A constelação familiar espiritual

Congresso em Reit im Winkl, Alemanha

14 a 17 de dezembro de 2006

Bert Hellinger

 

O QUE FICA

 

Tudo aquilo que fica, fica por um tempo. Muitas vezes, nos alegramos que fique porque nos faz bem e nos presenteia com algo.

 

Por isso, nos alegramos quando as pessoas que amamos ficam, e nos alegramos com um sucesso que fica.

 

Contudo, ninguém e nada permanecem por si mesmo. Nós mesmos precisamos fazer algo para que fique. Fica, se fizermos algo com ele.

 

Curiosamente, fica por mais tempo se o multiplicamos.

 

Permanece, quando algo é acrescentado continuamente. Por isso, o que fica está simultaneamente em movimento.

 

Permanece, se nós também expandirmos com ele. Assim, uma árvore permanece enquanto cresce.

 

Assim, o amor permanece enquanto cresce, enquanto continua dando mais e recebendo mais.

 

O que acontece com aquilo que parte?

 

Parte porque terminou, porque não cresce e não se expande mais. Parte, porque precisa ceder espaço ao novo que se expande.

 

Assim também acontece com aquilo que ainda permanece, porque ainda está crescendo.

 

Aquilo que fica termina no momento em que não cresce mais.

 

O que acontece com o espírito? O que acontece com o movimento do espírito? Ele sempre fica porque não chega a nenhum fim.

 

O movimento do espírito também deixa algo para trás por continuar infinitamente? Ou inclui o anterior no movimento seguinte de modo que continue dentro dele, de uma nova maneira?

 

Por isso, o que fica agora também parte após um tempo para que fique de uma outra forma. Permanece, na medida em que caminha para frente.

 

A DIFERENCIAÇÃO DA CONSCIÊNCIA

 

As diferentes consciências são campos espirituais. A primeira delas, a consciência pessoal, é estreita e tem o seu alcance limitado.

 

Através de sua diferenciação entre o bom e o mau reconhece o pertencer só de alguns e exclui outros.

 

A segunda, a consciência coletiva, é mais ampla. Também defende os interesses dos que foram excluídos pela consciência pessoal.

 

Por isso, está freqüentemente em conflito com a consciência pessoal.

 

Contudo, essa consciência também tem um limite porque abrange somente os membros dos grupos que dependem dela.

 

A terceira, a consciência espiritual, supera os limites das outras consciências que colocam limites através da diferenciação entre bom e mau e da diferenciação entre pertencimento e exclusão.

 

A CONSCIÊNCIA PESSOAL

 

O vínculo

 

Vivenciamos essa consciência estreita como boa e má consciência.

 

Sentimo-nos bem quando temos boa consciência e mal quando temos má consciência.

 

O que acontece quando temos uma boa consciência e o que acontece quando temos uma má consciência? O que precede à boa e à má consciência para que sintamos uma boa ou uma má consciência?

 

Se observarmos exatamente, quando temos uma boa consciência e quando temos uma má consciência, podemos perceber que ficamos com má consciência quando pensamos,

 

sentimos e fazemos algo que não está em sintonia com as expectativas e as exigências das pessoas e grupos aos quais queremos pertencer e que freqüentemente também precisamos pertencer.

 

Isso significa que nossa consciência vela para que fiquemos conectados com essas pessoas e grupos.

 

Percebe, de imediato, se nossos pensamentos, desejos e ações colocam em perigo nossa ligação e nosso pertencer a essas pessoas e grupos.

 

Quando a nossa consciência percebe que nos afastamos dessas pessoas e grupos através de nossos pensamentos, sentimentos e ações, ela reage com o sentimento de medo de perdermos nossa ligação com essas pessoas e grupos.

 

Sentimos esse medo como má consciência.

 

Inversamente, quando pensamos, desejamos e agimos de uma forma que nos movimentamos em sintonia com as expectativas e exigências dessas pessoas e grupos, sentimo-nos pertencentes e temos a certeza de podermos pertencer.

O sentimento de termos assegurado o nosso pertencer, sentimos como benéfico e bom.

 

Não precisamos ficar preocupados de sermos cortados, de repente, por essas pessoas e grupos e nos experimentarmos sós e sem proteção.

 

Sentimos como boa consciência, o sentimento seguro de podermos pertencer.

 

A consciência pessoal nos liga, portanto, a pessoas e grupos que são importantes para o nosso bem-estar e nossa vida.

 

Contudo, porque essa consciência nos liga somente a determinadas pessoas e grupos e, simultaneamente, exclui outros, é uma consciência estreita.

 

Essa consciência nos foi de suma importância quando crianças.

 

As crianças fazem de tudo para poderem pertencer, pois sem essa ligação e sem esse direito de pertencer estariam perdidas.

 

A consciência pessoal assegura nossa sobrevivência junto às pessoas e grupos que são importantes para a mesma.

 

Por isso, a sua importância só pode ser altamente apreciada.

 

Vemos também a importância que a consciência pessoal ocupa na nossa sociedade e cultura.

 

Bom e mau

 

Neste contexto podemos observar que as diferenciações que fazemos entre bom e mau são diferenciações dessa consciência.

 

Elas estabelecem em que medida algo assegura o nosso pertencer e em que medida isso o coloca em perigo.

 

O que assegura o nosso pertencer, vivenciamos como bom.

 

Vivenciamos isso como bom através da boa consciência sem que precisemos refletir muito se é realmente bom quando observado mais exatamente a uma certa distância, ou se isso pode ser até ruim para outros.

 

Aqui o denominado bom é somente sentido, é sentido como algo bom.

 

Portanto, sentimos e defendemos o bom, de modo irrefletido, como bom, mesmo que para um observador que está fora desse campo espiritual pareça ser algo estranho que coloca mais em perigo a vida de muitos do que a serviço.

 

Evidentemente que o mesmo é válido para o mau.

 

Contudo, sentimos o mau mais fortemente do que o bom, porque está ligado ao medo de que percamos o pertencer e, ao mesmo tempo, também nosso direito de viver.

 

A diferenciação do bom e do mau serve, portanto, à sobrevivência dentro do próprio grupo. Serve à sobrevivência do indivíduo no seu grupo.

 

A CONSCIÊNCIA COLETIVA

 

Atrás da consciência que sentimos ainda atua uma outra consciência.

 

É uma consciência poderosa muito mais forte no seu efeito do que a consciência pessoal.

 

Entretanto, em nossos sentimentos nos é relativamente inconsciente.

 

Por que? Porque nos nossos sentimentos a consciência pessoal tem precedência em relação a essa consciência.

 

A consciência coletiva é uma consciência grupal.

 

Enquanto que a consciência pessoal é sentida por cada indivíduo e está a serviço do seu pertencer e da sua sobrevivência pessoal, a consciência coletiva tem em seu campo de visão a família e o grupo como um todo.

 

Está a serviço da sobrevivência do grupo inteiro, mesmo que para isso alguns precisem ser sacrificados.

 

Está a serviço da totalidade desse grupo e das ordens que asseguram a sua sobrevivência da melhor forma possível.

 

Quando o interesse de cada indivíduo se contrapõe ao interesse de seu grupo, a consciência pessoal também se contrapõe à consciência coletiva.

 

A totalidade

 

A consciência coletiva está a serviço de que ordens, e como as impõe?

 

A primeira ordem, a qual essa consciência serve, é: todo membro de uma família tem o mesmo direito de pertencer.

 

Se um membro for excluído, não importam quais sejam os motivos, mais tarde, um outro membro precisa representar a pessoa excluída.

 

A consciência coletiva se mostra, comparada à consciência pessoal como imoral ou amoral.

 

Isso significa que não diferencia entre bom e mau nem entre culpado e inocente.

 

Por outro lado, protege todos da mesma forma.

 

Quer proteger o seu direito de pertencer ou reestabelecê-lo se isso lhe for negado.

 

O que acontece quando esse direito é negado a um membro familiar?

 

De certa forma, ele é reconduzido ao grupo por essa consciência, na medida em que outro membro dentro da família precisa representá-lo, sem que esteja consciente disso.

