversas questões de fundo familiar diferentes. Assim, não constelamos a “síndrome do pânico”, mas as questões e dificuldades ou temas da pessoa que talvez tenha recebido tal diagnóstico. Repetindo o que já dissemos antes, nas constelações não trabalhamos com diagnósticos médicos e não pretendemos substituir o tratamento médico ou nos colocar acima dos médicos e da medicina. Trabalhamos com foco nas dinâmicas de amor que atuam na família, amor esse que pode levar à doença, mas também à cura. No entanto, isso às vezes tem profundos efeitos terapêuticos, mas não é um substituto para a medicina.

Sou professora, esta abordagem pode me ajudar com meus alunos?

Muito! Existe hoje, inclusive no México e na Espanha, universidades que ensinam essa abordagem aplicada às escolas – a Pedagogia Sistêmica. No Brasil, a editora Atman (www.atmaneditora.com.br) traduziu e publicou o livro Você é um de nós, de Mariane Frank-Gricksch – onde ela relata sua vasta experiência de como é possível a aplicação dessa abordagem com alunos em sala de aula, com grande sucesso. Mariane tem oferecido alguns workshops no Brasil, eventualmente. E mais recentemente, treinamento. Em nosso site também coletamos relatos de professores e educadores do Brasil que aplicaram e aplicam com sucesso essa abordagem em sala de aula. Veja na parte de “Textos Pedagogia Sistêmica” de nosso site. O link é http://www.ibhbc.com.br/principal/index.php/mais-informacoes-2/textos-sobre-pedagogia-sistemica

Tenho que tomar uma decisão séria em minha vida, posso constelar isso?

Sim, e inclusive a constelação habitualmente pode revelar muito sobre a situação em si, ampliando a visão de quem necessita tomar uma decisão sobre as muitas questões contextuais que quase sempre a pessoa envolvida não consegue perceber por estar muito “dentro” da questão. No entanto, isso não deve ser usado como uma prescrição.

Estou grávida, posso participar de um workshop e/ou treinamento?

Claro, desde que não seja uma gravidez de risco, já que essa requer muitas vezes até mesmo repouso relativo da gestante. Porém é bom que o(s) facilitador(es) e o organizador seja(m) informado(s) do fato de você estar grávida de modo a proporcionar-lhe mais conforto durante o evento.

Posso constelar uma questão da minha sobrinha que mora com os meus pais?

Não, nesse caso a mãe e/ou pai da sobrinha talvez pudessem, mas a tia ou o tio não tem tal autoridade, mesmo que ame muito a sobrinha. Isso seria se colocar acima dos pais, mesmo que com muito amor.

Estou tomando medicamento antidepressivo, posso participar de um workshop vivencial?

Sim, pode. O trabalho com as constelações não é um substituto para o tratamento médico, mas é um ajudante poderoso. Não recomendamos a ninguém que retire seus medicamentos e nem prescrevemos medicamentos a ninguém no trabalho de constelações. No entanto, se você estiver tomando alguma medicação que altere seu estado de consciência, por exemplo lhe deixa apático, sonolento etc., sugerimos que aguarde, pois o seu aproveitamento poderá ser bastante prejudicado.

É possível um deficiente físico constelar?

Sim, claro.A deficiência física não interfere no trabalho. Recebemos pessoas com limitações físicas e isso nunca foi um fator que o impede de participar, inclusive são convidados a serem representantes como qualquer outro membro do grupo.

Posso fazer Treinamento sem ter participado de um workshop vivencial?

 

Sim, pode. Num treinamento a proposta de trabalho é mais intensa e profunda, e abrange tudo o que é feito num workshop vivencial e mais ainda.

Sou muito cético, mesmo assim seria possível aproveitar algo desta abordagem?

Essa é uma abordagem empírica, ou seja, baseada na observação direta dos fenômenos que percebemos no cliente e nos representantes. Um ceticismo saudável é sem dúvida uma boa postura para quem deseja algo de qualquer abordagem, e também é o caso das constelações. Não é necessário nenhuma fé, crença, religião etc. para poder participar e aproveitar algo. Hellinger descobriu certas leis naturais que regem os relacionamentos humanos e tais leis são tão verificáveis quanto a lei da gravidade, se nos dermos ao trabalho de observar. Aliás, sempre sugerimos aos participantes que não “acreditem” em nada daquilo que falamos, mas que verifiquem pela própria observação.

Esta abordagem tem algo com o esoterismo?

Não. Hellinger sempre fundamentou seu trabalho na observação empírica dos fenômenos observados através dos representantes e dos clientes mesmos. Conceitos como “alma” e “espírito” no trabalho de Hellinger tem bases empíricas verificáveis e nada tem a ver com os conceitos que tais palavras têm no jargão habitual do esoterismo.

É Bert Hellinger quem dará o workshop vivencial ou Treinamento Basico?

Não. Bert Hellinger hoje é um palestrante de renome internacional e não trabalha com pequenos grupos e sim com grupos maiores de pessoas, geralmente treinamentos avançados ou workshops focados em temas específicos como organizações, trabalho com casais, etc. em diversas cidades do mundo. Os workshops vivenciais oferecidos pelo IBHBC são desenvolvidos pelo casal de facilitadores Décio e Wilma Oliveira que contam com mais de uma década de experiência na abordagem e foram os organizadores dos seminários de Bert Hellinger no Brasil entre 2005 a  2009.

Tem algum livro ou texto que fala sobre psicoses?

Sim, existem livros em alemão tratando especificamente sobre o tema das constelações com pacientes psicóticos. Entretanto nenhum foi traduzido para o português até o momento.

Este workshop e/ou treinamento é somente para psicólogos?

Não, ele é aberto a qualquer pessoa que deseje crescer e expandir sua percepção sobre as leis que governam os relacionamentos. O único pré- requisito é que seja maior de 18 anos, no caso do treinamento. No caso do workshop, recomendamos que, se menor, venha acompanhado por um dos responsáveis.

Tem que ficar interno ou pode almoçar e dormir em casa?

Nosso cronograma de trabalho envolve geralmente uma hora e meia a duas horas para almoço. Terminamos geralmente entre 18 e 19 horas em workshops e 20:30 horas em treinamentos básicos de forma que os participantes possam retornar para casa.

Estou com a perna quebrada, posso participar?

Sim, pode desde que não haja uma restrição médica para o seu transporte até o local do evento. Pedimos que comunique sua limitação ao organizador para que ele possa cuidar de oferecer maior conforto.

Por ser um trabalho em grupo, me preocupo se haverá exposição.

Nesse trabalho não solicitamos dados ou detalhes pessoais de foro íntimo. Também o cliente sempre tem a possibilidade de se recusar a revelar algo que considere constrangedor e parar o trabalho, a seu pedido. Porém a atmosfera respeitosa e de não-julgamento que impera no trabalho de constelações, via de regra, faz com que tais preocupações sejam infundadas. Por outro lado, geralmente as famílias, mesmo diferentes, tem histórias similares.

O que é melhor, participar como ouvinte ou constelar?

Isso depende da necessidade individual de cada pessoa que participa. Se a pessoa em questão já tem uma necessidade ou um tema pessoal importante o qual deseja solucionar, então a inscrição deve ser feita para constelar. Em outros casos sugerimos a inscrição como ouvinte, no caso de alguém que já constelou outras vezes e deseja ainda aprender mais com o trabalho, mas não tem no momento um tema, ou ainda no caso de alguém que deseja apenas ter um contato inicial com a abordagem antes de se decidir a colocar um tema para uma constelação.

Tenho parentes que moram no exterior, como posso indicar pra eles?

Nesse caso sugerimos que acesse o site do próprio Bert Hellinger (www.hellinger.com) e encontre lá a informação sobre um profissional para referenciar seus amigos e parentes. Outra possibilidade é que você nos contate pessoalmente por email (info@ibhbc.com.br) e nos informe onde o seu parente reside de modo que possamos referenciar com base em nossos conhecimentos de profissionais estrangeiros com os quais temos ou já tivemos contato.

Tenho um compromisso que coincide com o início do workshop, é possível começar depois?

Sim, é possível, mas não é aconselhável. Sugerimos não perder parte alguma do curso, especialmente a abertura, que é quando apresentamos aos participantes as bases e instruções básicas sobre a filosofia de Bert Hellinger e do trabalho em si. Quando alguém falta e perde por exemplo, 30% do conteúdo, pode ficar “meio perdido” e ter dificuldades para compreender direito as dinâmicas que surgem. Sugerimos que em cursos vivenciais (02 dias de duração) não se perca mais do que um período (uma manhã ou uma tarde). Não permitimos o ingresso de novos participantes após este período de tolerância, pois o grupo se sente meio alheio a participantes que ingressam muito depois que todos os demais, por isso estabelecemos esse limite, que tem se mostrado adequado de acordo com a nossa experiência.