 

Como essa volta se mostra? Um outro membro familiar assume o destino da pessoa excluída, representando-a.

 

Ele pensa como essa pessoa excluída, tem sentimentos semelhantes, vive de forma semelhante, fica doente de forma semelhante, até mesmo morre de forma semelhante.

 

Esse membro familiar está, dessa forma, a serviço da pessoa excluída e representa os seus direitos.

 

É apossada, por assim dizer, pela pessoa excluída, entretanto, sem se perder a si mesmo.

 

Quando a pessoa excluída recupera o seu lugar, esse membro familiar se libera dessa pessoa.

 

Não é que a pessoa excluída queira que seja representada dessa forma, embora isso também aconteça algumas vezes, se ela deseja algo de mau para alguém da família.

 

Em primeira instância, é essa consciência que atua e deseja a representação e o emaranhamento.

 

Ela quer reestabelecer a totalidade do grupo.

 

O instinto

 

Aqui, existe o perigo que nós imaginemos essa consciência como uma pessoa, como se ela tivesse metas pessoais e as seguisse após reflexões profundas.

 

Essa consciência atua como um instinto. Um instinto grupal que quer somente uma coisa: salvar e reestabelecer a totalidade.

 

Por isso é cego na escolha de seus meios.

 

O pertencimento para além da morte

 

Podemos reconhecer as pessoas que são influenciadas e impulsionadas por essa consciência, quando são atraídas ou não para representar membros familiares excluídos.

 

Nesse sentido, precisamos considerar que ninguém perde o seu direito de pertencer através de sua morte.

 

Isso significa que os membros familiares mortos da família são tratados por essa consciência da mesma forma que os vivos.

 

Ninguém é separado de sua família através de sua morte.

 

Ela abrange igualmente seus membros familiares vivos e mortos.

 

Essa consciência também traz de volta os membros mortos para a família, se foram excluídos, sim, principalmente estes.

 

Portanto, isso significa que alguém, com efeito, perde a sua vida através de sua morte, contudo nunca o seu pertencimento.

 

Quem pertence?

 

Agora está na hora de eu enumerar quem pertence à família que é abrangida e conduzida por uma consciência coletiva comum.

 

Vou começar com os que nos estão mais próximos:

 

Aos membros familiares que estão sujeitos a essa consciência, pertencem:

 

  1. Os filhos. Portanto, nós e nossos irmãos e irmãs.

 

Aos nossos irmãos pertencem também os natimortos, também os irmãos que foram abortados e freqüentemente também os abortos espontâneos.

 

Justamente aqui existe freqüentemente a idéia de que podemos excluí-los.

 

Também fazem parte os filhos que foram ocultos e dados.

 

Para a consciência coletiva todos eles fazem parte completamente, são lembrados por ela e trazidos de volta à família.

 

Eles são trazidos de volta cegamente, sem levar em consideração justificativas e desejos.

 

  1. No nível superior aos filhos fazem parte seus pais e seus irmãos biológicos.

 

Aqui também todos seus irmãos e irmãs, como eu já enumerei antes para os filhos.

 

Também os parceiros anteriores dos pais fazem parte.

 

Se são rejeitados ou excluídos, mesmo que estejam mortos, serão representados por um dos filhos, até que sejam lembrados e reconduzidos à família com amor.

 

“Só o amor libera”

Agora gostaria de interromper a enumeração e falar como os excluídos podem ser trazidos de volta.

 

Só o amor é capaz disso.

 

Que amor? O amor preenchido.

 

Ele é sentido como dedicação ao outro, como ele é. Ele é também sentido como luto pela perda.

 

É sentido especialmente como dor por aquilo que porventura fizemos de mal para o outro.

 

Sentimos também se esse amor alcança o outro, se o reconcilia, se o deixa em paz, se ele assume o seu lugar, permanecendo nele.

 

Então essa consciência coletiva também encontra a paz.

 

Aqui nós vemos que essa consciência está a serviço do amor, a serviço do mesmo amor por todos que fazem parte dessa família.

 

Quem pertence ainda à família?

 

Agora vou continuar com a enumeração de quem pertence à família, porque eles também são abrangidos e protegidos por essa consciência.

 

  1. No próximo nível superior fazem parte os avós, mas sem seus irmãos, a não ser que eles tenham tido um destino especial.

 

Os parceiros anteriores dos avós também fazem parte.

 

  1. Também fazem parte um ou outro dos bisavós, mas isso é raro.

 

Até agora enumerei sobretudo os parentes consangüíneos, e ainda os parceiros anteriores dos pais e dos avós.

 

  1. Além disso, também faz parte de nossa família aqueles que através de sua morte ou destino, a família teve uma vantagem.

 

Por exemplo, através de uma herança considerável. Também fazem parte aqueles que a custa de sua saúde e vida a família enriqueceu.

 

  1. Nesse contexto fazem parte de nossa família também aqueles que foram vítimas de atos violentos através de membros de nossa família, especialmente aqueles que foram assassinados.

 

A família precisa olhar também para eles, com amor e dor.

 

  1. Por último, algo que para alguns pode ser um desafio.

 

Se membros de nossa família foram vítimas de crimes, principalmente se perderam a vida, os assassinos também fazem parte de nossa família.

 

Se foram excluídos ou rejeitados, serão também representados por membros familiares sob a pressão da consciência coletiva.

 

Talvez possa aqui chamar a atenção de que tantos os assassinos se sentem atraídos para suas vítimas como também as vítimas para seus assassinos.

 

Ambos se sentem totalmente inteiros quando se encontram. A consciência coletiva também não faz diferenciações aqui.

 

O equilíbrio

 

Antes de continuar quero dizer algo sobre o equilíbrio nessas duas consciências.

 

A necessidade do equilíbrio entre o dar e o tomar e entre o lucro e a perda é também um movimento da consciência.

 

A consciência pessoal que sentimos como boa e má consciência e como culpa e inocência, vela sobre o equilíbrio com sentimentos semelhantes.

 

Portanto também com sentimentos de culpa e inocência e com o sentimento de uma boa e má consciência.

 

Só que aqui sentimos a culpa e a inocência de um forma diferente.

 

A culpa aqui é sentida como dever, quando eu recebo algo ou tomei algo, sem devolver com algo equivalente.

 

A inocência aqui é sentida como estar livre de um dever.

 

Temos esse sentimento de liberdade quando tomamos e também damos, de uma forma que o dar e o tomar esteja equilibrado.

 

Aqui devo ainda acrescentar que podemos alcançar o equilíbrio também de uma outra forma.

 

Ao invés de devolver com algo equivalente, como não podemos algumas vezes, por exemplo perante nossos pais, podemos também passar adiante algo equivalente.

 

Por exemplo aos nossos filhos.

 

A expiação

 

Nós equiparamos através do sofrimento. Isso também é um movimento da consciência.

 

Se causamos sofrimento a alguém, também queremos sofrer para equilibrar e depois do sofrimento temos novamente uma boa consciência.

 

Essa forma de equilíbrio conhecemos como expiação.

 

Entretanto, devemos observar aqui que é uma auto-necessidade, porque ela não pode realmente dar algo para o outro, e com isso, equilibrando.

 

Contudo, através dessa expiação o outro freqüentemente não se sente mais sozinho em seu sofrimento.

 

Esse maneira de equilibrar tem pouco ou nada a ver com o amor. É antes de mais nada, instintivo e cego.

 

A vingança

 

Temos a necessidade do equilíbrio quando alguém nos fez algo de mau. Então queremos também fazer algo de mau a ele.

 

Aqui a necessidade de equilíbrio se transforma em uma necessidade de vingança.

 

Entretanto, a vingança equilibra apenas no momento, porque ela desperta em todos os envolvidos outras necessidades de vingança, prejudicando-os no final.

 

A cura

 

Também na consciência coletiva existe o movimento de equilíbrio, contudo, está amplamente oculta de nossa consciência.

 

Quem precisa representar um excluído, não sabe que está equilibrando.

 

O equilíbrio é aqui o movimento de um todo superior que equipara impessoalmente porque aqueles que são atraídos para equilibrar são inocentes, no sentido da consciência pessoal.

 

“Podemos comparar essa forma de equilíbrio a um processo de cura”.

 

Aqui também algo que foi ferido é reestabelecido sob a influência de poderes superiores.

 

A consciência coletiva quer reintroduzir algo que foi perdido e dessa forma trazer novamente a ordem em tudo e curar.

 

A hierarquia

 

Volto a falar das ordens da consciência coletiva e direi algo sobre a segunda ordem, que está a serviço da consciência e que tenta restaurá-la, quando foi ferida.

 

Essa ordem exprime que cada indivíduo de um grupo deve e precisa assumir o lugar que lhe pertence de acordo com a sua idade.

 

Isso significa que aqueles que vieram antes, têm precedência em relação aos que vieram mais tarde.

 

Por isso, os pais têm precedência em relação aos filhos, e o primeiro filho tem precedência em relação ao segundo.

 

Portanto, cada um tem o seu próprio lugar que pertence somente a ele.

 

No decorrer do tempo ele se desloca dentro da hierarquia de baixo para cima, até que cria sua própria família e nela assume imediatamente com seu parceiro o primeiro lugar.

 

Aqui se impõe uma outra ordem de hierarquia, uma hierarquia entre as famílias, por exemplo, entre a família de origem e a própria família nova.

 

Aqui a nova família tem primazia perante a antiga.

 

Esta ordem também é válida se um dos pais inicia, durante o casamento, um relacionamento com um outro parceiro, do qual nasce uma criança.

 

Com isso ele cria uma nova família que tem prioridade em relação à primeira.

 

A família posterior não anula o vínculo com a anterior, assim como a família nova não anula o vínculo com a família de origem.

 

Contudo, ela tem prioridade em relação à anterior.

 

A violação da hierarquia e suas conseqüências

 

A hierarquia é violada quando alguém que veio mais tarde quer assumir uma posição superior a daquela que lhe cabe de acordo com a ordem hierárquica.

 

Essa violação da ordem hierárquica é, na verdade, como se sabe, um orgulho que precede a queda.

 

As violações mais freqüentes da hierarquia observamos nas crianças. Em primeiro lugar quando se elevam acima de seus pais.

 

Por exemplo, quando se sentem melhores que os seus pais e se comportam de forma correspondente.

 

Isso é uma violação da hierarquia sem amor.

 

Essa hierarquia é principalmente violada quando a criança quer assumir algo pelos pais.

 

Por exemplo, quando ficam doentes no lugar deles e querem morrer.

 

Aqui a hierarquia é violada com amor. Entretanto, esse amor não protege a criança das conseqüências da transgressão da ordem.

 

O que existe de trágico nisso é que a criança transgride a ordem de boa consciência.

 

Isso significa, sob a influência da consciência pessoal a criança se sente especialmente inocente e boa, através dessa transgressão.

 

Isso também significa que com isso também se sente pertencente de uma forma especial.

 

Portanto, aqui essas duas consciências se opõem.

 

A hierarquia, que impõe e protege a consciência coletiva, é violada em sintonia com a consciência pessoal.

 

Nesse sentido ela é conscienciosa.

 

Aqui a consciência pessoal impele alguém a transgredir essa ordem e sofrer as consequências dessa transgressão.

 

Quais são as conseqüências dessa transgressão?

 

A primeira conseqüência é o fracasso. A pessoa que se eleva em relação aos pais, seja sem amor ou com amor, fracassa.

 

Isso é válido não tão somente dentro da família, mas também em outros grupos, por exemplo, em organizações.

 

Muitas organizações fracassam através de conflitos internos, nos quais uma pessoa que é admitida depois ou um departamento que é criado posteriormente se eleva, dentro da hierarquia, em relação a um anterior que tem precedência.

 

Na verdade, o fracasso, como conseqüência da violação da hierarquia é a morte.

 

O herói trágico quer assumir algo por aqueles que lhe precedem. Contudo, ele não apenas fracassa, ele morre.

 

Vemos algo semelhante com as crianças, que carregam e querem assumir algo pelos pais. Elas lhes dizem internamente: “Melhor eu do que você”.

 

O que realmente está contido nisso? Significa, por fim: “Eu morro no seu lugar”.

 

“A hierarquia é a ordem da paz”.

 

Ela está a serviço da paz na família e no grupo. Ela está, no final, a serviço do amor e da vida.

 

O alcance

 

Até que ponto a consciência coletiva alcança? Somente os mortos que conhecemos pertencem?

 

Ou essa consciência quer trazer de volta também os excluídos de muitas gerações anteriores?

 

Talvez até nós, como éramos em uma vida anterior?

 

Talvez até esteja a serviço de um movimento cósmico para o qual nada pode ficar perdido, nada que tenha existido?

 

Nós também violamos essa hierarquia através de nossa crença de progresso como se nós fôssemos melhores do que nossos antepassados?

 

Como se fôssemos superiores a eles?

 

O que acontece conosco se nos colocarmos internamente no nosso lugar adequado, humildemente no último lugar?

 

Se nós incluirmos no nosso presente, todos aqueles que foram excluídos, não importam quais os motivos e aqueles que precisaram morrer antes de ter cumprido o seu tempo total, com aquilo que ainda lhes falta, então não estaremos também completos com eles?

 

A CONSCIÊNCIA ESPIRITUAL

 

A consciência espiritual reage a que?

 

Ela responde a um movimento do espírito, aquele espírito que movimenta tudo, se movimenta e que movimenta tudo de uma forma criativa.

 

Tudo está submetido a esse movimento, não importando se isso seja ou não o nosso desejo, não importando se nos submetemos ou resistimos a ele.

 

A pergunta é apenas, se nós nos percebemos em sintonia com esse movimento, se nós nos submetemos a ele de boa vontade e permanecemos em sintonia com ele, de maneira sábia.

 

Quer dizer, se nós somente nos movimentamos, pensamos, sentimos e agimos até o ponto em que percebemos que estamos sendo conduzidos, levados e movimentados por ele.

 

O que acontece conosco quando sabemos estar em sintonia com esse movimento?

 

O que acontece conosco quando talvez o nosso desejo seja o de nos afastarmos desse movimento porque a sua reivindicação nos pareça ser grande demais, nos provocando medo?

 

Experimentamos aqui, em relação à consciência espiritual, aquilo que podemos comparar com a consciência pessoal.

 

Se experimentamos estar em sintonia com os movimentos do espírito, nos sentimos bem.

 

Sobretudo, nós nos sentimos calmos e sem preocupações.

 

Sabemos do nosso próximo passo e temos a força de dá-lo. Isso seria, por assim dizer, a boa consciência espiritual.

 

Como em relação à consciência pessoal aqui também sabemos imediatamente se estamos em sintonia.

 

Contudo, esse conhecimento aqui é espiritual. A boa consciência é a entrega sábia a um movimento espiritual.

 

O que é, sobretudo, esse movimento espiritual?

 

É um movimento de dedicação a tudo, assim como é, que está de acordo com a dedicação do espírito a tudo, assim como é.

 

Como é que experimentamos então uma má consciência espiritual, aqui novamente de modo análogo ao sentimento de culpa da consciência pessoal?

 

Como sentimos a má consciência espiritual?

 

Nós a sentimos como inquietação, como bloqueio espiritual.

 

Nós não nos conhecemos mais, não sabemos o que podemos fazer e nos sentimos sem força.

 

Quando é que temos sobretudo uma má consciência espiritual?

 

Quando nos desviamos do amor espiritual.

 

Por exemplo, quando excluímos alguém de nossa dedicação e de nossa benevolência. Nesse momento, perdemos a sintonia com o movimento do espírito.

 

Estamos entregues a nós mesmos e temos uma má consciência.

 

Contudo, como na consciência pessoal, a má consciência também está aqui a serviço da boa consciência.

 

Ela nos reconduz através de seu efeito para a sintonia com os movimentos do espírito, até que fiquemos novamente calmos e nos tornemos um com o seu movimento de dedicação e amor por todos e por tudo, assim como é.