Eu e minha esposa não estamos nos entendendo muito bem e gostaríamos de saber mais sobre este trabalho e como ele poderia nos ajudar.

Essa é uma abordagem muito útil para casais com dificuldades. Muitas vezes, os parceiros se amam, querem muito seguir juntos de uma boa maneira, mas tem dificuldades. Aquilo que leva a tais dificuldades pode se originar de questões inconscientemente ligadas à lealdade de um ou ambos os parceiros a fatos e problemas ocorridos na maioria das vezes, na família de origem de cada um ou a questões ligadas ao próprio casal e que não são adequadamente solucionadas antes, como a questão do equilíbrio entre eles. Para aqueles que querem saber mais, sugerimos a leitura dos livros:

E/ou que você assista ao vídeo:

Ah, então faço uma constelação para família de origem e posso fazer outra para o meu casamento?

Bem, não se faz simplesmente uma constelação “para a família de origem”. Uma constelação é feita para um tema específico, a partir de uma necessidade. Muitas vezes, por exemplo, alguém coloca como tema suas dificuldades com o parceiro(a) e o desenrolar da constelação nos leva a algo que atua na família de origem (como por exemplo uma relação difícil com nosso pai ou mãe). Nesse caso, aquilo que ocorre no relacionamento de casal é apenas um “efeito” de algo que atua entre o parceiro(a) e sua família de origem. Sugerimos sempre que a pessoa se concentre no tema que atualmente tem mais importância e prioridade. Geralmente, na nossa experiência, isso nos leva a somente UM tema REALMENTE significativo.

Nas constelações se mostra aquilo que é essencial. O que seria esse grupo de treinamento?

É um grupo de pessoas que desejam utilizar a abordagem para seu desenvolvimento pessoal de forma mais profunda e sistemática ou para mais tarde trabalharem com a abordagem. O objetivo do nosso Treinamento é conduzir o aluno de forma que ele encontre uma postura tal que o permita ampliar cada vez mais sua percepção da realidade e da vida no dia-a-dia. É aberto a qualquer pessoa que esteja disposta a montar sua caixinha de ferramenta para usar na sua própria vida e até mesmo no seu trabalho. Todos são muito bem-vindos. O único pré- requisito é que seja maior de 18 anos.

Como faço para promover um workshop vivencial em minha cidade?

Entre em contato conosco através do email: info@ibhbc.com.br e teremos prazer em tornar isso possível.

Como posso saber onde e quando o  IBHBC estará promovendo seus eventos?

Basta olhar no link “Agenda” desse site. Aí se encontra nossa agenda que está sempre atualizada. Você pode acessá-la clicando aqui.

O que é o IBHBC  –  “Instituto Bert Hellinger Brasil Central”?

O IBHBC (Instituto Bert Hellinger Brasil Central Cursos e Treinamentos Ltda.) é uma empresa privada, nacional, voltada para o ensino da Abordagem Sistêmica Fenomenológica segundo as bases desenvolvidas pelo filósofo alemão Bert Hellinger. Somos uma “escola livre” onde através do ensino das leis e posturas apropriadas as pessoas podem aprender como se beneficiar dessa abordagem em benefício próprio e até mesmo como ajudar outros, em diferentes contextos. Graças a uma autorização, do próprio Bert Hellinger em 2005, nossa empresa anteriormente denominada “Instituto Holon” foi renomeada com esse nome atual. Trabalhamos intensamente há mais de uma década na divulgação dessa abordagem pelo Brasil, bem como em outros países. Não somos uma filial administrativa do escritório de Bert Hellinger na Alemanha nem somos “representantes” dele no Brasil.

 

Caso ainda tenha alguma pergunta que não tenha sido respondida acima, queira, por gentileza, nos enviar.

Para isso, clique aqui e nos envie sua mensagem com a pergunta.

Seja bem-vindo!

Essa agenda está sempre atualizada, portanto, você pode se programar tranquilamente por ela.

  1. Veja que ao clicar no link DATAS a página que abriu lhe mostra os eventos do mês atual.
  2. Caso você queira conferir de eventos de outro mês, veja que antes do nome do mês tem 02 setas que lhe encaminha para os meses anteriores ou posteriores.
  3. Clique na seta até alcançar o mês desejado. Por favor, aguarde um tempo para carregar a página.
  4. Os eventos estão listados em cores distintas, por exemplo: Workshops em vermelho, Treinamentos em verde etc.
  5. Para obetr informações sobre horários, local e contatos do organizador, basta clicar sobre o evento desejado.

 

 

Aprendendo com a barriga no tanque e no fogão

 

Quem sou eu? Qual é o meu lugar nesse mundo?

 

Obrigada por estar aqui por um tempo comigo!

Já que esse é nosso primeiro encontro, gostaria primeiro de te contar de onde eu vim e onde estou.

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Sou a primeira dos 09 filhos do Sr Odilon e da D. Inêz. Venho de uma linhagem simples e de grande sabedoria, que cada vez mais me ocupa. Quanto mais me esvazio, mais plena me torno de tudo que jorra deles para mim.

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Sou mulher do Décio, mãe do Henrique e da Clara.

Esse é o lugar que me foi destinado nesse mundo maravilhoso para que eu possa seguir tornando-o ainda mais belo.

O que mais gosto de fazer é cuidar do ambiente onde vivo com minha família para que todos sintam vontade de voltar para casa todos os dias!

Gosto de ir para a cozinha transformar alimentos em pratos saborosos e enquanto os transformo, algo se transforma também dentro de mim.

Não sou de muita conversa e geralmente quando falo não soa muito agradável para alguns, pois tenho uma mania não muito querida de ir direto ao essencial. E isso se acentua na medida em que passo mais tempo aqui. É como se não tivesse o direito de me enrolar e também de enrolar as pessoas, dizendo aquilo que me deixa bem ou dizendo aquilo que as deixariam felizes comigo, mesmo que não fosse a verdade que está em meu coração.

Também, tenho percebido e estado atenta a alguns sentimentos que agora os chamo de sentimentos de luxo. Por exemplo, não me permito mais me magoar com alguém. Se já tenho a convicção de que sou eu a responsável pelo que sinto, então não posso mais me dar ao luxo de sentir coisas que me distraem do essencial.

Cada vez mais, tenho ido além de mim mesma para permanecer em sintonia com aquilo que me conduz e que conduz a todos.

Compartilho hoje, junto com meu marido, coisas lindas, pequenas e ao mesmo tempo, grandiosas, concretas e ao mesmo tempo imensuráveis, experiências pessoais e de pessoas que nos procuram. E isso tem feito uma pequena grande diferença na vida de algumas pessoas que se deixam tocar pelo que compartilhamos.

Algumas perguntas, decidi deixar de lado. Tais como: Existem outras vidas? Bem se existir, então devo viver da melhor forma possível aqui e agora pra seguir mais leve na próxima. Se não existir, também devo viver da melhor forma possível aqui e agora, pois é o tempo que me é devido. Assim, não me distraio com esse tema. Outra pergunta: De viemos e pra onde vamos? Sei que a vida fluiu dos meus pais até mim e ainda pude passa-la adiante juntamente com meu marido. Portanto, que ela tenha chegado através dos meus pais pra mim, basta. E que ela siga adiante através dos meus filhos, também basta. Para mim, é o suficiente para me alegrar e ser grata por estar aqui.

Não me preocupo com o futuro, mas procuro me ocupar do presente e acolher, com amor, o passado. Assim, o futuro tem mais chance através de mim.

Bem, isso é um pouquinho de mim e do que tenho cozinhado… Sigo por aqui,  a partir desse olhar de “cozinheira”, compartilhando pequenas coisas com vocês!

Em nosso próximo encontro, apresentarei um “prato” muito importante pra mim. Ele é composto de “Coisas que aprendi com a minha Vovó!”

 

 

O que é constelação familiar? Como ela pode ajudar você e a sua família?

 

Quando surgem conflitos nas relações familiares, tendemos a nos perguntar O QUE foi que fizemos de errado.

Poucas vezes entretanto nos perguntamos se fizemos as coisas da maneira adequada.

Ou seja, além do que fizemos precisamos ver COMO fizemos.

Vontade e Destino

Aspectos Polêmicos das Constelações Familiares

Jakob Robert Schneider

Abordarei a seguir, de uma perspectiva pessoal, alguns aspectos do trabalho com constelações familiares que podem ser socialmente desafiadores. Deixo ao leitor discernir o que nisso é realmente novo e leva a novos modelos da ajuda, e o que apenas provoca os espectadores, embora já goze, de longa data, de aceitação geral.

A constelação familiar

Para o nosso entendimento de processos psíquicos, a vivência de constelações é de fato desafiante. Até mesmo consteladores experientes se surpreendem sempre com o que nelas observam e experimentam. Como é possível que os representantes se sintam, falem e apresentem sintomas como os membros da família, embora não os conheçam e disponham de pouca ou nenhuma informação sobre eles? Para esse fenômeno ainda não temos explicação, muito menos uma explicação científica. Mas nos espantamos, descrevemos os processos e procuramos, às vezes, imagens ou modelos que os façam aparecer como compreensíveis e comunicáveis, sem postular explicações precipitadas.

Talvez a explicação mais simples seria esta: o cliente exterioriza sua imagem interna, e a posição dos representantes reproduz uma certa estrutura de relacionamento que está arquivada em nosso aparelho de percepção, com sua respectiva dinâmica. Mas como se explica que os representantes sintam coisas tão diversas em constelações de configurações semelhantes ou mesmo idênticas? Por que razão surgem nas constelações processos que tocam emocionalmente o cliente e fazem sentido para ele, mesmo quando o terapeuta escolhe e coloca os representantes, ou quando se coloca apenas uma pessoa – para não falar das chamadas “constelações invisíveis” -?

Uma teoria bem aceita entre os círculos de consteladores é a de Ruppert Sheldrake e seus “campos morfogenéticos”. Entretanto, mesmo ela, só nos fornece, até o momento uma explicação de caráter mais metafórico. Mas a falta de uma explicação científica para um fenômeno observável não prova a inexistência desse fenômeno. As observações de uma “participação psíquica” para além das informações comunicadas são tão numerosas e tão independentes da experimentação dos consteladores individuais que também pode ser útil a observação atenta de pessoas externas à “cena”.

Por exemplo, um representante coloca de repente as mãos nos ouvidos e diz: “Não estou escutando nada” e o cliente que colocou as pessoas diz, estupefato: “Meu irmão, quando era pequeno, ficou soterrado na guerra e desde então ficou surdo”. O que acontece num caso como este?

Outro exemplo: O representante do irmão de uma cliente é introduzido na constelação dela, e a representante da cliente exclama: “Não tenho mais o antebraço”, e a cliente exclama, espantada: “Meu irmão teve de amputar o antebraço aos vinte anos depois de um acidente”. O que explica este caso?

Mais um exemplo: Numa constelação, o representante do avô da cliente leva ambos os braços ao rosto. Perguntado sobre o que acontece, responde: “Algo me atinge os olhos e me arranca a cabeça”. Com efeito, esse avô, quando mostrava à sua tropa como desarmar uma granada, a fizera explodir por descuido e ela lhe arrancou a cabeça. E não foi dada informação prévia sobre esse fato.

Tais exemplos poderiam prosseguir indefinidamente. Naturalmente, tais observações dramáticas não constituem a regra nas constelações, porém são suficientemente freqüentes para gerar confiança no que se manifesta nelas.

Um professor que veio participar de um grupo com ceticismo, escreveu posteriormente numa carta: “… Embora me pareça haver muito de verdade na forma de ver o mundo como uma união de almas, na necessidade de intervir reconciliando e de proporcionar a cada criatura seu lugar condigno, parece-me um mistério que pessoas estranhas fiquem disponíveis e caiam em bloco sob o feitiço de pessoas inteiramente desconhecidas, comportando-se como elas. Minha própria constelação atestou isso, na medida em que os representantes agiram de um modo incrivelmente “autêntico”, inclusive em alguns detalhes que não puderam perceber de nossa conversa preliminar, por exemplo, a reação de minha filha…” Todos os consteladores conhecem declarações e surpreendentes concordâncias como esta, mas essas experiências não constituem provas. Seria preciso sermos cegos se pretendêssemos simplesmente ignorar esses fenômenos que questionam nosso entendimento atual de processos de informação.

Explicar os fenômenos das constelações como frutos de sugestão pelo constelador ou como uma espécie de mágica de grupo ou mesmo como charlatanismo seria igualmente precário. Presume-se que, dentro de prazos previsíveis, os cientistas irão examinar em que medida o recurso à constelação será válido para a pesquisa socio-psicológica e para os processos terapêuticos, e irão desenvolver novas teorias, talvez fundamentadas, sobre essa difusão de informação em contextos anímicos e comunicativos. Também em muitos domínios das ciências naturais a teoria freqüentemente se segue à observação. A falta de uma teoria não significa ainda, que estamos nos movimentando em áreas esotéricas. Além do mais, muitas teorias até aqui não confirmadas da moderna física, por exemplo, a teoria dos universos paralelos, fazem um efeito bem mais espetacular e “esotérico” do que o que observamos nas constelações.

A alma – o “campo dotado de saber”

As constelações familiares se referem de uma nova maneira àquilo que chamamos de “alma”. Podemos denominar assim a força invisível que animando (ou pelo menos no mundo animado) congrega partes num todo de uma tal maneira que o todo é mais do que a soma das partes e de suas funções dentro dele. A alma não se identifica com nossa consciência, pois inclui o inconsciente. E não se identifica com os processos fisiológicos e físicos em nosso corpo e em nosso cérebro, embora esteja inseparavelmente unida a eles. Não se identifica tampouco com nossos sentimentos, embora o sentir seja o modo de expressão por onde se experimenta a alma.

Ela é antes como o espaço ou o campo que une, ultrapassando espaço e tempo, tudo o que constitui uma pessoa, criando uma identidade. A abordagem típica da ciência natural atual, que busca o que “não difere”, a saber, as partes e partículas e suas mútuas conexões, exclui por seu próprio método a possibilidade de descobrir uma alma. Porém nossa experiência quotidiana se dirige ao que é “mais do que”. Não há conversa, nem arte, nem política, nem vida de relacionamento sem participação da alma. Como a experiência psíquica não pode ser reduzida ao que material e quantificável, a língua desenvolveu “palavras da alma” como liberdade, paciência, espírito, coragem, amor, etc. O que entendemos por “amor” não pode ser adequadamente entendido a partir de genes ou de funções do cérebro.

Sabemos que para falar dos domínios da alma dependemos de imagens, metáforas, imprecisões, vivências, experiências, intuições perceptivas, bem como da função anímica da avaliação sensitiva e de coisas semelhantes. Por mais que as ciências da natureza nos ajudem com seus conhecimentos e nos obriguem, por exemplo, a repensar nossa liberdade de decisão, a ocupação com a alma, que ultrapassa o âmbito da experiência da vida, pertence mais às ciências do espírito ou à psicologia como ciência do espírito. O trabalho com as constelações familiares se apresenta no concerto da teoria e da prática psicológica modernas de um modo amplo e desafiador, descortinando a alma redescoberta e suas leis.

Da mesma forma como em nossa alma pessoal somos maiores do que aquilo que percebemos conscientemente em nós, assim também em todos os níveis de relações estamos envolvidos em contextos maiores, formados, em termos anímicos, por “espaços” ou “campos” (tomados como metáforas), que juntam as partes para constituir algo “mais” e “maior”: uma união familiar, um grupo de amigos, uma empresa, uma comunidade social, um Estado – que se integra na natureza e no cosmo como um todo. Essa nossa vinculação, em sua grandeza e totalidade, recebe freqüentemente de Bert Hellinger a denominação de “grande alma”. Isso não significa para ele algo místico ou do além, mas a totalidade da existência individual e coletiva, que justamente através das conquistas das ciências naturais nos aparece de modo cada vez mais misterioso, nos sustentando, ligando e talvez mesmo dirigindo.

Entre os consteladores também existem divergências sobre a conveniência e a medida em que se falar de alma. Para alguns isso envolve uma carga excessivamente mística ou religiosa. Outros não partilham essas restrições. Pois diariamente, ao abrirmos um jornal ou revista, lemos em diversos artigos, seja na política, na economia ou na parte esportiva a palavra “alma” num contexto imediatamente inteligível para cada caso. Por exemplo, em manchete: “O templo de Ankor e a alma ferida do Camboja: em busca de nossa identidade”.