 

AS DIFERENTES CONSCIÊNCIAS E AS CONSTELAÇÕES FAMILIARES

 

Quando alguém quer entender e solucionar um problema pessoal com a ajuda das constelações familiares, um problema de relacionamento com um parceiro ou na família com uma criança, reconhecemos imediatamente,

 

qual é a consciência que esse problema provoca e conserva, e o que esses problemas exigem de cada indivíduo e de sua família para uma solução.

 

Aqui precisamos ver as diferentes consciências unidas umas às outras no sentido de que todas estão a serviço de nossas relações.

 

Elas são erigidas umas sobre as outras e se complementam, de forma que precisamos ver um problema e a sua solução relacionadas a várias consciências e por último, a todas.

 

Por exemplo, se alguém pede a nossa ajuda, podemos reconhecer imediatamente, quais as consciências que estão envolvidas no seu problema e de que forma, e quais as soluções que estão disponíveis.

 

Inversamente, se um ajudante tem um problema com um cliente, ele pode se perguntar, quais as consciências relativas a ele que estão envolvidas nesse problema e o que elas também lhe oferecem como solução.

 

A consciência espiritual

 

Em primeiro lugar, observo aqui as Constelações Familiares partindo do fim do caminho percorrido por elas, portanto, do ponto de vista da consciência espiritual.

 

Em retrospectiva ao caminho percorrido até agora, reconhecemos de forma mais clara o significado das outras duas consciências.

 

Reconhecemos também onde é que chegam aos seus limites. A consciência espiritual nos conduz para além desses limites.

 

A diferenciação das consciências

 

O que diferencia sobretudo as diferentes consciências, e o que lhes impõe limites? É o alcance de seu amor.

 

A consciência pessoal está a serviço do vínculo a um grupo limitado, exclui outros que não pertencem a esse grupo.

 

Não une somente, também separa. Não ama somente, também rejeita.

 

A consciência coletiva vai para além da consciência pessoal, pois também ama aqueles que foram rejeitados e excluídos dentro da família e dentro de grupos similares pela consciência pessoal.

 

A consciência coletiva quer também trazer de volta os excluídos, para que possam fazer parte novamente.

 

Por isso, o seu amor vai além. Não exclui ninguém.

 

Contudo, em seu campo de visão não tem tanto o bem-estar de cada um. Senão, não poderia obrigar um inocente que não estava envolvido na exclusão, a representar um excluído, embora com isso lhe imponha algo pesado.

 

Aqui se mostra que essa consciência não é pessoal, mas coletiva, que deseja principalmente a totalidade e a ordem em um grupo.

 

“Os movimentos do espírito, ao contrário, se dedicam igualmente a todos”.

 

Quem entra em sintonia com os movimentos do espírito não pode fazer de outra forma a não ser se dedicar igualmente a todos com benevolência e amor, não importando qual seja o seu destino.

 

Este amor não conhece fronteiras. Supera as diferenciações entre o melhor ou o pior e entre o bom e o mau.

 

Por isso, supera os limites da consciência pessoal e os limites da consciência coletiva.

 

Está dedicado de forma igual a cada um e a todos em sua família e nos outros grupos dos quais faz parte.

 

A consciência espiritual vela sobre este amor. Entra em jogo, quando nós nos desviamos dela.

 

As Constelações Familiares Espirituais

 

O que isso significa para as constelações familiares? Como esse amor se mostra  nas constelações familiares?

 

Em primeiro lugar, chamo a atenção para o fato de que os movimentos do espírito nas constelações familiares se manifestam de uma forma expressiva.

 

Eles são vivenciados e se tornam visíveis através dos representantes, igualmente para aqueles que observam esses movimentos.

 

Isso significa que os movimentos do espírito são percebidos, em primeiro lugar pelos representantes e através deles também por aqueles que observam esses movimentos e talvez eles mesmos sejam atraídos e apanhados por eles.

 

Por isso, o procedimento das constelações familiares espirituais é um outro, diferente daquele que muitas pessoas associam a elas.

 

Aqui não se coloca mais a família de forma que alguém escolhe de um grupo, representantes para os diversos membros da sua família e depois os coloca num espaço uns em relação aos outros.

 

Aqui se coloca somente uma pessoa, por exemplo, o cliente ou um representante para ele, e talvez ainda uma segunda pessoa, por exemplo, seu parceiro.

 

Contudo, não que este seja colocado no sentido habitual em relação ao outro.

 

Ele também é apenas colocado, por exemplo, a uma certa distância em sua frente.

 

Aqui não existem regras e intenções.

 

O cliente ou seu representante e as outras pessoas adicionais são apenas colocadas.

 

De repente, são apanhados por um movimento sem que possam conduzi-lo.

 

Esse movimento vem de fora, embora também seja vivenciado como se viesse de dentro.

 

Isso significa que essas pessoas vivenciam estar em sintonia com um movimento que coloca algo em movimento através delas.

 

Entretanto, isso acontece somente se ficarem concentrados, sem intenções próprias e sem medo daquilo que talvez se mostre.

 

Tão logo entrem em jogo as próprias intenções, por exemplo, a intenção de ajudar alguém ou o medo daquilo que possa vir à luz e para onde isso talvez vá conduzir, a ligação com os movimentos do espírito se perde.

 

Também o centramento dos observadores se perde. Por exemplo, ficam inquietos.

 

Após um certo tempo, através dos movimentos dos representantes mostra-se se é necessário ainda acrescentar uma outra pessoa.

 

Por exemplo, quando um deles olha para o chão, isso significa que está olhando para uma pessoa morta.

 

Então se escolhe um representante e ele é solicitado a se deitar no chão de costas em frente ao outro.

 

Se um representante olha intensamente para uma direção, coloca-se alguém em frente a ele, para onde está olhando.

 

Os movimentos dos representantes são bem lentos.

 

Tão logo uma pessoa se movimente depressa, está sendo movido por uma intenção e não está mais em sintonia com os movimentos do espírito.

 

Ele não está mais centrado e não é mais confiável, precisamos substituí-lo por um outro representante.

 

Sobretudo o constelador precisa abster-se de suas intenções e interpretações.

 

Ele também se deixa ser apanhado pelos movimentos do espírito.

 

Isto é, ele só age, deixando ser movimentado claramente para um próximo passo ou para uma frase, que ele mesmo diz ou deixa que um representante a diga.

 

Além disso, recebe continuamente através dos movimentos dos representantes, indicações daquilo que está acontecendo dentro deles e para onde os seus movimentos conduzem ou devem conduzir.

 

Por exemplo, quando um representante se afasta do representante de uma pessoa morta que está deitada à sua frente ou quer se virar, o constelador interfere, depois de um certo tempo e o conduz de volta.

 

Contudo, não de uma forma que, ao seguir esse procedimento, o constelador deva deixar tudo ao critério dos movimentos dos representantes.

 

Ele está, como eles, a serviço dos movimentos do espírito e os segue, muitas vezes irresistivelmente, quando interfere de uma determinada forma ou diz algo.

 

No final para onde conduzem esses movimentos do espírito?

 

Eles unem o que antes estava separado. São sempre movimentos do amor.

 

Esses movimentos não precisam ser levados sempre até o fim.

 

É o suficiente quando fica visível para onde conduzem.

 

Por isso, essas constelações muitas vezes permanecem incompletas e abertas. É o suficiente que tenham entrado em movimento.

 

Nós precisamos confiar que elas prosseguirão.

 

Pois estes movimentos não mostram apenas algo, por exemplo, a solução para um determinado problema.

 

Eles já são os movimentos de cura decisivos, e como a cura, precisam, via de regra, também o seu tempo.

 

São o início de um movimento de cura.

 

As constelações familiares em sintonia com os movimentos do espírito pressupõem que sobretudo o constelador permaneça em sintonia com esses movimentos.

 

Isto é, que em primeiro lugar permaneça dedicado a todos com o mesmo amor, para além dos limites da diferenciação entre o bom e o mau.

 

Ele só pode fazer isso, se tiver aprendido a prestar atenção aos movimentos do espírito dentro de si, de forma que percebe imediatamente quando se desviou do amor.

 

Por exemplo, quando quer internamente atribuir a culpa a um acontecimento ou quando tem pena da pessoa por aquilo que ela precisa sofrer.