Quando se fala de “alma”, seja no trabalho com as constelações, seja de modo geral na psicoterapia ou na vida quotidiana, isso não acontece com ânimo anti-científico. Um consultor familiar não pode esperar que a ciência natural lhe forneça dados e métodos exatos, cientificamente comprovados e universalmente reconhecidos, para a solução de conflitos conjugais. Ele trabalha de uma forma mais ampla, orientado por vivências e pelas “regras da alma”. Uma das realizações de Bert Hellinger é ter condensado e desenvolvido um modelo preexistente de constelações familiares, reduzindo ao essencial, de uma forma experimentável, os processos anímicos e os complexos contextos de relações, abrindo o acesso a mudanças profundas na alma. Quem se disponha a isso, pode comprová-lo pela própria prática do próprio Bert Hellinger, amplamente documentada, e de milhares de consultores e terapeutas.

O sistema

Por ocasião do aconselhamento matrimonial, no mais tardar, percebe-se que o modelo puramente causal de explicação não é mais utilizável quando ouvimos um dos parceiros e lhe damos razão, e ouvimos o outro parceiro e igualmente lhe damos razão. As dinâmicas do relacionamento e os processos da alma são contextos altamente complexos, que não podem ser suficientemente apreendidos recorrendo a explicações e conexões causais lineares. Por esta razão, já vem sendo colocada há mais tempo no domínio psicossocial a seguinte questão: “Como é possível intervir adequadamente nos sistemas de relação sem se deixar apanhar nas armadilhas do pensamento e do discurso causal, mas respeitando ao mesmo tempo a determinação estrutural dos sistemas vivos? A psicoterapia sistêmica de enfoque construtivista encontrou para isso um caminho muito elegante. Ela utiliza a estrutura causal da linguagem, por exemplo, por meio de perguntas circulares, de tal maneira que uma família já não consegue manter facilmente as descrições causais que sustentam o comportamento sintomático. O sistema de relações é estimulado por meio de perguntas hipotéticas a desenvolver por si mesmo comportamentos novos e mais funcionais para a vida familiar.

Em que medida a constelação familiar é um método sistêmico? Primeiramente, ela percebe o cliente, desde o início, em conexão com as pessoas relevantes de seu campo relacional. As constelações permitem experimentar imediatamente como o comportamento humano apresenta uma multiplicidade dos aspectos cambiantes, conexões e interações. Até o momento, nenhum outro método visando informação e intervenção possui uma perspectiva sistêmica tão ampla como as constelações familiares, abrangendo gerações, embora se deva também mencionar Ivan Boszormenyi Nagy, Helm Stierlin e outros, que direcionaram a terapia sistêmica familiar para uma perspectiva multigeneracional.

O simples significado do “emaranhamento” basta para mostrar que nas constelações não se manifestam apenas os fenômenos individuais causais lineares do relacionamento. O olhar para o enredamento de destinos e para o efeito de eventos traumáticos nos sistemas familiares, freqüentemente através de várias gerações, ampliou e aprofundou, de modo impressionante, o pensamento sistêmico e o correspondente procedimento terapêutico. Nenhum método na psicoterapia conseguiu até hoje, como as constelações familiares, tornar visíveis e experimentáveis os processos de compensação sistêmica que atravessam gerações, colocando à disposição os procedimentos específicos adequados. A complexidade do que acontece em relacionamentos humanos não contradiz a ação de regularidades nos relacionamentos. O bater das asas da borboleta, utilizado como exemplo na Teoria do Caos, introduz, é certo, alguma incerteza no evento climático, mas não anula suas regularidades e as forças que atuam no conjunto. Para dizer de outra forma: pertence à essência da sabedoria que ela é capaz de articular inteligentemente e de modo esclarecedor a regularidade e a singularidade da situação individual.

Em segundo lugar: Uma constelação se compõe de imagens. Os sistemas, na medida em que não podem ser descritos de um modo causal, só podem ser expressos por meio de imagens, linguagem imaginativa e histórias. Através de uma imagem, um grande número de informações e de processos pode ser percebida simultaneamente e como um todo. Desta maneira procedemos constantemente de forma sistêmica em nossa percepção. Dificilmente um método terapêutico utilizará isso de uma forma processual e mais concentrada do que as constelações familiares.

As frases de ligação e solução, às vezes ritualizadas, atuam igualmente associadas a imagens. Uma constatação ou descrição causal obtida a partir do que acontece numa constelação serve para trazer à luz uma “verdade”, mas não é essa verdade. Observações gerais de consteladores, por exemplo, sobre anorexia, câncer ou psicoses, não são modelos causais de explicação – mesmo quando são apresentadas como tais -, mas indicações, adquiridas por experiência, destinadas a instigar no cliente uma atitude de busca que o leve adiante e faça descobrir. Uma – impossível – dissolução do que acontece na constelação em passos individuais de causação linear atuaria justamente como obstáculo para a sua eficácia. As constelações, pelo menos de consteladores experientes, estão se tornando cada vez menos faladas e comentadas, e confiam cada vez mais no que as pessoas podem ver. Portanto, a dinâmica sistêmica não é ocultada, soterrada ou coarctada pelas palavras. A evidência sistêmica se introduz na alma do cliente e pode “vibrar em uníssono” no constelador e nos participantes do grupo, justamente porque não é fragmentada em observações individuais e em argumentos “compreensíveis” que seriam – justamente – passíveis de crítica.

Fenomenologia e verdade

O que significa “verdade” numa constelação? Seria uma grande incompreensão do que acontece nela tomá-la como concordância entre a realidade objetiva e o conhecimento, ou como sua expressão em linguagem. A verdade nas constelações é antes comparável à verdade de uma peça teatral. Ela se faz presente, de forma condensada, na imagem e na linguagem, permitindo que venha à luz a realidade oculta. As constelações não são uma reprodução da realidade de um relacionamento. Elas des-velam uma realidade, no sentido do conceito grego de verdade (a-létheia). Esta é também a essência da arte. E, como muitas formas de terapia ou de aconselhamento, as constelações dão muitas vezes um passo além disso. Elas ajudam a assumir a realidade, tal como ela se apresenta e atua, e a preenchê-la com amor.

Fenomenologia significa, de modo geral, perceber e descrever a realidade tal como ela se manifesta. Num sentido filosófico mais elaborado, a fenomenologia se refere a uma forma de experiência, em que a realidade – através de sua forma de manifestação – se dá a conhecer em sua essência, seu sentido e seu ser mais profundo. A percepção fenomenológica é nosso último recurso quando queremos olhar para fenômenos da alma que se ocultam por trás da superfície de suas aparências. Quem busca ajuda precisa de um conselho ou de uma terapia para encarar o que ele não pode saber, e para entendê-lo em sua razão mais profunda.

Na grande maioria das relações sociais dependemos do conhecimento fenomenológico. Até mesmo uma grande parte de nossas ciências naturais começa por uma visão do fenômeno. Aquilo que se manifesta nas constelações sob a forma de conhecimento fenomenológico só se comprova, em última análise, por seus efeitos e pelo fato de que também outras pessoas vêem, de repente, o que antes estava oculto. Presumir nos participantes de uma constelação uma submissão completa ao dirigente do grupo seria enganar-se redondamente. Os participantes, em sua maioria, olham com muita atenção o que se passa, e o dirigente do grupo com freqüência percebe isto de imediato quando interpreta erradamente o que acontece na constelação ou quando faz afirmações implausíveis, contrariando a percepção dos participantes e do cliente.

Para ver precisamos de um “artista” que vê o que se esconde na profundidade – e aqui “profundidade” não quer dizer algo místico. Ele é comparável a um rastreador que descobre e interpreta vestígios que permanecem ocultos a um espectador inexperiente. Como Bert Hellinger e a maioria dos consteladores não realizam controles posteriores sobre o efeito das constelações, a percepção dos “rastros” muitas vezes carece de comprovação. Mas existem suficientes informações de retorno, imediatas ou posteriores, por parte dos clientes, que atestam a veracidade e a eficácia desse rastreamento.

Naturalmente, a contemplação fenomenológica está sujeita a fantasias, interpretações equivocadas, erros, construções mentais e pressões de grupos. Por esta razão, muitos consteladores se treinam constantemente para voltar a ser receptivos e livres diante da realidade da alma, da forma como ela se manifesta. As constelações requerem uma extrema contenção do terapeuta no que toca a perceber, interpretar e agir. Fenomenologicamente verdadeiro é o que se realiza imediatamente numa constelação e, além dela, na vivência pessoal imediata, e não o objeto da crença num terapeuta ou numa instância superior. “O presente é irrefutável”, no dizer de Kafka.

O método fenomenológico aparece como provocante somente quando se aplicam a uma dinâmica social, padrões científicos inadequados e incompatíveis, ou quando se acredita que a verdade pode ser manejada e produzida em discursos. A fenomenologia só é provocante para o puro construtivista que se limita a apurar se “a chave serve”, sem reconhecer uma certa cognoscibilidade à fechadura e à própria chave. O construtivismo e sua compreensão da realidade se apresenta associado a um impulso ético. Numa entrevista ao jornal Die Zeit, Heinz von Förster, um dos epígonos do construtivismo, afirmou que seu conceito de verdade é o contrário da mentira ou da inverdade. Por razões éticas, disse ele, excluiria do dicionário a palavra “verdade”, em razão de toda mentira e infelicidade que já aconteceram em nome dela.

Perguntado sobre o que lhe restaria nesse caso, respondeu: em lugar da “verdade” (truth), “a confiança” (trust), a confiança que nasce quando utilizamos nossos olhos e nossos ouvidos. Aliás, esta é uma perfeita descrição da atitude fenomenológica.

A ordem

As relações não se configuram de um modo caótico e arbitrário, mesmo quando às vezes são experimentadas dessa forma. Como toda realidade, elas se subordinam a determinadas ordens. Isto é indiscutível. A questão está em saber como se originam essas ordens e se podem ser reconhecidas. Freqüentemente, Bert Hellinger e outros consteladores são acusados de declarar universalmente válidas e tentar impor ordens arcaicas, culturalmente condicionadas e há muito ultrapassadas.

Essa crítica parece compreensível à primeira vista, quando, por exemplo, se fala da “hierarquia pela origem”, do significado da união conjugal, de uma mudança de nome ou de uma reverência aos pais. Estamos acostumados a desconfiar de ordens culturalmente preestabelecidas e a reivindicar nossa autonomia e emancipação. Quando vemos – e não só em constelações – o que acontece nas relações, deparamos com algo desafiador, a saber, que nelas atuam forças ordenadoras, ancoradas em nossa alma como uma marca biológica e uma realidade coletivamente ordenada, presente no fundo de nosso inconsciente. Essas forças estão apenas encobertas devido a nossa evolução em termos individualistas e de razão esclarecida. Uma das conquistas do trabalho das constelações foi ter nos levado a experimentar essas ordens ou regulamentações que atuam independentemente de nosso pensamento consciente, permitindo-nos assim lidar sabiamente com elas. Entretanto, são ordens vivas, que estão a serviço da sobrevivência, do crescimento e do progresso nos relacionamentos. Além disso, são ordens que fazem sentido em termos de evolução. Podemos descobri-las, direta ou indiretamente, nas descrições da realidade humana presentes na literatura de todos os séculos.

À semelhança das leis da física, essas ordens de relacionamentos são sempre atuantes. Por exemplo, quem não respeita a lei da gravidade, cai redondamente no chão, porém aquele que a respeita e percebe em conexão com outras leis, pode construir aviões. Assim também as regulações da alma permitem uma série de possibilidades de manipulação, não porém ao bel-prazer.

A hierarquia pela origem, por exemplo, é uma simples ordem básica: primeiro vem quem chegou primeiro, em seguida vem quem chegou depois. Ela vale no interior de um sistema familiar e indica a cada um sua posição e seu lugar dentro da família. Primeiro vêm os pais, depois os filhos. Entre os filhos, primeiro vem o mais velho, depois o segundo e o terceiro. Em primeiro lugar vêm os pais. Isto significa que sua sobrevivência tem precedência sobre a sobrevivência dos filhos. Isso é compreensível em função da sobrevivência do grupo, pois a sobrevivência dos pais assegura uma nova geração mais rapidamente que a sobrevivência dos filhos. Todo o restante que faz parte das transformações culturais da hierarquia da origem resulta disso e deve ser medido por sua função original. Entretanto, em épocas de superpopulação sua avaliação pode obedecer a critérios diferentes.

A hierarquia pela origem é completada pela “hierarquia pelo progresso”. Por outras palavras: entre dois sistemas diferentes, o novo sistema tem precedência sobre o anterior. Assim, quando os filhos deixam seus pais e se casam e têm filhos, essa nova família tem precedência sobre a família de origem. Isso também faz sentido em termos de evolução e de abertura para o futuro.

É sempre emocionante experimentar como são úteis essas ordens, básicas mas fundamentais, para configurar relacionamentos e resolver conflitos. Todo mundo percebe imediatamente, por exemplo, como é útil quando uma mãe grávida diz à sua filha de três anos: “Você vai ganhar um irmão. No início eu precisarei cuidar muito dele, do mesmo jeito como você mesma precisou muito de mim quando era bebê. Mas você será sempre a minha primeira filha e a mais velha”.

As ordens do amor contribuem para o sucesso dos relacionamentos. Elas são geralmente imediatamente compreensíveis e fundam numa base confiável as relações entre pais e filhos, homem e mulher, e dentro do clã familiar. Aqui as constelações familiares realmente proporcionam ajuda e orientação. O grande interesse delas se prende à capacidade de solucionar que possuem as “ordens do amor”. Muitas oposições contra essas ordens se relacionam menos à emancipação cultural e pessoal do que a outros contextos, muitas vezes inconscientes.

Uma mulher foi a um grupo devido a problemas no casamento. Tinha mantido “naturalmente” o seu sobrenome de solteira e também o filho único conservou o sobrenome da mãe.[2] Era a mais nova de três irmãs. Quando o terapeuta disse: “Talvez vocês conservaram o seu nome de solteira para que seu pai tivesse um descendente de sua estirpe”, – vieram-lhe lágrimas e ela confirmou com a cabeça.

Será mostrado em que medida essas ordens mudam de acordo com a evolução humana. Mas deve ficar claro que a realidade não se orienta de acordo com o nosso arbítrio e a nossa opinião. O movimento ecológico demonstrou que, quando nossa ação desrespeita as regulamentações e seus efeitos de longo prazo, ela acarreta resultados danosos e até funestos. As “ordens do amor” representam talvez uma transposição do pensamento e da ação ecológica para o domínio das relações. Elas também nos permitem levar em conta em nossos relacionamentos, os efeitos de longo prazo que nosso comportamento produz nas gerações subsequentes. Como podemos estruturar nossas relações, de modo que nossos filhos e os filhos de nossos filhos não precisem pagar o seu preço? Mesmo em nossa época, com toda a aparente amizade pelos filhos, temos a tendência de sacrificá-los não só por necessidade, mas também por vergonha, medo, interesse próprio e falsa autonomia e emancipação.

O destino

A compreensão de nosso destino e o assentimento a ele estão no cerne do trabalho das constelações. Chamamos de destino as forças que, vindas do passado, nos ligam inelutavelmente ao efeito bom ou funesto de certos eventos. O efeito dos acontecimentos nos é imposto, quer o queiramos ou não, e não temos a possibilidade de interferir nele. A força do destino se revela, em relação a acontecimentos traumáticos numa família, de uma forma às vezes inquietante. Nas constelações experimentamos constantemente, e de modo impressionante, que somos muito pouco livres e reeditamos em nossa própria vida, sem saber nem querer, destinos passados e acontecimentos dolorosos, numa espécie de compulsão repetitiva. O efeito maior das constelações consiste em nos fazer perceber como, sem necessidades próprias, revivemos necessidades passadas e não aquietadas de outras pessoas, como se o que passou tivesse de ficar em paz e se tornar definitivamente passado. Este é o pão habitual do trabalho com constelações.

A concordância com a ligação ao destino significa por acaso fatalismo? De maneira nenhuma. Pelo contrário. É verdade que a configuração de nossa vida pelos destinos anteriores não pode ser anulada, mas para o futuro nos tornamos mais livres através do que se mostra nas constelações. Então, o destino alheio poderá ser de algum modo exteriorizado, tornando-se uma interface à qual já não estamos cegamente entregues. Pois a alma não liga indissoluvelmente a destinos, ela nos libera deles através de um insight, de um movimento próprio inconsciente ou, às vezes, de um modo totalmente casual (com ou sem constelação).

Numa época em que às vezes julgamos que nossa vida está completamente em nossas mãos – uma ilusão de muitos individualistas -, o reconhecimento do destino e o assentimento à ligação com o destino próprio e alheio constitui um desafio. Tanto nos acostumamos à ideia de uma livre razão e de uma autonomia individual que nos recusamos a reconhecer o que em épocas passadas foi descrito como daimonía e eudaimonía – a triste sina e a felicidade presenteada. O trabalho das constelações é seguramente uma afronta a uma psicoterapia que valoriza acima de tudo a autonomia e a emancipação individual e considera a humildade como uma submissão. Porém basta ler jornais e romances para perceber como atua o destino e como o nosso poder e a nossa impotência partilham a realidade.