 

Desvios desse amor vivenciamos conosco continuamente.

 

Entretanto, nós seremos reconduzidos à sintonia com o seu movimento do amor por tudo aquilo, assim como é, depois que tivermos aprendido a prestar atenção aos movimentos da consciência espiritual e nos sujeitarmos à sua disciplina.

 

A consciência pessoal

 

Os limites mais estreitos contra o amor são traçados pela consciência pessoal.

 

Pois as nossas diferenciações usuais entre o direito de pertencer ou a sua perda são determinadas e aprovadas por essa consciência.

 

É evidente, que essa diferenciação tem um significado importante para a nossa sobrevivência, não podendo ser substituída por nada, dentro de determinados limites.

 

Essa consciência coloca seus limites principalmente em relação às crianças.

 

Para as crianças, a realização das formas de pensamento e comportamento exigidas por essa consciência é importante para a sua sobrevivência, inclusive a desconfiança em relação àqueles que seguem uma outra consciência pessoal, porque estão ligadas a um outro grupo, rejeitando-os e lutando contra eles.

 

Essa consciência, como uma boa consciência, por um lado, possibilita e assegura a sobrevivência; por outro lado, a coloca em perigo logo que o nosso grupo entra em conflito com outros, estabelecendo disputas mortais com eles.

 

Na consciência pessoal também reside a necessidade do equilíbrio.

 

Essa necessidade é um movimento da consciência, pois temos uma boa consciência, quando devolvemos algo equivalente àqueles que nos deram algo, de forma que exista um equilíbrio entre o dar e o receber.

 

Temos também a mesma boa consciência quando não podendo devolver algo equivalente, transmitimos a outros algo equivalente.

 

Em conformidade com isso temos uma má consciência, quando recebemos sem dar algo equivalente ou quando fazemos exigências que não nos competem.

 

Aqui também a consciência pessoal tem uma tarefa fundamental a serviço de nossas relações.

 

Sim, essa necessidade é que torna isso possível.

 

Essa necessidade também está a serviço de nossa sobrevivência, entretanto apenas dentro de determinados limites.

 

Em sua função de equilíbrio, a consciência pessoal, de modo semelhante à sua função de nos ligar à nossa família, também serve tanto à vida e à sobrevivência, como também serve ao oposto, quando determinados limites forem transgredidos.

 

Aqui leva também à morte.

 

A consciência pessoal com referência ao vínculo, foi a separação de outros grupos que pode levar a conflitos graves, inclusive à guerra.

 

Com referência à necessidade do equilíbrio, é a expansão dessa necessidade de equilíbrio quanto ao prejuízo e ofensa mútuos, chegando até à vingança mortal, por exemplo, a vingança pelo sangue.

 

A necessidade de expiação segue a mesma direção, quando para expiar pelo sofrimento e prejuízo que causamos a outros, também nos infligimos um sofrimento, nos limitamos e nos prejudicamos.

 

Nesse contexto pertence também a expiação substitutiva.

 

Por exemplo, quando uma criança expia pelos pais, mas também quando a mãe ou o pai espera de uma criança que ela expie por eles.

 

Por exemplo, quando fica doente ou morre no lugar deles, como podemos observar muitas vezes nas constelações familiares.

 

Entretanto, isso acontece de forma inconsciente de ambos os lados, pois aqui a consciência coletiva também é importante.

 

Contudo, sempre se trata de um equilíbrio, que se opõe à vida, que a prejudica ou até mesmo a sacrifica – de boa consciência ou com o sentimento de inocência.

 

Ao que precisamos prestar atenção nas constelações familiares, para que fiquemos dentro dos limites da consciência pessoal que está a serviço da vida?

 

Precisamos ter deixado para trás os limites da diferenciação entre o bom e o mau.

 

Se nas constelações familiares permanecermos na esfera da consciência pessoal, por exemplo, quando junto com o cliente rejeitamos outros, estaremos a serviço da vida de uma forma limitada.

 

Então, como essa consciência estaremos a serviço, por um lado, da vida e por outro, da morte.

 

A consciência coletiva

 

A que devemos prestar atenção nas constelações familiares em relação à consciência coletiva?

 

Em primeiro lugar, que não excluamos ninguém nem em nossa nem na família do cliente e que procuremos na família dele e na nossa pelos excluídos, olhemos para eles com amor e os coloquemos, com amor, em nosso coração.

 

Podemos fazer isso somente se tivermos deixado para trás a diferenciação entre o bom e o mau e se também colocarmos as nossas crianças não nascidas no nosso campo de visão, mesmo que isso seja difícil para nós.

 

Aqui é necessário tanto a coragem como também a clareza.

 

Em segundo lugar, que nós nos atenhamos à hierarquia.

 

Isto é, que em primeiro lugar fiquemos conscientes de que através de nossa ajuda nos tornamos temporariamente um membro da família do cliente.

 

Contudo, nós chegamos nessa família como o último e por isso temos o último lugar dentro dela.

 

O que acontece, quando um ajudante se comporta como se tivesse o primeiro lugar, até ainda antes e acima dos pais do cliente?

 

Ele fracassa. O cliente também fracassa, quando ele fere a hierarquia e o ajudante talvez até o apóie nisso.

 

Por exemplo, quando junto com o cliente de uma ou outra forma se coloca contra os seus pais.

 

A violação da hierarquia algumas vezes coloca a vida em perigo também.

 

Por exemplo, quando o cliente assumiu algo pelos pais, o que não lhe competia, de acordo com a hierarquia.

 

Então algumas vezes, diz para seus pais: “Eu, no lugar de vocês…

 

Também para o ajudante a violação contra a hierarquia pode ser perigoso.

 

Por exemplo, quando ele se arroga assumir algo pelo cliente, algo que ele precisa carregar sozinho.

 

Então se eleva acima do cliente, como talvez acima dos seus pais e como o ajudante tenha tentado fazer quando criança aos seus pais.

 

Mas, principalmente, quando o ajudante se arroga, que poderia virar o destino de um cliente ou proteger o seu cliente.

 

Somente dentro da hierarquia o ajudante permanece em sua força e o cliente encontra a solução que lhe é adequada, aqui em sentido duplo.

 

Com referência à consciência coletiva só precisamos ficar dentro dos limites que ela nos coloca nas constelações familiares, pois esses limites são amplos e abertos.

 

CONCLUSÃO

 

Nas constelações familiares a consciência espiritual, através de seu amor por todos, nos conduz para além dos limites da consciência pessoal.

 

Também nos protege para não desrespeitarmos os limites da consciência coletiva, pois ela está dedicada a todos da mesma forma.

 

Ela presta especial atenção à hierarquia porque sabemos, quando seguimos os movimentos do espírito, que somos todos iguais e equivalentes, com todos no mesmo nível, embaixo.

 

Nas constelações familiares espirituais permanecemos sempre no amor, sempre no amor total.

 

Somente as constelações familiares espirituais estão sempre a serviço, em todos os lugares e unicamente a serviço da vida – e do amor – e da paz.

 

Tradução de Tsuyuko Jinno-Spelter – Mar/Abr 2007.

 

Revisão: Wilma Costa G. Oliveira

Pronunciamento de Bert Hellinger feito em um Workshop sobre Constelação Familiar em Nova York em Junho de 2001 – Alfa e Ômega

 

Tradução do inglês (com permissão expressa de Bert Hellinger por Décio Fábio de Oliveira Júnior – ® reprodução proibida.

O Alfa e o Ômega

 

Na última noite, quando eu cheguei no Instituto Ômega, eu estava um pouco perdido. Enquanto eu esperava minha bagagem, decidi caminhar um pouco. Eu cruzei com um homem. Ele era um estranho para mim, mas eu pensei que ele me parecia de alguma forma familiar. De início, eu estava muito tímido para iniciar uma conversa com ele.

 

Então eu pensei que ele poderia ser Jesus. E assim eu perguntei para ele “o que você está buscando aqui?” Ele disse, “eu estou procurando pelo alfa”.

 

Então eu peguei a minha bagagem e perdi o homem de vista. Quando eu tentei encontrá-lo novamente, ele tinha desaparecido.