Muitas pessoas sentem instintivamente como um processo benéfico a reverência diante do destino ou diante de pessoas a que somos ligados pelo destino. Uma reverência autêntica é quase sempre experimentada por nós como solução e liberação. Quem precisa se curvar não é a criança pequena, mas o adulto. E a reverência abarca vários processos: o ato de curvar-se, o deixar que algo morra, e o ato de erguer-se. Bem longe de ser um processo humilhante, a reverência exige coragem. Ela proporciona força, alívio da respiração e abertura de espaço.

O destino, como força que inelutavelmente dispõe, não faz caso de nossa vontade: ele a toma de roldão, sem esperar o nosso consentimento. O destino não é uma pessoa, embora freqüentemente seja representado por uma pessoa nas constelações. É um acontecimento direcionado a partir do passado, um movimento que nos liga, através da alma, à realidade maior. Quantas vezes os clientes falam de sua luta para não se tornarem iguais a seu pai ou a sua mãe, e quantas vezes acrescentam que essa luta resultou em fracasso! Quantos clientes quiseram fazer melhor que seus pais, e quantos confessam que não o conseguiram! Um dos paradoxos da vida humana é que a luta contra o destino nos liga ainda mais a ele, e o assentimento ao destino nos torna mais livres. É como um redemoinho num rio. Quem luta contra a sua sucção é puxado ainda mais para o interior, e quem sem pânico se entrega à sua força é muitas vezes impelido para fora.

Reconhecimento do destino não significa entregar-se à doença sem vontade e com resignação. Significa acompanhá-la com as forças do corpo e da alma. Então, como num redemoinho, elas são de novo liberadas da atração da doença ou da morte. Aqui, muitas vezes, faz sentido perguntar: O que há na doença que quer curar? Naturalmente, o doente precisa de apoio externo. E muitas constelações ajudam pessoas enfermas a se confiarem aos serviços médicos. Mas as constelações também as fazem confrontar-se com a morte. Uma senhora, gravemente doente de câncer, procurava saber através de uma constelação as causas de sua doença. O representante da morte, colocado diante dela, olhou-a com carinho, colocou-se ao lado dela e abraçou-a pelo ombro. Ela se defendeu com lágrimas, mas o representante da morte não cedeu. Dois anos depois, essa senhora escreveu ao terapeuta: “Eu me defendi muito contra a morte, e finalmente a aceitei. Agora ela está a meu lado já há algum tempo, e estou viva”.

Mas também existe o movimento oposto. Outra mulher com câncer em estado grave, que se sentia fortemente atraída a seguir na morte seu pai, enredado em grave culpa, pediu ao terapeuta que se esforçava por desprendê-la da morte: “Por favor, deixe-me ir para meu pai!” Ela se deitou junto do representante do pai, apertou-o nos braços, sorriu para ele com amor entre lágrimas, até que se acalmou completamente. Na continuação do grupo ela atuou com alegria e energia e colocou muitas questões práticas sobre seu comportamento em relação ao marido e aos filhos. Notou-se que ela se preparava para sua morte. Que vontade terapêutica teria aqui a força e o direito de se opor à sua morte?

Os mortos

Num filme amador, perguntaram a um curandeiro do Nepal, quem procurava um médico em caso de necessidade, e quem vinha até ele. O curandeiro respondeu que os que tinham doenças comuns procuravam um médico, e aqueles sobre quem pesava a maldição de algum morto vinham até ele. O encontro com os mortos, a quem somos existencialmente ligados, toma um grande espaço nas constelações.

Sem constrangimento, os consteladores tomam pessoas vivas para representar mortos, para que possa ser esclarecido, com seus efeitos, um envolvimento cego ou um seguimento amoroso para a morte. Acontecem então impressionantes encontros entre vivos e mortos, e são iniciados curtos diálogos que ajudam a união de corações, a paz recíproca e a liberação mútua. Será um fantasma?

Nada sabemos sobre a existência dos mortos em torno de nós ou num outro mundo. Porém, todos sabemos que um laço entre vivos e mortos permanece na alma para além da morte. Falamos com mortos, lembramo-nos deles nos cemitérios ou em discursos, continuamos a amá-los e a temê-los como se não tivessem morrido. Nossas questões existenciais, em sua maioria, abordam, além do amor, a morte. E quem olha em torno com certa atenção pode perceber diariamente como a morte e os mortos sobressaem em nossa vida.

O trabalho das constelações retoma, de uma forma não mágica e realizável pelo homem moderno, antigos ritos xamânicos em favor da paz entre vivos e mortos. Como é tocante quando numa constelação, uma mulher adulta se deita nos braços da mãe que perdeu quando criança em virtude de um acidente! As emoções da criança, talvez bloqueadas pela carência e pela dor, passam a fluir, e o amor e a despedida podem ser agora realmente vividos. Como se sentem aliviados os representantes de mortos que são reconhecidos pela primeira vez como pertencentes à família, ou dos que, porque honrados em seu sofrimento, se livram de uma maldição! Como se sentem liberados os representantes de criminosos ou de vítimas quando sua condição de culpados ou de vítimas já pode ficar com eles, e os vivos renunciam a se intrometer nisso! Como se sentem redimidos os representantes de mortos quando se sentem acolhidos entre outros mortos e já podem realmente ser acolhidos na “grande morte”!

Não é de hoje que tendemos a reprimir a morte e as ligações carregadas de dívidas que por amor, medo ou dor mantemos com os mortos e com as histórias de suas vidas. Isso já é, de longa data, conhecido pela psicoterapia. No decurso de nossa evolução cultural, perdemos o acesso a muitas formas rituais e sociais de superação da morte e de respeito pelos antepassados. Mesmo sem as constelações familiares, e muito tempo antes delas, existe um profundo anseio de lidar com o morrer, a morte e os mortos de uma forma liberadora e pacificadora. E para isso, as pessoas sempre precisaram de um apoio, por exemplo, através de um sacerdote ou com a ajuda da psicanálise ou da assistência ao morrer. Nesse ponto, o trabalho das constelações assume uma necessidade profunda e supre talvez uma lacuna de rituais e de luto coletivo.

Além disso, as constelações abrem a perspectiva para o enquadramento psíquico maior do encontro com a morte e com os mortos na alma. Elas fazem ver o fato individual enquanto enquadrado no contexto e na história da família, ou de um grupo de camaradas que viveram juntos coisas terríveis na guerra, ou no destino comum de perpetradores e vítimas, e sempre transcendendo a morte. Ou elas abrem a alma para a “grande morte”. Isto só parece estranho e até mesmo absurdo quando é encarado de longe e não no contexto da contemplação e da experiência imediata. Para os clientes envolvidos e os participantes de grupos, o encontro entre vivos e mortos geralmente se realiza como que naturalmente e é muito emocionante e curativo. E mesmo que não saibamos ao certo o que acontece nas constelações nos domínios fronteiriços dos vivos e dos mortos, podemos perceber o seu efeito e nos apoiar nisso. Neste particular, as constelações atuam como uma “cura de almas”.

A reconciliação

A palavra grega therapêuein significa, em sua acepção original, “servir aos deuses”. Embora em nossa época a terapia seja vista de uma forma profana, nela permanece algo do sentido primitivo da palavra, na medida em que, decaídos de uma ordem ou abandonado uma opinião e um bel-prazer que nos prejudicam, retornamos a uma ordem saudável. Em nosso linguajar coloquial, exprimimos isso com as palavras: “Preciso pôr alguma coisa em ordem”. Os conflitos da alma surgem quando forças contrárias nos dividem inconciliavelmente e conservam-se em oposição irredutível em nós ou entre nós. A psicoterapia é sempre um trabalho de mediação e reconciliação, embora várias tendências terapêuticas tenham enveredado pelo caminho oposto, enfatizando a auto-afirmação, uma perspectiva unilateral da autonomia pessoal, a separação e a luta, por exemplo, contra os pais, os destinos funestos ou as pessoas consideradas más.

Bert Hellinger, ousando chegar a limites extremos, trilhou imperturbavelmente um caminho que pode abrir dimensões novas (ou retomar antigas, de uma nova maneira) para a solução de conflitos e o trabalho de reconciliação.

Os passos para a reconciliação, embora basicamente simples, geralmente nos parecem difíceis. O procedimento inicial faz com que os perpetradores reconheçam o mal que fizeram às vítimas. Precisam assumir as conseqüências de suas ações e encarar as vítimas e seus sofrimentos. Um segundo procedimento induz as vítimas a encarar os perpetradores e a aceitar sem reservas sua ligação de destino com eles. A vítima precisa abandonar a atitude de se julgar melhor e de se colocar, mesmo perdoando, acima do perpetrador. Num terceiro procedimento, tanto as vítimas quanto os perpetradores e os descendentes de ambos honram o acontecimento funesto. Reconhecendo suas oposições, todos eles, em sua condição de vítimas ou de perpetradores e com seus sentimentos de vingança e de expiação, se entregam a uma força maior que é “indiferente” para com bons e maus, assim como o sol brilha sobre ambos, e a morte os trata com igualdade.

A dificuldade de aceitar criminosos em condição de igualdade e em sua dignidade humana é uma experiência comum para os consteladores. Um exemplo: Uma mulher contou que sua mãe, quando era jovem, foi violentada e quase morta. Confrontada na constelação com o representante do perpetrador, essa mulher gritou para ele, cheia de ódio: “Eu mato você!”. Quando o terapeuta observou que sua frase fôra a mesma do agressor diante de sua mãe, ela ficou profundamente impressionada. Ela viera ao grupo porque os homens sempre a abandonavam, alegando terem medo dela. Vê-se como é difícil conceder ao criminoso um lugar na própria alma e no sistema familiar, e reconhecê-lo como equiparado à sua mãe. Às vezes, as próprias vítimas são mais capazes de fazer isso do que seus amorosos descendentes, que não dispõem dos mecanismos de elaboração da pessoa envolvida, e por isso ficam entregues à indignação ou ao desejo de vingança e de cega compensação.

Outras vezes é mais fácil para os descendentes, devido ao maior intervalo de tempo, atuar na reconciliação, ajudando as almas do agressor e da vítima a se encontrarem face a face e a se reconciliarem. Às vezes, só resta aos atingidos o esquecimento e, reconciliados ou não, o assentimento e a reverência diante do destino que os associou como vítima e agressor. E aos pósteros, só resta às vezes a reverência diante dos antepassados, reconciliados ou não. Talvez eles possam se tornar “permeáveis” a algo maior no que toca ao efeito do destino de vítimas e agressores, para que esse efeito possa ser abolido nessa realidade maior.

É o próprio processo da constelação que determina como iniciar a reconciliação ou o que é preciso observar em cada passo. O terapeuta limita-se a olhar e a escutar a alma do cliente e de sua família, abrindo espaço, com suas poucas intervenções, às forças que resolvem os conflitos e atuam de forma reconciliadora. Seja qual for o caso, abuso ou assassinato de filhos, trapaça financeira, paternidade clandestina, traição, atrocidades de guerra, extermínio de judeus ou terrorismo de qualquer espécie, as constelações mostram uma força incrivelmente reconciliadora e liberadora, em que pesem as imperfeições e as tentativas frustradas, superficiais ou mesmo traumáticas dos consteladores.

Acusar de anti-semitismo ou de tendências fascistas esses procedimentos das constelações é uma atitude absurda e degradante. Que, depois de homenagear as vítimas, também se encare a dignidade dos perpetradores e as fronteiras imprecisas entre criminosos e vítimas, é uma atitude que choca muitas pessoas, e os próprios consteladores enfrentam dificuldades na presença de graves injustiças. Mas quem lê as publicações mais recentes percebe também a manifestação de um novo empenho, não somente para que sejam honradas as vítimas e seu destino, mas também para que os criminosos sejam considerados como seres humanos e seja respeitada sua dignidade. Foi um rabino judeu que afirmou: “Não haverá paz até que o último judeu faça a oração dos mortos por Hitler”. Embora Bert Hellinger e os consteladores não estejam sozinhos nesse trabalho de reconciliação que honra tanto as vítimas quanto os criminosos, o significado do “amor aos inimigos” dificilmente é experimentado no domínio da psicoterapia e do aconselhamento de forma tão sensível como nas constelações.

Entretanto, não existem realmente diferenças objetivas entre bons e maus? E a observação de que tanto as vítimas quanto os criminosos estão a serviço de um destino maior, não abre ela as portas para a arbitrariedade e a injustiça no comportamento humano? Não podemos dizer que temos sempre uma resposta para isso, mesmo abstraindo de destinos concretos. Muitas vezes, porém, um primeiro passo importante para a reconciliação e a paz, apesar das oposições e mesmo da luta pela própria causa, que freqüentemente é necessária, é reconhecermos o adversário como igual a nós e não nos considerarmos melhores do que ele.

Diariamente experimentamos que a realidade costuma ser maior do que nossa vontade. Mesmo quando criamos uma realidade, nem sempre podemos controlar as conseqüências de nossas ações. Um dos efeitos profundos do trabalho das constelações é que nos ajuda a confiar no desenvolvimento do sentimento humano, para além da culpa e das incriminações, renunciando a flagelar nossos semelhantes como desumanos. Só entramos em sintonia com a realidade quando também reconhecemos o funesto e o terrível como fazendo parte dela, e lhes damos um lugar. Muitos desenvolvimentos positivos recebem sua força e seu direcionamento desse reconhecimento e respeito pelo terrível.

A ajuda

Como prestadores de ajuda, somos obrigados a colaborar no desenvolvimento de algo bom que faça progredir aqueles que se encontram em necessidade. A ajuda[3] é uma faculdade que se baseia em treinamento e experiência. Estamos acostumados a ver a faculdade terapêutica encaixada em instituições de psicoterapia e aconselhamento e em sua respectiva administração, que velam pelo desenvolvimento dessa faculdade e para impedir abusos em seu exercício. O trabalho das constelações familiares, como originariamente muitos outros métodos de ajuda, se desenvolveu fora da psicoterapia estabelecida e não reivindica lugar como um método terapêutico reconhecido. O que muitos teóricos e praticantes sentem como afronta no domínio da terapia é a observação de Bert Hellinger, partilhada por muitos consteladores – não por todos – que o trabalho com constelações vai muito além da psicoterapia.

Os críticos objetam que com isso se abrem amplamente as portas para tolices esotéricas. Afirmam que o trabalho com as constelações visa realmente efeitos terapêuticos e que por isso ele deve sujeitar-se às leis que regulam a terapia e às normas de uma terapia cientificamente controlada, ou deve deixar de existir.

Neste particular, importantes discussões também vêm acontecendo entre os consteladores, e o campo está aberto para o desenvolvimento. As “Ordens da Ajuda” de Bert Hellinger [4], que resumem sua longa experiência e suas convicções sobre o tema da ajuda, contém matéria explosiva que exerce provocação, tanto sobre a esfera externa quanto sobre o “cenário” dos consteladores:

Somente é capaz de ajudar quem assumiu plenamente os próprios pais e a vida. Só é capaz de ajudar quem renuncia a dar ao cliente mais do que ele precisa. Só pode ajudar quem tem a capacidade de dar o que o cliente necessita. Muitos ajudantes[5] correm o risco de que seu impulso de ajudar resulte de sua própria carência, de uma simpatia que se restringe aos fracos e às vítimas, e da pretensão de estarem á altura de todos os destinos de seus clientes. Toda ajuda deve ajustar-se às circunstâncias na vida do cliente e só pode intervir em caráter de apoio, e quando o permitam as circunstâncias. Somente respeita a dignidade do cliente a ajuda que não se coloca acima dessas circunstâncias, do destino do cliente e de sua vocação pessoal, de suas aptidões e de sua capacidade de decisão.

Na psicoterapia tradicional infiltraram-se padrões de pensamento segundo os quais os terapeutas poderiam ser mecânicos, juizes, cônjuges ou pais.

Principalmente esta última tendência foi grandemente reforçada através do modelo teórico e do prático de transferência e contratransferência, com a “elaboração” de conflitos e a ideia de acompanhamento posterior com o correspondente prolongamento da terapia.

A constelação familiar não trabalha com transferência e contratransferência, embora não conteste a existência desses processos. Mas o constelador se desprende deles, da melhor forma possível. O terapeuta ou o aconselhador conduz o cliente, quando isso é necessário, diretamente para os pais dele. Ele só os representa transitoriamente e por pouco tempo, apoiando, por exemplo, a recuperação do movimento amoroso, sem colocar-se, entretanto, no lugar dos pais. Ele renuncia a acompanhar o cliente durante um período de sua vida e a oferecer-lhe um espaço de substituição ou de proteção para seu crescimento na segurança do espaço terapêutico. Ele só lhe dá um estímulo para o crescimento, geralmente sem acompanhar a realização de seu crescimento na vida concreta.

A constelação familiar, entendida desta maneira, não é uma terapia. Ela se assemelha realmente a uma “predição”, um “oráculo” ou um “vaticínio”, na medida em que traz à luz laços de destino e seus efeitos. Ela ajuda a “ver”, sem buscar influenciar o que o cliente fará com ela, e sem que o ajudante desempenhe um papel nisso. Para além de uma “predição”, a constelação também ajuda as pessoas a sentirem o próprio amor, freqüentemente oculto no destino cego. Ela possibilita abrir os olhos para o amor, estabelecendo relações cara a cara. E também aqui, o terapeuta se coloca, antes a serviço do diálogo do cliente com seu sistema de relações, do que a si mesmo como interlocutor do diálogo.