 

Mas por causa de sua resposta, durante a noite inteira, eu pensei a cerca do alfa. O que é o alfa?

 

O alfa é o começo, a fonte. O que eu tenho buscado no meu trabalho é na verdade o alfa, a fonte a partir da qual tudo emerge, da qual tudo brota.

 

Deste modo, em meu trabalho pessoal e em meu trabalho com os outros, eu sempre olho para ver onde está o começo e onde está a força original.

 

Toda terapia, como eu a compreendo, tem que ir em direção à fonte. Para cada um de nós, a fonte é, primeiro de tudo, nossos pais.

Se nós estamos conectados com eles, estamos conectados com nossa fonte.

Uma pessoa que está separada de seus pais, está separada de sua fonte. Quem quer que esses pais sejam, como quer que eles se comportem, eles são a fonte de vida para nós.

 

Assim, a coisa principal, é que nós estejamos conectados a eles de tal forma, que aquilo que vem deles para nós possa fluir livremente e, através de nós, para aqueles que vêm a seguir.

 

Eu tenho uma imagem da fonte. Eu penso em um rio. Ele começa em sua fonte. Ela brota a partir da terra, e então não tem que buscar um caminho.

 

Ela encontra esse caminho automaticamente, devido ao fato de sempre permanecer abaixo. O progresso do rio é ir cada vez mais para baixo e permanecer baixo.

 

Seu fluxo é sempre para baixo, nunca para cima.

 

Ele sempre segue para baixo. No final ele encontra o oceano, onde é absorvido por algo maior.

 

Muitas experiências espirituais buscam o pico. “Experiências de pico”, é como são chamadas.

Mas estar no pico significa que não estamos mais conectados com a fonte.

Permanecer abaixo, penso eu, é o caminho real de estar em sintonia com tudo o que é.

 

Agora, eu tenho um determinado sentimento quando eu fico em pé na frente dos meus pais, quando eu permaneço ereto em frente a eles.

 

Se eu me dobrar de joelhos, eu tenho um sentimento diferente.

 

E se eu deitar bruços em frente deles, em reverência, eu tenho um outro sentimento. E este é o verdadeiro sentimento, no fundo.

 

Uma vez que nós deitamos de bruços, em reverência, totalmente entregues em frente aos nossos pais, então tudo o que vem deles pode nos alcançar livremente.

 

Não há nenhuma resistência de nossa parte.

 

Não importa como nossos pais são agora ou eram quando éramos pequenos. Isso não faz nenhuma diferença. A vida e tudo o que vem com ela, veio para nós através deles.

 

Mas eles também, pertencem a uma longa linhagem. O que vem para nós a partir dos pais vem de muito longe.

 

Passa através de nós e vai para baixo. Todo o tempo, vai para baixo.

 

Se nós realmente vemos isto, se olhamos para a origem, a fonte da vida em si mesma e observamos seu fluxo através de todas essas gerações,

 

Podemos, então, estar abertos àquilo que nos é dado.

 

Então não há mais acusações, nenhuma queixa de nenhum tipo.

 

Nós apenas tomamos a vida, e então nos viramos e deixamos que o fluxo da vida passe através de nós indo para a próxima geração, para nossas crianças, ou se não temos crianças, para a comunidade, para a humanidade como um todo.

 

Então, nós estamos realmente em sintonia.

 

As constelações familiares realmente nos ajudam a encontrar essa conexão. Este é o trabalho que está em nossas mãos, este é o objetivo.

“Se eu alcanço isso, eu estou em contato com o alfa e também com o ômega.”

Diante do fim

 

Após trabalhar com paciente canceroso, deixando-o em face à sua doença e sua morte. Vocês podem ver a diferença entre a força dele agora, comparado a como ele se sentia antes. Nessa situação, isto é o que é necessário, ficar frente a frente com o fim.

Se somos realmente capazes de nos colocar de frente a ele, então nos sentimos melhores, estamos em contato com a fonte da vida.

Porque a vida e a morte pertencem, juntas, à mesma coisa.

Nós temos vida por que outros morreram antes. A morte de outros abriu o caminho para nossa vida. E se nós morremos, a vida irá para outros.

 

Nós abrimos espaços para eles. Este é o ciclo do qual fazemos parte. Nós podemos viver nossas vidas plenamente, se estamos em sintonia com o nosso fim.

 

Esta compreensão demanda do terapeuta, que ele ou ela, esteja em sintonia com a sua própria morte e não tema a sua morte pessoal nem a morte do cliente.

 

Então ele se sente muito calmo. Isto é tudo o que eu tenho a fazer. Se eu for tentar qualquer coisa mais, eu o afasto daquilo que ele tem experimentado.

Alma

 

Eu quero falar alguma coisa sobre “alma”. Nós, na sociedade ocidental, temos a idéia de que possuímos uma alma. Isto vem da filosofia grega, em granda parte, de Platão.

 

A idéia é que nós temos um corpo, e este corpo envolve uma alma. Assim a alma é prisioneira do corpo. Essa alma não se sente feliz no corpo. Ela tende a deixar o corpo após um tempo.

 

De modo a ajudar a alma a deixá-lo, nós primeiro, temos que salvá-la. Você já ouviu acerca disso? Salvar a alma?

 

Não é uma idéia estranha quando você pensa sobre isso, que nós temos que salvar nossas almas?

 

Quando trabalhamos com constelações familiares, nos é mostrado que estamos conectados a uma força maior.

 

Essa força maior é plena de sabedoria e está ativamente nos dirigindo para uma meta. Nós podemos vê-la em uma família.

 

Todos os membros da família agem como se guiados pela mesma força ou pela mesma consciência, como se todos tivessem uma consciência comum.

 

Isto, é porque nós estamos conectados com as pessoas do passado que tiveram um destino especial.

 

Em outras palavras, se, digamos, alguma injustiça foi feita para eles, nós podemos agora estar emaranhados com eles. Como isto é possível?

 

Como é possível que a injustiça feita para alguém no passado seja tomada por outros membros da família que nunca sequer conheceram essa pessoa?

 

Como pode essa segunda pessoa ser compelida a reparar uma injustiça feita na geração anterior? Tem de haver uma força comum que atua sobre eles.

 

Eu também tenho a idéia de que nós só podemos viver como seres humanos se estamos conectados todo o tempo com alguma coisa fora de nós.

 

Qualquer troca com o ambiente tem que ser guiada por alguma coisa que nos une, o ambiente e nós, de tal forma que podemos interagir de um modo integrado.

 

A evolução é movida por uma constante troca, e há uma força que guia, que empurra a evolução para a frente.

Esta força maior eu chamo de alma.

Quando eu trabalho aqui, eu tenho que estar em contato com essa alma maior. Essa alma me guia de tal forma que eu possa estar em sintonia com a outra pessoa.

 

Tão logo eu estou em sintonia, eu posso trabalhar com ele ou ela e fazer exatamente aquilo que é necessário no contexto particular dessa pessoa.

 

Deste modo, eu não estou apenas pensando naquilo que é certo, eu não estou teorizando acerca disto, eu acho os próximos passos necessários, pois estou em sintonia com a pessoa.

A alma tem diferentes dimensões.

Aquilo que eu vou falar agora são imagens construídas para apenas tocar uma idéia, não são a verdade em si, mas algumas observações sugerem que se pensamos nesses termos ou imagens,

 

Nós compreendemos melhor o que acontece na terapia.

 

Nosso corpo é mantido unido por uma força comum. Todo o metabolismo é dirigido por algo que sabe aquilo que é correto. Não é uma força cega que dirige o que acontece no corpo.

 

Essa força tem uma direção. Essa força é a alma. A alma mantém os órgãos juntos e os guia de um certo modo, de tal forma que a vida é preservada e continua.

 

Esta é a minha noção de alma com respeito ao corpo.

 

A família como um todo é também guiada por uma alma comum, a alma da família. Nós podemos ver o quão longe esta alma alcança, nós podemos descobrir a fronteira dessa alma.

 

E assim podemos perceber quem se encontra incluído ou excluído dentro da alma desta família. Quem pertence à alma da família? Primeiro, as crianças, todas elas.

 

Mesmo aquelas que nasceram mortas estão incluídas. Frequentemente, crianças abortadas, mesmo se foram abortos espontâneos, também são incluídas.

 

A seguir, os pais, seus irmãos e irmãs pertencem a esse grupo, assim como os avós e algumas vezes os bisavós. Esses são os parentes de sangue que são incluídos dentro da alma da família.

 

Além do mais, há outras pessoas incluídas na alma da família que não são parentes. Aqueles que abriram caminho para que alguém entrasse no sistema.

 

Por exemplo, os parceiros anteriores de um dos pais ou avós, que por sua morte ou divórcio, abriu espaço para uma outra pessoa entrar nesse sistema,

 

Nossa própria mãe ou pai talvez, ou nossa avó ou avô.

 

Aqueles que abriram espaço pertencem à família, pois contribuíram para esse sistema em particular.

 

Como os trabalhos mais recentes têm tornado claro, todas as vítimas que sofreram nas mãos de um membro da família, também pertencem a esse sistema.

 

Eu vou oferecer a vocês um exemplo: em São Paulo, Brasil, nós posicionamos a família de uma mulher, cujo irmão era psicótico e usuário de drogas.

 

Quando a família foi posicionada, tornou-se claro que ele estava conectado com alguém que não havia sido mencionado, nem lembrado.

 

Ele olhava para fora. Assim sendo, eu perguntei o que havia acontecido nas gerações anteriores. E veio que o bisavô era um latifundiário e tinha escravos.

 

O bem estar da família dependera em grande parte do trabalho e sofrimento desses escravos. Então posicionamos seis representantes para os escravos.

 

Quando eles foram colocados, o representante do jovem homem mostrou um profundo amor por eles. Ele foi até eles, abraçou-os, chorou e sentiu uma conexão muito profunda com eles.

Esses escravos pertencem a esse sistema familiar.

Nós também posicionamos o bisavô, ele não tinha nenhuma compaixão pelos escravos e a mãe, também não tinha compaixão por eles.

 

E foi esse jovem homem, usuário de drogas, que estava em conexão mais próxima com eles. Ele era movido pela alma da família.

 

Se há vitimas na família, (por exemplo, na Alemanha, as vítimas do holocausto) é claro que essas vítimas pertencem à família, mas seus assassinos também pertencem ao sistema da família.

 

Isto é mostrado quando posicionamos uma família de sobreviventes do holocausto ou seus descendentes.

 

Nessas famílias um membro freqüentemente tem de representar os agressores. Somente quando os agressores são incluídos, a família pode encontrar paz.

 

O que significa incluir os agressores? Eles precisam ser amados como seres humanos, nós não podemos excluí-los através de nossas justificativas morais.

 

Eles, também, mesmo que isso nos pareça horrível, estão seguindo suas consciências.

 

Eles estão ligados ao seu grupo e, aquilo que fizeram foi feito a serviço do seu grupo, muito frequentemente com uma boa consciência.

 

Deste modo, eles são, de certo modo, não muito diferentes de suas vítimas.

 

Nós podemos ver nas constelações familiares que as vítimas só encontram paz se os agressores são aceitos por elas como iguais.

 

E os agressores só acham a paz se eles se posicionam ao lado de suas vítimas.

 

Tivemos uma constelação em Buenos Aires – Argentina – há 06 semanas atrás. Havia um homem que disse temer ser, ele próprio, um perigo para suas crianças.

 

Quando ele estava dirigindo, subitamente percebeu que dirigia de maneira descuidada, sem levar em consideração a segurança de seus filhos.

 

Ele temia que pudesse causar sua própria morte e a das crianças num acidente de carro. Ele era um descendente de sobreviventes do holocausto.

 

Deste modo, posicionamos representantes das vítimas e representantes para os agressores.

 

Quando eles foram posicionados, o homem chorava aos gritos, totalmente preenchido de dor, e socava o chão violentamente.

 

Sua energia era a energia de um agressor, mas ele não conseguia olhar para as vítimas. Levou muito tempo para que ele, finalmente, fosse capaz de olhar pra elas.

 

Finalmente ele foi até cada um dos representantes das vítimas que estavam deitados no chão e os abraçou com profundo amor.

 

Ele então, foi até cada um dos agressores e tocou suas faces com amor. Os agressores se tornaram muito mais leves e a constelação terminou.

 

Então o homem sentou-se sozinho por um tempo, eu fui até ele e disse “agora imagine suas crianças na sua frente”. Ele as olhou e eu disse “diga a elas: — agora eu cuido de vocês”.

 

Ele foi capaz de dizer a sentença de uma maneira amável e totalmente em contato com o seu próprio coração.

 

Vêem como todos precisam ser incluídos no fim? O que isso mostra? Que todos os seres humanos são guiados por uma força que está além deles mesmos.

 

O que quer que uma pessoa faça, seja o bem ou seja o mal, tem que ser visto não apenas como sua própria responsabilidade,

 

(embora ela tenha uma certa responsabilidade), tem que ser entendido dentro de uma visão mais ampla, onde atuam forças maiores.

 

Como devemos lidar com essa força maior?

 

Nós temos que nos curvar diante dela, em profunda reverência e sermos muito humildes

 

Então, estaremos unidos naquilo que eu chamo, a grande alma. Em conexão com esta grande alma seremos capazes de fazer o trabalho aqui.

Sobre a espiritualidade

 

Eu quero dizer algo sobre a espiritualidade. O instituto Ômega é um lugar espiritual, como eu aprendi aqui. Há muita busca por realização espiritual.

 

Eu direi algo mais sobre esta busca a partir de minha própria perspectiva, desenhada a partir de minha própria experiência.

 

Como eu mencionei esta manhã, a busca por iluminação espiritual freqüentemente reflete o desejo de alcançar a experiência de pico. O pico é um local altamente solitário, muito solitário.

 

Poucas pessoas podem permanecer lá por um longo tempo. Mas, uma vez que elas tenham escalado o pico, ficam com medo de fazer o caminho de volta para baixo.

 

Subir ao pico custou tal quantidade de esforço, que elas se preocupam com o que farão quando voltarem ao vale.

 

Assim, elas permanecem no meio do caminho, entre o pico e o vale, sem ter nem um, nem o outro.

A maior realização espiritual é a mais humilde.

Quando eu vejo pessoas que estão fazendo meditação por muito tempo, esperando a iluminação,

 

Eu me pergunto: Em que elas estão contribuindo para a raça humana como um todo?

 

E a resposta que me retorna é: em nada.

 

Uma vez eu falei com um mestre Zen na Alemanha que muito freqüentemente ia para Kyoto, no Japão, participar de sessões Zen.

 

Eles tinham sessões por 10 dias, meditando cada dia, 10 horas ou mais, alguns chegando a 16 horas ao dia.

 

Ele me disse que eles ficavam plenos de energia após isto. Eu perguntei o que eles faziam com esta energia. Ele me respondeu: “Bem, vamos para a cidade e nos divertimos com as gueixas.”

 

Eu questiono se esta era a extensão da realização das sessões e pensei que isto era estranho, muito estranho.

 

O Zen foi, originalmente, concebido como um caminho para os guerreiros aprenderem como lutar efetivamente. Neste contexto, o Zen tem significado. Sem ele, a meditação não tem significado.

 

Quando comparado com uma mãe que cria 5 crianças, que força tem um monge que passa sua vida meditando? A tarefa da mãe é verdadeiramente espiritual, humilde e humana, bem do “vale”.

 

Além do mais, quando as pessoas falam de espiritualidade, eu vejo que aquilo que elas desejam realmente obter é – devo eu dizer isso tão abertamente? – sua mamãe.

 

A busca pela espiritualidade, por realização espiritual, muito frequentemente, é a busca pela mamãe. O que ocorreu o Buda realmente?

 

Ele perdeu a sua mãe ao nascer. Isto foi o que aconteceu.

 

Isto foi, mais tarde, nublado por todo tipo de história, incluindo aquela de quando ele viu uma pessoa morta pela primeira vez, ele mudou sua vida e deixou sua esposa e filho.