A constelação familiar mostra os caminhos para uma compensação positiva em vez de uma compensação funesta. Ela fornece indicações sobre o que ordena as relações, tanto para o mal quanto para o bem. Ela faz confrontar, às vezes duramente, com a realidade, mas não diz o que a pessoa deve fazer ou deixar, ou como será seu futuro. Nesse particular, ela deixa a pessoa que busca auxilio sozinha, ou no círculo de sua família e de outras relações existenciais. Isso muitas vezes parece ser chocante para as pessoas no exterior, se bem que muitos clientes experimentem justamente essa atitude como confiável, aliviadora e fortalecedora, pois com ela são tomados a sério e se sentem livres.

Outra coisa que incomoda observadores externos, é que os consteladores às vezes olham menos para o que o próprio cliente precisa do que para as necessidades de outros membros do sistema, principalmente dos excluídos ou incriminados. A principal atenção se dirige para a incorporação dos que estão separados num sistema de relações, e não apenas para o cliente e sua autonomia. O autêntico ajudante, no sentido de Bert Hellinger, resiste à diferenciação entre o bem e o mal e, com isso, à consciência pessoal do cliente. Ele antecipa a necessária ação do cliente, na medida em que dá em sua alma um lugar aos excluídos ou incriminados.

Ao abrirem um espaço para além dos efeitos da consciência do grupo, os consteladores têm em vista o que sugere a “grande alma” – um contexto que aponta para além dos grupos individuais – numa determinada situação de vida, como conveniente para o crescimento ulterior. Tanto a consciência pessoal quanto a coletiva são acolhidas numa espécie de consciência “universal”, direcionada para o todo maior. Aqui a configuração de sistemas de relações também se distancia de uma psicoterapia e um aconselhamento puramente orientados para soluções. Abre-se um nível mais espiritual, na medida em que se encara a ligação com algo “maior”, que está fora de nossa disponibilidade e possibilidade. Orienta-se no sentido do crescimento e do desenvolvimento na direção de um “espaço aberto”. Nisso reside o que na constelação familiar é “mais que uma psicoterapia” .

A ajuda que ocorre no interior desse “mais”, dificilmente se enquadra nas instituições de ajuda e em seus regulamentos. Nesse ponto se insere, talvez, a crítica dos teólogos e a luta contra o método das constelações, como se ele fizesse parte de uma cena esotérica. Como esse “mais” abrange aconselhamento e psicoterapia, e o trabalho das constelações se processa tanto dentro quanto fora das correspondentes instituições, os conflitos são facilmente compreensíveis e quase programados por antecipação.

A responsabilidade em constelar

Em razão da euforia fundada na profundidade das vivências e na densidade humana de muitas constelações, muitos consteladores correm o risco de se descuidar, justificando as críticas. O que nos ajuda para trabalhar responsavelmente com constelações familiares?

O cuidado significa aqui agir com sobriedade e clareza, correção e plausibilidade. Além da atitude e da reserva fenomenológica, constantemente aconselhada, precisamos nos direcionar para a vida comum. Não se trata de direcionar os clientes ou suas famílias a um padrão único, de acordo com nossas concepções, mas de colaborar para que o que é “maior”, seja o que for, possa atuar como incentivo e solução no dia-a-dia do cliente. O milagre não está na unidade do múltiplo, mas na multiplicidade do uno.

Toda a sabedoria é inútil quando não se refere a situações individuais ou coletivas. Por mais que encaremos a alma humana como uma espécie de “campo”, ela não deixa de abranger pessoas individuais. Ela só existe e se mostra através de indivíduos. Por mais que os movimentos sistêmicos permaneçam no primeiro plano das constelações, eles não existem sem os indivíduos num sistema, isto é, sem a mãe prematuramente falecida, sem o avô suicida, sem o cliente com sua necessidade ou doença. “You cannot kiss a system”. Para corresponder realmente à necessidade do cliente, a atenção do terapeuta deve realmente passar através de seu sistema de relações, porém sem perder de vista o cliente e suas necessidades concretas, e absolutamente sem feri-lo.

No tocante aos efeitos externos do trabalho das constelações, recomenda-se considerar os seguintes aspectos:

Quem oferece constelações como psicoterapia também precisa possuir habilitação legal para a prática da psicoterapia. Quem não a possui não deve despertar a impressão de praticar terapia, nem atender a expectativas terapêuticas no sentido tradicional e legal. Precisa limitar-se ao aconselhamento, que até agora – felizmente – não foi regulamentado. Naturalmente, no trabalho concreto fica difícil definir os limites entre psicoterapia e aconselhamento, entre curar e aconselhar.

Seguramente não se justifica enaltecer a constelação familiar como o único método capaz de resolver tudo e trazer felicidade. Por mais liberador e saudável que seja seu efeito para a alma, ela não produz redenção nem salvação. Por mais espiritual ou religiosa que possa ser, ela não é uma religião. O êxito de um método tende a colocá-lo em evidência, em lugar da intenção ou da necessidade do cliente, ao qual o método serve. Muitos clientes preferem fazer uma constelação a descrever seu problema, seja ele uma briga entre irmãos, um conflito conjugal, a busca do lugar certo em sua vida ou o risco de suicídio de um filho. Mas a participação numa constelação não significa, por si só, uma receita de sucesso.

O “mais” do trabalho das constelações é em muitas situações também um “menos”. Por exemplo, a constelação familiar não substitui o tratamento psiquiátrico, embora freqüentemente seja útil para famílias onde se manifesta um comportamento psicótico. Não substitui o tratamento médico em casos de doenças. Não substitui o atendimento social, com as decisões de sua competência. Não substitui todas as instituições que se dedicam a intervenções em casos de crises. Nem substitui os métodos de ajuda à alma, quando alguém precisa apreender o que necessita para o domínio de sua vida e que, pelas circunstâncias de sua história, ainda não aprendeu. As constelações não são úteis para mudanças de personalidade, embora possam interferir profundamente no processo de crescimento da pessoa. Elas não substituem o treinamento ou a disciplina espiritual, quando alguém quer se desenvolver nesse sentido. E não substituem os domínios da experiência quotidiana dos clientes a que servem, mesmo que possam proporcionar-lhes luzes extraordinárias.

O cuidado no trabalho com constelações também envolve a aprendizagem. Nesse particular, muito se discute nos círculos de consteladores sobre o que é necessário aprender para dirigi-las. Até o momento pertence a cada um testar-se para sentir se está pronto e capaz de assumir a responsabilidade por esse trabalho. Note-se que a atitude fenomenológica que abre mão do saber só tem significado para aquele que sabe algo. Ela não significa “sem capacidade”, “sem experiência” ou “sem competência”. A atitude de agir “sem medo” não significa ausência de respeito pelas forças com que temos de lidar nas constelações. A atitude de atuar “sem intenção”, não significa que nos deixemos arrastar nas constelações pela arbitrariedade e pelo acaso. E o atuar “sem amor” se refere ao domínio da transferência e da contra-transferência, e não significa falta de amorosidade.

Também de nós, consteladores, continua exigindo um constante esforço assumir cada pessoa, cada família, cada sistema, cada realidade como ela é, de modo que também o cliente possa reconhecer mais facilmente o que necessita para a solução de seus problemas e para o seu próprio crescimento.

Agradecimento

Muito agradeço aos amigos e colegas que me apoiaram neste artigo com valiosos estímulos e correções: Bernhard Haslinger, Eva Madelung, Albrecht Mahr, Wilfried de Philipp, Katharina Stresius,Gunthard Weber e Berthold Ulsamer.

Tradução: Newton Queiroz

Rio de Janeiro, fevereiro de 2004

[1] A tradução, autorizada pelo Autor, reproduz quase integralmente o artigo “Wille und Schicksal” (Vontade e Destino), publicado originalmente em resposta a críticas levantadas recentemente na Alemanha contra o trabalho de Bert Hellinger. Foi excluída da presente tradução a página inicial, pelas referências a um contexto para nós desconhecido. (N.T.)

[2] Na Alemanha apenas se usa o sobrenome paterno, que as mulheres normalmente substituem no casamento pelo sobrenome do marido. (N.T.)

[3] Entendida num sentido profissional. (N.T.)

[4] Publicado nesse site onde existe uma tradução de nossa autoria. (N.T.)

[5] No original, Helfer. Entendem-se aqui sobretudo os profissionais da ajuda. (N.T.)