 

Mas a primeira pessoa morta que ele conheceu, na profundidade de seu coração, foi sua mãe, que morreu no parto, durante o seu nascimento.

 

Se temos isso em mente, podemos entender seus ensinamentos sobre escapar do sofrimento.

 

São os ensinamentos de uma criança que perdeu sua mamãe ao nascer.

 

Agora, eu não digo que os ensinamentos do Buda devam ser descartados. O budismo é um grande movimento e tem tido grandes efeitos na humanidade.

 

Eu não questiono isto de forma alguma. Apesar disto , se você olha deste ponto de vista, voce vê que é algo comum também.

 

É um movimento humano comum. Eu não posso ver o que ele tem a ver com as coisas além.

 

Eu também tenho observado que quando as pessoas tomam um caminho espiritual e se tornam esotéricas, elas freqüentemente se recusam a cuidar de suas crianças ou, abandonam suas esposas.

 

Elas se recusam a permanecer nas relações humanas ordinárias e assumir responsabilidades comuns que custam algo.

 

Elas se desviam daquilo que é terreno para um nível chamado espiritual.

 

Mas são totalmente auto-centradas. Elas podem dizer acerca de perder seu ego, mas sobre o que elas estão meditando?

 

Sobre o seu ego, é claro. E o que dizer acerca do seu desejo de iluminação?

 

Para que elas querem isso? Para o seu ego, é claro. Há uma grande decepção nisso tudo.

 

Agora, há um outro caminho espiritual: a noite escura da alma.

 

Na Espanha, São João da Cruz ensinou sobre a noite escura da alma. Este treinamento espiritual leva um longo tempo.

 

Você não pode exercitá-lo ou desejá-lo. Ele acontece com você.

 

A noite escura acontece com você. E uma vez que ela vem, você não sabe mais para onde ir.

 

Tudo é escuro, e você se sente desolado, sem direção. Mas você é forte o suficiente para sustentar isso.

 

E depois de um tempo, você experimenta a noite escura da alma.

 

A noite escura da alma tem três partes.

 

Primeiro, há a noite escura dos sentidos, na qual você não está mais buscando algo que agrade aos olhos, ouvidos, ou qualquer outro sentido.

 

Isto não é porque você deva desvalorizá-los de qualquer modo, pois então seria uma resposta num nível diferente.

 

Não, isto é porque você está conectado com algo mais profundo, um lugar onde é muito calmo, muito tranquilo.

 

Neste nível, você não precisa mais olhar para fora ou escutar algo. É um lugar muito grande.

 

Em outras palavras, o caminho espiritual requer, especialmente abstenção de todas as intenções de alcançar “altas realizações”.

Você permanece no “vale” todo o tempo.

A segunda parte desta noite é muito difícil. É a noite escura do espírito. Isto significa que você deixa ir seu desejo de saber.

 

Você não faz perguntas como: Por que? O que é? O que foi? O que acontece depois?

 

Não, você permanece separado dessa necessidade de saber.

 

Há ainda uma outra parte: a noite escura do desejo. Você não mais quer alcançar algo.

 

Se você tem um plano, por exemplo, você quer aprender a fazer constelações familiares e dar muitos cursos, isto é uma coisa boa, talvez.

 

Mas se você tem um plano de mudar o mundo através delas, você está desconectado da fonte real.

 

Se você deixar esses planos grandiosos irem embora – se você não quiser curar as outras pessoas,

 

Ou fazer do mundo um lugar melhor, se você só permanecer consigo mesmo – então um outro caminho se abre para você.

 

Pode ser que você tenha então, o impulso para dar apenas um pequeno passo, e seguindo esse impulso, você descobre mais que todos os planos do mundo poderiam ter dado a você..

 

Agora você está subitamente em conexão com algo mais, você está em sintonia com alguma coisa maior.

 

Assim, ao final desta discussão, estamos de volta àquilo que eu falei esta manhã, o alfa.

Amor

 

Outro dia eu estava pensando sobre o amor. Eu imaginei que alguém dissesse a outra pessoa “eu amo você”.

 

Um marido diz isso para sua esposa, um homem fala isso para sua mulher, “eu amo você”. Isto toca o coração de ambos. Mas isso tem força?

 

Será que o amor que é expressado neste momento, é forte o suficiente para durar uma vida, mesmo quando as dificuldades vierem?

 

Não, ele é muito fraco. Deve haver alguma coisa que precisa ser adicionada a esta sentença.”Eu amo você” precisa ser seguido de “e aquilo que me guia e guia você”.

”Eu amo você e aquilo que me guia e guia você”.

Se ambos os parceiros dizem isso, a afirmativa tem força. Mas o que isso significa na vida real?

 

Significa que eles podem estar juntos por um tempo, dividir um mesmo caminho por um tempo, mas então pode acontecer que eles sejam levados em direções diferentes.

 

Neste momento, quando eles se separam, em um nível, eles podem ambos dizer ”Eu amo você e aquilo que me guia e guia você”.

 

Mesmo se há uma separação ou um distanciamento ligado a isso, o amor permanece em um nível muito profundo.

Este tipo de amor é a base do respeito.

Eu respeito uma pessoa, quando eu digo à ela ”Eu amo você e aquilo que me guia e guia você. E eu amo você exatamente como você é, porque eu vejo aquilo que nos guia”.

 

E para o auto-respeito, é o mesmo. Eu olho para mim mesmo, exatamente como sou, e digo “sim, eu amo a mim mesmo e àquilo que me guia”.

 

Entre pais e filhos temos a mesma situação. Os pais olham suas crianças e dizem “eu amo vocês e àquilo que guia vocês e a mim”.

 

E as crianças olham para seus e dizem “eu amo vocês e àquilo que guia vocês e a mim”.

 

Assim, eles são todos indivíduos e ao mesmo tempo estão conectados de uma maneira muito profunda.

 

No primeiro dia deste seminário, um homem veio aqui para trabalhar e nós todos vimos sua ansiedade. A pergunta para mim foi: “o que eu devo fazer?

 

E eu disse: “eu amo você e àquilo que guia você e a mim”. E dessa forma, eu não vou além daquilo que me é permitido por aquilo que me guia internamente.

 

E eu concordo com aquilo que o está guiando, mesmo que isto o leve à morte. Com base neste profundo respeito mútuo e amor alguma coisa pode fluir entre o cliente e o terapeuta.

 

Não há diferença real entre eles. Estão todos no mesmo nível todo o tempo. E eles se curvam a algo maior.

 

Paz de espírito

 

Eu quero dizer algo sobre a paz. Alguma vezes falamos sobre paz de espírito. O que é paz de espírito? Se nós concordamos com tudo o que é dentro de nós, então encontramos paz de espírito.

Se não objetarmos a algo que está dentro de nós, então temos paz de espírito.

 

E se nós concordamos com tudo o que aconteceu em nossa família, nossos pais, nossos irmãos, nossos ancestrais, nossos destinos, então temos paz de espírito.

 

Se nada está em oposição à alguma coisa, então nós temos paz de espírito.

 

E se nós temos paz de espírito, então temos paz com a nossa família também.

 

Se você tem crianças e concorda com elas como são, exatamente como são, com seus destinos especiais, suas dificuldades, seus talentos, seu amor especial,

 

Você então está em paz com a sua família.

 

Se você concorda com o seu parceiro deste modo, como ele ou ela é, sem qualquer desejo de mudá-lo, você tem paz de espírito.

 

E se você tem de lidar com outros grupos que algumas vezes parecem ser difíceis ou estar em oposição a você, e você concorda com eles como eles são, exatamente como são,

 

Você se torna irresistível.

 

De fato, você pode estender esta atitude para diferentes raças, religiões, nações.

 

Se você concorda com eles como são, exatamente como são, não há mais nenhuma oposição.

 

Você está em paz com eles, e eles, certamente, podem ficar em paz com você.

 

Fonte: Veja mais acerca do Instituto Ômega mencionado acima, no site do Instituto Ômega pra estudos holísticos  www.eomega.org onde Bert Hellinger deu um workshop com Dietrich Klinghardt, de 04 a 08 de junho de 2001.